Proudhon e as mulheres

Por F.C.*

P.-J. Proudhon em diversos momentos de sua vida adotou posições extremamente conservadoras em relação à mulher. Já no fim dos anos 1840, ele sustentou que “a igualdade política dos dois sexos, ou seja, a equiparação da mulher ao homem nas funções públicas, é um dos sofismas que contraria não somente a lógica, mas também a consciência humana e a natureza das coisas”, isso porque, para ele, “o santuário da mulher” é “o lar e a família” (Le Peuple, 12 de abril de 1849) A ideia de que a mulher deve reduzir-se ao universo doméstico foi também sustentada por Proudhon em “A Pornocracia”, quando assumiu que “o reinado da mulher está na família; que sua esfera de influência é o lar conjugal”. Para ele, a emancipação feminina seria a própria irracionalidade: “Toda mulher que sonha com a emancipação perdeu, por esse fato, a saúde da alma, a lucidez da mente e a virgindade do coração”. (Proudhon, A Pornocracia ou As Mulheres nos Tempos Modernos, 1875, obra póstuma) Mas sua crítica ultraconservadora não se encerra com isso. Proudhon considera, ainda, conforme posições expressadas durante os anos 1850, que a mulher é um ser definitivamente inferior ao homem, em termos físicos, intelectuais e morais. Ela é “inferior ao homem tanto pela consciência quanto pela capacidade intelectual”, sendo que “a inferioridade intelectual da mulher vem da fraqueza de seu cérebro, assim como sua inferioridade física vem da fraqueza de seus músculos”, e que, “em relação a nós [homens], a mulher pode ser considerada um ser imoral”. A inferioridade feminina é explicada em função da incompletude da mulher ou mesmo em função de sua animalização: “a mulher é um diminutivo do homem, que carece de um órgão para se tornar algo mais que um adolescente”; “a mulher permanece […] inferior ao homem, algo como um meio termo entre ele e o restante do reino animal. (Proudhon, Da Justiça na Revolução e na Igreja, 1858) Essas posições, por mais que devam ser contextualizadas, não podem ser simplesmente justificadas como “fruto daquela época”, visto que foram duramente criticadas por socialistas contemporâneos de Proudhon, como Joseph Déjacque, Pierre Leroux e Mikhail Bakunin.

* Identificado assim a pedido do próprio autor. A Roxo e Negro agradece sua autorização para publicar o texto aqui e saúda o companheiro por sua importante contribuição. Arriba los que luchan!

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