ARTÉRIA RECORRENTE RADIAL NA FOSSA CUBITAL: ORIGENS E RAMOS

ROGÉRIO PORTO DA ROCHA / MAURÍCIO LEAL DIAS MONGON / ALESSANDRO VENGJER / NILSON MOURA GAMBERO / FÁBIO PIZZO RIBEIRO / HENRIQUE MIGUEZ / MARINALDO MONGON

O cotovelo e, principalmente, a fossa cubital são regiões de importância tanto clínica quanto cirúrgica. Entretanto, em textos clássicos, a anatomia local é, geralmente, descrita com restrições quanto a detalhes de relevância, como distribuição e ramos da artéria recorrente radial.

Tal fato despertou a curiosidade dos autores, que procuraram elucidar as dúvidas existentes a respeito da artéria recorrente radial, com o objetivo de tornar mais seguro o acesso cirúrgico à região em estudo.

De acordo com a literatura pesquisada, a artéria recorrente radial nasce imediatamente após a origem da artéria radial, lateralmente a esta e sobe com obliquidade súpero lateral entre os músculos supinador e braquirradial no antebraço e entre os músculos braquial e braquirradial no braço no local onde passam os ramos do nervo radial.

Em seguida, anastomosa-se, anteriormente ao epicôndilo lateral, com a artéria colateral radial, ramo da artéria profunda do braço, emitindo numerosos ramos que se perdem na musculatura da região externa do antebraço, suprindo os músculos braquiorradial e radial e também a articulação do cotovelo.

Uma descrição mais detalhada foi feita por Girard et al, demonstrando que o arco da artéria recorrente radial apresentava uma concavidade superior que passava anteriormente ao colo do rádio e ascendia para o epicôndilo lateral do úmero. Esta artéria emitia ramos para os músculos extensores radial do carpo, músculo supinador, cápsula articular, epífise proximal e cabeça do rádio. Dois desses ramos alcançavam o colo do rádio: o primeiro penetrava na borda medial do músculo supinador para chegar à face ventral do colo, onde formava um plexo subperiostal; o segundo passava entre as duas cabeças do músculo supinador, irrigando-as transversalmente à cabeça profunda desse músculo e alcançando a face ventrolateral do colo do rádio.

MATERIAL E MÉTODO

Foram selecionados, aleatoriamente, 31 membros superiores de cadáveres fixados de adultos de ambos os sexos, sem história pregressa de doenças e traumas locais, de idade entre 30 e 60 anos, sendo 15 direitos e 16 esquerdo, provenientes da Universidade UNILUS.

A dissecação seguiu os métodos clássicos, por planos, com exposição da musculatura e da artéria recorrente radial.

Os tendões dos músculos braquirradial e extensor radial longo do carpo foram seccionados distalmente para melhor exposição da artéria recorrente radial.

Isolada a artéria, seu ramo recorrente foi dissecado desde sua emergência até a região da crista supra epicondilar. Foram evidenciados e enumerados seus ramos, assim como descritas as suas relações com a cabeça do rádio. Todas as peças foram fotografadas.

RESULTADOS

Após tabulação e interpretação dos dados colhidos, verificou-se que a origem mais frequente da artéria recorrente radial foi da artéria radial (25 peças), logo após a bifurcação da artéria braquial. No entanto, foram encontradas algumas variações:

Em cinco peças, a origem da artéria recorrente radial foi diretamente da artéria braquial. Em apenas uma peça, a origem desse ramo foi da artéria ulnar.

Em todos os casos, essa artéria emergiu medialmente à inserção do tendão do músculo bíceps braquial, estando entre o colo do rádio e a veia recorrente radial, sendo paralela e proximal a esta.

O trajeto inicial da artéria recorrente radial é paralelo ou com obliquidade distal em relação ao eixo articular do cotovelo, assemelhando-se a uma estrutura troncular, que logo após a sua emergência passa a ter forma arqueada.

Os ramos da artéria recorrente radial apresentam calibre bem reduzido e disposição variada, com exceção de três ramos musculares.

O ramo para o músculo extensor radial curto do carpo, que é descendente e perpendicular ao eixo articular e alcança o músculo extensor radial curto do carpo pela sua borda medial e penetra até o limite do seu terço proximal, em apenas um caso, chega ao terço médio. Esse ramo, na maioria das vezes, é de calibre bem menor que o da artéria radial recorrente e os demais possuem o mesmo calibre dessa artéria. É o primeiro ramo da artéria recorrente radial; o ramo para o músculo braquirradial que possui incidência de praticamente 100%, cobre relativamente grande e disposição constante, sendo o único ramo que sai da face anterior da artéria em estudo; e o ramo para o músculo extensor radial longo do carpo, que possui um calibre considerável e disposição constante, passando, na maioria da vezes, anteriormente à cabeça do rádio.

Os ramos, no total, foram classificados pelos autores em proximais, anteriores e distais à cabeça do rádio. Foi encontrada maior frequência dos distais, com média de 4,26 e moda de 4, seguido pelos ramos proximais, que apresentaram média de 3,0 e moda de 2. Já os ramos que estão sobre a cabeça do rádio apresentaram média de 1,13 e moda de 1. No total de ramos, foram encontradas média de 8,6 e moda de 7.

DISCUSSÃO

Em relação à origem da artéria recorrente radial, a literatura demonstra que ocorre logo após a formação da artéria radial. No entanto, foi observada pela dissecção das peças uma parcela considerável de casos em que sua origem foi na artéria braquial e, raramente, na artéria ulnar.

Não foram encontrados dados muito precisos em relação aos ramos da artéria recorrente radial na literatura consultada, mas pudemos quantificar e observar com bastante detalhes tais estruturas.

Os ramos da artéria recorrente radial apresentam variabilidade grande e calibre reduzido, com exceção dos três ramos musculares já citados. Usando a mesma classificação já citada acima, os ramos distais são os mais frequentes, em média, quatro, seguidos pelos proximais, em média três. Sua localização anterior à cabeça do rádio é pouco frequente, sendo observados no máximo dois ramos. Nessa região os ramos irrigam os músculos já citados na literatura, a cabeça do rádio e a articulação do cotovelo.

CONCLUSÃO

Com o estudo realizado verificou-se que os ramos da artéria recorrente radial apresentaram disposição mais frequente proximal e distalmente à cabeça do rádio. Anterior à cabeça do rádio, a frequência foi menor.

Com exceção dos ramos que se dirigem para os músculos braquirradial, extensor radial longo do carpo e extensor radial curto do carpo, todos os demais têm calibres semelhantes e menores que os três anteriormente citados e grande variedade de disposição.

Desse modo, pudemos verificar que a irrigação da fossa cubital é bastante vasta, especialmente abaixo da cabeça do rádio.

Quanto à origem da artéria recorrente radial, em sua maioria foi na artéria radial (80,6%), porém encontramos um número considerável de peças em que sua origem foi na artéria braquial (16,1%), o que deve, portanto, ser levado em consideração pelos profissionais que desejam acessar a região.

Assim, com o conhecimento anatômico descrito, o acesso cirúrgico à fossa cubital poderá tornar-se mais seguro ao profissional.

)
Rogério Porto da Rocha

Written by

Artigos escritos ou co-escritos pelo Dr. Rogério Porto da Rocha (CRM-SP 75715 ), sobre o mundo da cirurgia plástica, estética e muito mais!

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade