MAMOPLASTIAS: AUMENTO E REDUÇÃO

DR. NEWTON ROLDÃO

DRA. LILIA CRISTINA DE ARRUDA

Durante muitos anos os profissionais da área de estática estiveram à margem das ações pré ou pós cirúrgicas, pois sua ação era considerada como não especializada e restrita aos clientes que, sem encaminhamento médico, submetiam-se a tratamentos de recuperação da pele e do tecido subcutâneo após suas cirurgias.

Somente nos últimos dez anos, e mais efetivamente nos últimos cinco anos, a área estética consagrou-se como, não uma alternativa, mas sim uma opção de melhora dos resultados que o cirurgião pode ter nas suas intervenções, criando assim uma verdadeira equipe multidisciplinar que, além de efetivamente incrementar os resultados, ainda cria uma ligação muito mais forte entre os médicos e seus pacientes, via esteticista.

Na anatomia, as mamas são glândulas sudoríparas modificadas, têm seu crescimento induzido por hormônios e suas alterações são de causas diversas, sendo a obesidade e gestação as principais causas de descontentamento das clientes com sua harmonia corporal.

As mamas são o principal símbolo da feminilidade e da maternidade, portanto, reveste-se de grande importância, todas as alterações que alterem suas formas e volume. Sua importância transcende a mera funcionalidade.

É claro que os motivos mobilizadores para uma cirurgia por ser também funcionais, visto que as mamas grandes provocam desconforto postural, respiratório e também dermatológico, pois podem ser focos de dermatites nas dobras.

O planejamento cirúrgico reveste-se da maior importância pois é nesse momento, o da consulta com o médico, que todas as expectativas podem ser discutidas e o real potencial do resultado deve ser comunicado com precisão à paciente. Fotos e exames complementam este primeiro processo.

Ao exame clínico podemos constatar a hipermastia (mamas grandes) ou a hipomastia (mamas pequenas).

As hipomastias primárias são por falta de desenvolvimento. As secundárias, após gravidez. E as iatrogênicas, como as mastectomias. O tratamento preconizado são as próteses de silicone. As formas, modelos e vias de acesso dependem da experiência do cirurgião em cada necessidade. Os tipos de anestesia podem ser: geral ou local mais sedação.

A principal complicação imediata é hematoma, isto é, a grande quantidade de sangue no local onde foi colocada a prótese. Podem ocorrer também infecções e assimetrias. A principal complicação tardia é a contratura capsular. O próprio organismo da paciente cria uma cápsula mais espessa que o normal e esta cápsula começa a contrair-se e apresentar-se endurecida. Necessita reintervenção em casos graves.

Na hipermastias podemos ter excesso só de pele ou de pele e glândula. Normalmente, a anestesia é geral mas podemos ainda optar por local e sedação. Devemos reduzir o que for redundante. As cicatrizes resultantes podem ser periareolares, ou em L ou em T invertido. As complicações são os hematomas, infecções, necroses, hipoestesias, assimetrias.

Independente dos bons ou “não tão bons” resultados que um cirurgião possa ter, é importante a divisão de tarefas e responsabilidades, apesar de que, sempre e em qualquer hipótese, ninguém responde por resultados que não o cirurgião. Mas ter ao seu lado uma esteticista que dê à paciente cuidados e atenção somente valoriza o trabalho do médico, e também reduz o nível de tensão que toda paciente tem no pós-operatório.

Tecnicamente, a esteticista é uma fisioterapeuta e também uma qimioterapeuta, pois ela utiliza, alternadamente, meios físicos (massagem, calor e gelo) e, também, produtos químicos (cremes hidratantes, esfoliantes e ácidos) na mesma cliente.

As necessidades do cirurgião, que a esteticista deve prover, são semelhantes às da paciente: ambos querem ver confirmado que a evolução cirúrgica esta adequada, e mesmo que haja alguma alteração, tudo evoluirá de maneira a se ter o melhor resultado.

TRATAMENTO ESTÉTICO

Em nossa clínica, consideramos que o tratamento estético, pré ou pós-operatório, é fundamental para o sucesso pleno de uma cirurgia de mamas, quer que seja esta aumento ou redução.

Na realidade, vemos que os tratamentos estéticos sempre podem ser fisioterápicos e/ou quimioterápicos, se usamos meios físicos ou químicos para um procedimento.

Coincidentemente tenho formação em Fisioterapia e coordeno os tratamentos de meios físicos em nossa clínica.

No pré-operatório, a paciente é encaminhada para o tratamento estético com a finalidade de melhorar o tegumento, isto é, a pele, para o ato operatório.

De acordo com a nossa amostragem de pacientes, as alterações encontradas no pós-operatório são: hematomas, lipo necroses, aderências, necroses de pele e edema acentuado, assim como, mesmo num pós-operatório normal, há leve dor e edema no local da cirurgia, sendo mandatório em qualquer caso a manipulação adequada.

As manipulações devem ser realizadas de acordo com cada caso. Se notamos algumas alterações de tecidos profundos, devemos mobilizar adequadamente estes tecidos para que não se tornem nódulos ou irregularidades notadas ao toque.

Devemos drenar o edema residual e, para isso, devemos conhecer toda a anatomia linfática da região.

Nas cicatrizes devemos ter atenção para possíveis aderências, ou hipertrofias, e até mesmo um quelóide que deve ser detectado precocemente. Usamos em nossa clínica como coadjuvante das manipulações um aparelho de endermologia, que nos auxilia, principalmente, no tratamento de cicatrizes.

Devemos ter conhecimento de como fazer ou refazer curativos de sustentação com esparadrapo de celulose, pois o cirurgião pode não estar presente para refazê-lo.

O ponto mais importante da atuação da unidade de estética é, talvez, ser uma ponte de comunicação e até de terapia pessoal para a paciente em relação ao médico: toda paciente sente certa ansiedade em saber, de outras pessoas, se sua cirurgia está evoluindo bem, e nessa hora nós devemos agir com ética e equilíbrio, para não só tratar a parte física desta paciente com dar confiança, tanto num pós-operatório bom, com em um não tão favorável.

Cada vez mais a atuação da Estética é de suma importância para o cirurgião e sua paciente e cabe a nós termos sempre em mente que o espírito de equipe para o bem comum do nosso cliente.

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