Empresas, por favor, respondem seus candidatos, porra!

Seja pra vaga de estágio, de trainee ou para qualquer trabalho, as empresas esquecem do fairplay e não dão nenhum parecer para os candidatos.

Você com certeza já foi candidato para alguma coisa dentro de qualquer empresa. Grande ou de pequeno porte, ser candidato para uma vaga em uma empresa é sempre desafiador para nós. A gente se prepara, estuda, faz bonito e ficamos apreensivos por dias ou semanas… ou pra sempre, pois os executivos não estão preocupados no humano, apenas no funcionário.

De cinco grandes empresas que participei de qualquer tipo de processo seletivo, apenas a Rede Globo teve o carinho de me ligar e explicar o motivo d’eu não ter sido selecionado. Não foi e-mail formal ou notificação recebida de um site de seleção, foi uma ligação do responsável pelo RH da Globo São Paulo. Das outras empresas (Nestle, Coca-Cola, AmBev e Votorantim) até hoje espero uma lembrança.

Mas não são apenas as grandes organizações que pecam nessa humanização.

Semana passada, uma agência entrou em contato pedindo trabalhos antigos pois queriam me analisar e, se assim for, me integrar a uma equipe de redatores para um árduo trabalho de um mês. Mandei meu portifa (modo carinhoso que chamo meu portfólio). Quatro dias depois recebi um e-mail:
“Rafa. Iremos analisar internamente seus trabalhos. Entraremos em contato.”
Com os calcanhares calejados nesta vida de seleção, consigo ver nessas entrelinhas que nunca irão me retornar. Nem por telefone, nem por e-mail. Meu contato era one-to-one, mas sua resposta já coloca nossa conversa em plural (iremos e entraremos), agregando mais gente para se safar da exclusiva responsabilidade de dizer ‘Não queremos você’.

Dias atrás, não diferente, uma produtora de cinema de São Paulo viu um trabalho que fiz em um curta metragem e entrou em contato. Nos falamos por horas via Skype. Me elogiaram e pediram para eu enviar mais vídeos por e-mail. Obedeci. Até hoje não chegou nem um ‘Obrigado’.

Sou administrador de empresas por formação e sou a favor do feedback. Não do feedback diário, mas do feedback construtivo, onde passamos para o outro algo em que ele possa melhorar. Se não formos selecionados, devemos por lei natural de humanidade saber o motivo, por mais bizarro que ele seja.

Sou entregador de feedback. Quero que as pessoas saibam o motivo de não estarem trabalhando comigo. Quero que elas desapeguem desse ‘compromisso’ e deem partidas para novos trabalhos. Não sou a Rede Globo para ligar pessoalmente (a conta de telefone anda muito cara), mas por escrito dou todas as informações que elas querem e precisam para se melhorarem.

Quando a Globo me ligou, avisou que eu não fui selecionado pois meu inglês e espanhol não estavam no nível que eles necessitavam. E assim tive o conhecimento que assistir Friends sem legenda não era o suficiente para colocar Inglês Fluente no meu currículo.

Mas se a empresa não quer ser tão comunicativa desse modo, apenas um e-mail ou SMS dizendo “Você não foi selecionado” já é o suficiente, assim podemos seguir nossas vidas sem ficarmos presos a uma eventual contratação.

3 motivos de por que as empresas devem responder seus candidatos:

  1. Ansiedade:
    ficamos dias na imaginação de uma possível ligação com a notícia de que estamos no quadro de funcionário da empresa que tanto queremos trabalhar. Acabe com a ansiedade;
  2. Seguir a diante:
    temos outros compromissos e novos rumos para buscar. Uma resposta, seja qual ela for, é fundamental para nos deixar livres e ir atrás de novos clientes ou vagas de emprego;
  3. Empresa Humana
    anos atrás, empresas que pensavam no meio ambiente eram destacadas no mundo corporativo. Hoje, são as empresas que pensam no ser humano, dentro e/ou fora de suas localizações. Responder os candidatos é uma forma de pensar no ser humano que está com um sonho em andamento, é mostrar que a empresa se importante com aquele que nunca trouxe lucro.

Este texto até pode parecer uma síndrome adolescente de ‘Elx não me ligou no dia seguinte’. Mas é só uma forma de mostrar a minha indignação pela falta de consciência de alguns executivos que arruínam suas imagens deixando de fazer algo considerado grosseiramente simples.

Responde, porra!

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