Eu não vou assistir o novo filme da bruxa de Blair
Estreou o novo ‘Bruxa de Blair’. Mas eu não irei ao cinema porque ainda me arrepio ao lembrar do primeiro filme.

Ontem, 15, chegou às telonas o novo filme da franquia Bruxa de Blair. A história traz uma continuação do primeiro filme (de 1999), onde o irmão de Heather resolve voltar à floresta, onde tudo aconteceu, para encontrar respostas e vestígios do que pode ter acontecido com sua irmã 16 anos atrás.
Preciso confessar que na infância eu era um amante de filmes de terror. Ninguém da minha família gostava de me ver passando horas num final de semana assistindo de Chuck - o Brinquedo Assassino a Hellraiser-Renascido do Inferno. Eu sou um fascinado pelo desconhecido, então o mundo de monstros, assassinos e fantasmas sempre foram convidativos a mim. Até o ano de 1999.
Naquela época eu já usufruía da internet, mas apenas pornografia, mIRC e ICQ. Mesmo com vários sites de notícias, não havia a enxurrada de informação que existe hoje — principalmente envolvendo o mundo cinematográfico. E foi através de um amigo que eu fiquei sabendo sobre o filme A Bruxa de Blair.
Em 1999 era mais ou menos assim, ou você ia ao cinema ou esperava o filme chegar às locadoras depois de quatro ou cinco meses. E eu esperei.
Nesse meio tempo eu ouvi vários tipos de comentários. Nenhum spoiler, claro, pois naquela época as pessoas ainda eram civilizadas. E a vontade de ver o filme só aumentava.
A Bruxa de Blair assustou muita gente por se vender não como um filme, mas como um vídeo editado através de fitas encontradas na floresta. E foi assim que eu comprei o vídeo. Eu acreditei naquilo tudo. A culpa foi minha por não usar a internet para me informar melhor. A culpa também foi do meu amigo que me induziu a acreditar naquilo.
Eu que era fã de filmes de terror e assistia O Exorcista de madrugada e sozinho em casa, depois de A Bruxa de Blair nem na seção Terror da locadora passei mais.

Eu assisti o filme num sábado à noite, como de costume. Fiquei grudado no sofá ao ver aquelas pessoas passando por algo inexplicável. Como estava acreditando que tudo aquilo era real, eu quase chorei quando o filme acabou. Olhei e me vi sozinho na sala de casa. O orgulho de um homem de onze anos (?) não deixou eu ir pedir pra dormir no meio dos meus pais. Eu queria conversar com alguém que pudesse me acalmar e contar que era tudo obra de ficção, mas eu não tinha celular naquela época e o meu computador ficava em um escritório na parte de fora da casa, e eu não tinha estrutura (leia-se coragem) para atravessar a garagem fria e solitária para me encarcerar em um escritório cheiro de livros e prateleiras de madeira.
O dia seguinte foi pior. Além de não conseguir dormir e ficar de olhos abertos pensando porque ninguém contou essa história antes, fiquei sozinho quase o dia todo e imaginando que em qualquer momento uma bruxa poderia adentrar minha residência pela porta da sala. Eu arrepiava com qualquer coisa e nada conseguia prender minha atenção, pois minha cabeça só estava trabalhando para compreender o que eu tinha assistido na noite anterior.
Cinco dias se passaram e então eu encontrei todas as respostas. De tanto fuçar pela internet vazia daquela época, encontrei o site do filme com toda a ficha técnica e entendi que aqueles jovens sumidos eram atores desconhecidos e o filme com imagens reais nada mais foi que um filme de verdade filmado com câmera comum para vender a ideia de realidade e assustar otários expectadores como eu me assustei.
A paz voltou. Mas até hoje eu não consigo assistir filmes de terror como antigamente — bem nessa época em que Hollywood descobriu que o gênero tem bom público nos cinema e lança excelentes longas aterrorizantes. O Rafa pré Bruxa de Blair iria adorar tudo isso. O de hoje se caga só de ver os trailers.
Me chame para construir um edifício, mas não para ver filme de terror.