Rinoplastia Endonasal: um estudo do grau de satisfação dos pacientes em cinco anos.

EWALDO BOLIVAR DE SOUZA PINTO / RACHID GORRON MALOOF / RODRIGO THIAGO DUTRA / ALEXANDRE SANFURGO DE CARVALHO / LUIS HUMBERTO URIBE MORELLI / FERNANDA PROVAZI ZANETTA / ROGÉRIO PORTO DA ROCHA / SANDRA MÁRCIA DA SILVA MOÍA / PRISCILA C. S. P. ABDALLA

Muito tem sido discutido a respeito das várias técnicas e vias de acesso em rinoplastia. Todas as técnicas buscam um resultado previsível e reprodutível, associado à melhora da estética e funcional do nariz. Nesse trabalho foi avaliado o nível de satisfação dos pacientes submetidos à rinoplastia nos últimos cinco anos: rinoplastia reducional por via endonasal associada ou não a rinodinâmica.

Método: Por meio de um estudo retrospectivo foram identificados foram identificados 201 pacientes submetidos à rinoplastia endonasal entre 2005 e 2010. Todos os procedimentos foram realizados com a mesma rotina cirúrgica, conforme indicação. Os pacientes foram avaliados de maneira objetiva quanto à cirurgia realizada e, de maneira subjetiva, a respeito de sua função respiratória anterior e posterior à intervenção cirúrgica e o grau de satisfação quanto à estética nasal por meio de um questionário.

Resultados: A idade dos pacientes variou de 14 a 68 anos; com predominância da raça branca (96,7%). Referiram melhora no padrão respiratório após a cirurgia, 83,87% dos pacientes estudados. Em relação à estética nasal, 30 (32,26%) pacientes tiveram sua expectativas superadas, 42 (45,16%) consideraram muito boa, 18 (19,36%), como boa e três (3,22%), como abaixo do esperado.

Conclusão: o procedimento resultou na melhora da função respiratória em quase 90% dos pacientes, além disso, o alto grau de satisfação com a estética exposto pelos pacientes permite concluir que rinoplastia endonasal tem apresentado ótimos resultados até o momento.

INTRODUÇÃO

Muito tem sido discutido a respeito das várias técnicas e vias de acesso em rinoplastia. A rinoplastia reducional (ou tradicional), estrutural, a endorinoplastia e exorinoplastia todas buscam um resultado previsível e reprodutível, associado à melhora estética e funcional do nariz do paciente.

É necessária a observação dos resultados em longo prazo para identificar se o objetivo foi alcançado ou não. Nesse trabalho foi avaliado o nível de satisfação individual dos pacientes submetidos à rinoplastia desempenhada por único cirurgião nos últimos cinco anos: rinoplastia reducional por via endonasal associada ou não a rinodinâmica.

A rinodinâmica surgiu em 1993, após estudo anatômico do músculo depressor do sépto (MDS) e sua relação com o terço distal do nariz em cadáveres. A técnica consiste na liberação e/ou secção da inserção dos fascículos intermédios com sepultamento do coto muscular dos fascículos mediais. Isto promove o aumento do ângulo nasolabial, com elevação da ponta nasal. A via de acesso é realizada pela mucosa do lábio superior em forma de “Z” (sendo o braço principal o freio do lábio superior), podendo ainda ser realizada rotação dos retalhos, conforme a indicação.

MÉTODO

Por meio de estudo retrospectivo baseado em revisão de prontuários do Serviço de Cirurgia Plástica do UNISANTA — Santos, SP foram identificados 201 pacientes submetidos à rinoplastia endonasal, realizadas pelo autor principal entre o período de janeiro de 2005 e janeiro de 2010.

Por meio de ligações telefônicas diretas ou email, tentou-se a localização dos pacientes, 108 (53,7%) não foram contatados ou não quiseram participar do estudo. Os 93 (46,3%) pacientes que aceitaram participar do estudo foram avaliados de maneira objetiva sobre a cirurgia realizada e, de maneira subjetiva, a respeito de sua função respiratória anterior e posterior à intervenção cirúrgica, além do grau de satisfação quanto à estética nasal por meio de um questionário (Figura 1).

Todos os procedimentos foram realizados seguindo a mesma rotina cirúrgica, conforme indicação: rinodinâmica, tratamento do septo nasal, rinoplastia por via endonasal (conforme descrito por Joseph, com incisão intercartinagilosa), osteotomia e enxertia de cartilagem septal.

A satisfação com a estética nasal geral foi avaliada em graus, sendo considerado: abaixo esperado, boa, muito boa e além do esperado. A avaliação subjetiva dos pacientes foi agrupada para a identificação dos aspectos funcionais e estéticos do resultado cirúrgico.

QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO

NOME:

DATA:__ /__ /____ DATA DA CIRURGIA:__ /__ /____

QUANTO À RINOPLASTIA:

1 — FOI A PRIMEIRA VEZ QUE OPEROU O NARIZ?

( ) SIM ( )NÃO QUANTAS VEZES__________

2 — CASO TENHA OPERADO MAIS DE UMA VEZ, TODAS FORAM COM O DR. EWALDO BOLIVAR?

( ) SIM ( ) NÃO

3 — FOI REALIZADA RINODINÂMICA?

( ) SIM ( ) NÃO

4 — FOI REALIZADO TRATAMENTO DO SEPTO NASAL?

( ) SIM ( ) NÃO

5 — FOI REALIZADO ENXERTO DE CARTILAGEM?

