Eu apoio Miguel Falabella

O texto do ator no Facebook espalhou pelas redes sociais como fofoca espalha em vizinhança ocupada por donas de casa.

Antes mesmo de pensar se Miguelzinho estava certo ou não, 24h após seu texto viralizar eu estava provando do mesmo veneno.

Sempre fui ao teatro e sempre respeitei a cultura da casa. Nunca… NUNCA comi ou bebi durante um espetáculo, respeitei o silêncio e jamais atendi ou mexi no celular durante uma peça. Sou culto. Fui bem educado.

Hoje, segunda noite do Festival de Balé em que minha filha participa, fomos para o teatro apenas prestigiar mais uma vez, já que a peça era a mesma e ontem já havíamos assistido. Mesmo assim, não fiz barulho, respeitei os 120 minutos de dois lindíssimos atos e não mexi no celular (só no intervalo). Eis que no início do segundo ato uma família de 5 pessoas senta na nossa frente. Achei estranho chegarem na metade do espetáculo, mas ok. Mas o pior estava por vir. O rapaz bem a nossa frente nem esperou a poltrona esquentar e ligou seu smartphone. Achei que seria rápido mas o indivíduo foi logo abrindo um aplicativo de jogo de pesca. Isso seria totalmente problema dele se a tela luminosa no nível máximo não tivesse bem à minha frente, jorrando luzes na minha face. Lembrei na hora do texto do Falabella. Se é ruim pro ator, imagina pra quem está do lado (no meu caso, atrás). O rapaz não se intimidou e ficou os 60 minutos pescando em seu iPhone como se estivesse no sofá de casa. Não entendi porquê foi ao teatro. Lugar de pescar é no rio. E lugar de anta é no pasto.

Em nota: o brasileiro merece ser um povo sem cultura. Eu lavo minhas mãos. Sou índio.