RELAÇÕES ANATÔMICAS DOS RAMOS DO NERVO RADIAL PROFUNDO COM A ARTÉRIA RECORRENTE RADIAL NA FOSSA ULNAR

ROGÉRIO PORTO DA ROCHA / GERALDO J. M. FERNANDES / MAURÍCIO L. D. MONGON / ALESSSANDRO VENGJER / NILSON MOURA GAMBERO

O cotovelo, em sua fossa ulnar, é uma região de importância tanto clínica quanto cirúrgica. Entretanto, em clássicos, a anatomia local é descrita com restrições quanto a detalhes de relevância como uma descrição precisa da relação do ramo profundo do nervo radial com a artéria recorrente radial na fossa ulnar.

Tal fato, despertou a curiosidade dos autores, que pretendem nesse trabalho elucidar algumas dúvidas existentes a respeito dessas relações, a fim de servir como auxílio para procedimentos cirúrgicos que tem como via de acesso esta região.

LITERATURA

Autores clássico em anatomia mostraram, geralmente, uma descrição sucinta das relações do nervo radial profundo com a artéria radial na fossa ulnar. Já a relação dos ramos do nervo radial profundo com o ramo recorrente da artéria radial têm seus detalhes omitidos ou desconhecidos.

De acordo com Alves o nervo radial é anterior ao ramo recorrente da artéria radial. Outros autores relatam que a artéria recorrente radial passa entre os ramos superficial e profundo do nervo radial. Latarjet descreve a artéria recorrente radial acompanhando o ramo anterior do nervo radial e depois o próprio nervo.

MATERIAL E MÉTODO

Selecionamos, aleatoriamente, 31 membros superiores (16 direitos e 15 esquerdos) de cadáveres adultos masculinos e femininos fixados, sem história pregressa de doenças e traumas locais, de idade variada, provenientes do Laboratório de Anatomia do Curso de Medicina do UNILUS em Santos.

A dissecação foi realizada de maneira clássica, por planos, procedendo-se à identificação e isolamento dos mesmos até a exposição da musculatura.

Os tendões dos músculos braquiorradial e extensor radial longo do carpo foram seccionados distalmente para que o campo de exposição da artéria recorrente radial fosse melhor acessado.

Através da divulsão foi isolada a artéria radial e seu ramo recorrente, assim como os ramos superficial e profundo do nervo radial, e foram observados a quantidade de ramos anteriores e posteriores em relação a artéria recorrente radial, que foram, então, descritos e fotografados.

RESULTADOS

Nas 31 peças estudadas verificamos que em média 1,70 ramos terminais do nervo radial profundo eram anteriores a artéria recorrente radial e 1,74 estavam em situação posterior a ela, no entanto, isto não foi observado na análise individual das peças, ou seja, o número de ramos anteriores e posteriores com pouca frequência são equivalentes.

Não foram encontrados, em 38% das peças, ramos posteriores a artéria recorrente radial; já 22% delas não apresentaram ramos anteriores. E nos 40% restantes, há tanto ramos anteriores como posteriores.

Em 54% dos casos encontramos maior frequência de ramos posteriores à artéria recorrente radial, sendo que destes, 47% apresentaram 3 ramos posteriores e 1 anterior a artéria, e apenas 5% não possuíam ramos anteriores a ela.

A maior frequência dos ramos anteriores a artéria recorrente radial encontrados fora de 32%, onde 33% destes ramos apresentaram 3 ramos anteriores e nenhum posterior, e apenas 16% possuíam 4 ramos anteriores e nenhum posterior. Pudemos, ainda, observar em 1% das peças, números igual de ramos anteriores e posteriores a artéria recorrente radial.

DISCUSSÃO

A literatura não traz dados em relação aos ramos do nervo radial profundo e sua relação com a artéria recorrente radial.

Observamos que o nervo radial profundo se divide em ramos que variam de 2 a 5, tanto anteriores como posteriores a artéria recorrente radial.

Em média, o número de ramos anteriores e posteriores é igual (1,70 e 1,75 respectivamente), mas poucas peças eram compatíveis com a média encontrada, pois a quantidade de ramos mostrou-se bem discrepante, ou seja, observamos uma variação significativa do número de ramos, tanto anteriores como posteriores, em relação a artéria recorrente radial.

Dentre as peças estudadas, 60% apresentam somente ramos posteriores ou anteriores ao ramo recorrente da artéria radial, sendo de maior frequência as que possuem apenas os posteriores (38%).

Feita esta relação, tornar-se-ão mais seguros e precisos os acessos cirúrgicos à região da fossa ulnar.