A cultura da exposição do amor… ao esporte
Sobe para NÍVEL ESTRESSANTE a quantidade de pessoas que demonstram seu amor ao esporte nas redes sociais

Você já foi vítima deles. (Se você for algum deles, corra, pois este texto vai te irritar). No Facebook, Twitter ou Instagram. No Snapchat eu ainda não os vi. Nem vou, pois bloqueio. Pode ser amigo, parente, colega de trabalho ou conhecido. Até famoso anda fazendo isso — Beijo, Bruna Marquezine.
Praticar esportes é necessário para você construir uma vida rica em saúde e prazer. O corpo agradece. A mente, idem. Entre tantas modalidades, uma vai te agradar. Na rua, na água, no ar, no parque, clínica, academia ou até dentro de casa. Eu, por exemplo, sou corredor de rua. Descobri isso depois de um projeto que me emagreceu trinta quilos. Corro, corro e só corro. E ao término, compartilho o trajeto no Twitter, via Strava, apenas para algum curioso ver. Mas tem gente indo mais além. Muito além. O amor dos anônimos ao esporte está passando do doentio. As pessoas estão entrando quase que na Louca Obsessão do Stephen King.
Primeiro, elas alertam que estão indo praticar esporte. Depois, tuitam todos os movimentos e acontecimentos do local. Horas depois, quando provavelmente acabou de se exercitar, posta videos e fotos no Instagram e compartilha no Facebook. Todos os dias. Querendo curtidas, reações e comentários dos outros adeptos à pratica da demonstração excessiva do amor ao esporte. Compartilham também vídeos de algum especialista no assunto, lojas virtuais com algum equipamento barato e anúncio do próximo evento. O perfil dessas pessoas nas redes sociais só apresenta conteúdo voltado pro seu esporte, quase que como uma religião, na qual ninguém sairá salvo caso não se inicie a prática. Aí vem o ponto de loucura mais agressivo, chato e preocupante: não critique o esporte dela e nem tente chamá-la para outro. O esporte dessas pessoas, como disse, é como uma religião, onde o coach é o pastor e dele tudo proverá. Jamais comente que correr na rua é perigoso então você prefere a esteira. Nunca diga que Crossfit não é esporte. E nem tente colocar que rua não foi feita pra ciclistas (nem acostamento de rodovia). Algum argumento desses é tão grave quanto chamar um morador de Santa Catarina de gaúcho. Ou qualquer judeu de ‘sobrevivente’. A cultura do esporte passou da linha do “Eu pratico”. Virou amor. Paixão. Possessão.
Corredores x Cilcistas;
Crossfit x Academia;
Mahamudra x Bodybuilder.
Pratique. Mas não implique.
O esporte agradece!