( ) SIM ( ) NÃO

6 — FOI REALIZADA OSTEOTOMIA (FRATURA ÓSSEA) NA CIRURGIA?

( ) SIM ( ) NÃO

7 — APÓS A CIRURGIA TEVE ALGUMA COMPLICAÇÃO?

( ) SIM ( ) NÃO

8 — FOI NECESSÁRIO ALGUM TRATAMENTO?

( ) SIM ( ) NÃO

9 — FOI NECESSÁRIA UMA NOVA CIRURGIA?

( ) SIM ( ) NÃO

QUANTO À FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

10 — ANTES DA CIRURGIA, VOCÊ ACHAVA QUE RESPIRAVA NORMAL?

( ) SIM ( ) NÃO

11 — E DEPOIS DA CIRURGIA, VOCÊ MANTÉM SUA OPINIÃO DA RESPOSTA ANTERIOR?

( ) SIM ( ) NÃO

12 — HOJE VOCÊ RESPIRA COM DIFICULDADE?

( ) SIM ( ) NÃO

RESULTADO

O estudo identificou 93 pacientes, sendo 72 do sexo feminino e 21 do sexo masculino, sendo a relação homem/mulher de 1:3,43. A idade variou entre 14 anos e 68 anos, com idade média de 28,3 anos. Predominaram os pacientes da etnia branca (96,75%) e da negra (3,25%). Foram realizados 102 procedimentos, sendo 93 (91,18%) primários e nove (8,82%) cirurgias secundárias, destes, seis (5,88%) foram operados primariamente pelo autor, sendo considerados, então, como revisão.

As cirurgias foram realizadas de acordo com a indicação de cada paciente: 1) rinodinâmica em 84 (90,32%) pacientes; 2) tratamento do septo nasal em 72 (77,42%), 3) rinoplastia por via endonasal em 100% dos caso, 4) osteotomia em 42 (45,16%) pacientes. Enxertia de cartilagem septo foi realizada em nove (9,68%) pacientes, todos receberam enxerto de ponta nasal (100%) e apenas dois (2,23%) também receberam enxerto em dorso.

No período pré-cirúrgico, apenas seis (6,45%) pacientes se queixavam de algum tipo de dificuldade respiratória. No entanto, 78 (83,87%) pacientes mudaram de opinião após a cirurgia, referindo melhora na respiração e seis (6,45%), apesar da cirurgia, apresentaram algum grau de dificuldade para respirar.

Quanto aos resultados estéticos, as apreciações positivas revelam-se em sua maioria. Em relação a estética nasal, 30 (32,26%) pacientes tiveram suas expectativas superadas, 42 (45,16%) consideraram muito boa, 18 (19,36%) analisaram como boa e três (3,22%) como abaixo do esperado.

No tocante às mudanças na forma nasal, nove (9,67%) pacientes notaram pouca alteração, 30 (32,26%), como moderada, e 54 (58,07%) consideraram que houve muita alteração. Nenhum paciente deixou de perceber algum tipo de mudança. No tangente à relação face-nariz, sua avaliação foi sempre positiva, com 24 (25,80%) pacientes referindo como boa a nova relação, 39 (41,93%), como muito boa, e 30 (32,26%), como além do esperado.

O grau de satisfação foi avaliado com quatro itens: abaixo do esperado por três (3,22%) pacientes; boa por seis (6,45%); muito boa por 33 (35,47%) e 51 (54,83%) referiam estar satisfeitos além do esperado com o resultado.

DISCUSSÃO

A procura pela rinoplastia é norteada por razões estéticas. O desconhecimento dos pacientes sobre a sua qualidade funcional respiratória (83,87%) nos faz responsáveis pelo diagnóstico e tratamento adequado. O binômio beleza/função, em especial na rinoplastia, é essencial para que o resultado seja admirável e saudável.

Nessa análise de dados, o cirurgião conseguiu, através da sua abordagem, melhora na estética nasal (96,78%) e da sua relação com a face (100%), causando modificações perceptíveis em 84 pacientes, combinado com a otimização do padrão respiratório em 78 deles.

Dos três resultados desfavoráveis em relação à estética, nenhum foi relacionado com piora do padrão respiratório. E os seis pacientes que apresentavam alteração funcional anterior à cirurgia mantiveram a queixa com o mesmo e menor grau. Esta evidência demonstra que a rinoplastia reducional não tem um caráter iatrogênico, independentemente dos resultados, favoráveis ou não.

Cabe aqui lembrar que este estudo foi realizado avaliando-se apenas o resultado da rinoplastia reducional com rinodinâmica executada pelo mesmo cirurgião, e assim, não questiona-se o fato do procedimento for melhor ou não aos outros tipos de abordagens. Esse mesmo resultado pode não ser atingido por cirurgiões inexperientes.

CONCLUSÃO

O alto grau de satisfação com a estética exposto pelos pacientes (96,78%), além de conduzir a uma melhora da função respiratória em quase 90%, constata que o procedimento realizado tem ótimo resultado até o momento.

A análise de dados por meio dos relatos dos pacientes selecionados demonstrou um ótimo padrão de qualidade obtido pela intervenção desenvolvida. Ou seja, a rinoplastia tradicional ou reducional associada à rinodinâmica obteve ótimos resultados estéticos-funcionais, não sendo iatrogênica em mãos experientes.

Este estudo científico, devido a sua natureza subjetiva por meio de pontos de apreciação ou não do resultado estético e funcional e sua comparação entre o pré e pós-cirúrgico individualizado por paciente, pode ser válido, uma vez que as informações colhidas de um grande grupo podem apoiar interpretações e impressões clínicas.