Rita Lee e O Rappa. O Fim.

A rainha do Rock não voltará aos palcos. E O Rappa anuncia o fim da banda.

Era quarta-feira à noite. Lá fora fazia frio. Aqui dentro, calor. O sono vinha a galope enquanto eu dedilhava os dedos no controle remoto buscando um programa decente até iniciar o programa que queria ver, Conversa com Bial, na Globo. A entrevistada da vez era ela, a musa, a eloquente, a inspiração, a completa, a surtada, a vovó do Rock, Rita Lee.

Sou fã de Rita desde antes saber o quer era Rock. Eu tinha 10 anos quando ganhei de aniversário o álbum Rita Lee Acústico MTV. Foi paixão à primeira música. Depois dele vieram os outros álbum da cantora, meio que em ordem não cronológica, até chegar no primeiro, Os Mutantes, de 68. E então digo que Rita Lee sozinha é muito melhor que com os irmãos Baptistas.

A entrevista daquela noite revelou uma Rita bem idosa, mas lúcida, e careta, como ela mesma fez questão de dizer. E no meio dos quase cinquenta minutos de conversa, a filha mais nova do Charles disse que não voltará aos palcos e também não pretende lançar nada novo.

Eu, no sofá, desempolguei com o excelente início de madrugada que estava tendo. Fã desde 97, o que mais queria ouvir era uma novidade musical da eterna rainha do Rock brasileiro.

Fui dormir feliz em vê-la depois de anos de reclusão em seu sítio. O sono galopou mais rápido que me derrubou quase torto na cama. Sonhei com Rita. Na verdade, foi uma lembrança de um show em um festival em São Paulo. Foi bom enquanto durou.

Acordei com as buzinas que me acordam todos os dias. Me levantei e me dirigi pra minha mesa de trabalho que fica a cinco passos da cama. Enquanto o computador acordava, eu tentava me acordar em definitivo com 412mL de café. Com alguns textos atrasados, deixei a cafeína tomar conta do cérebro e deitei as mãos sobre o teclado. “Téc téc téc téc”, enviado. “Téc téc téc téc”, alterado.

A tarde começou produtiva. Mas não seria mais. A notícia apareceu no meu Twitter: “O Rappa anuncia o fim da banda”.

Sou fã dO Rappa desde jovem. Eu tinha 15 anos quando ganhei de aniversário o DVD do álbum O Siléncio que Precede o Esporro. Foi paixão à primeira música. Depois dele vieram os outros álbum da banda, meio que em ordem não cronológica, até chegar no primeiro, O Rappa, de 94. E então digo que O Rappa só melhorou com o tempo.

A banda afirma que irá cumprir os compromissos até fevereiro do ano que vem. Sorte a minha que já tenho um encontro marcado com eles dia 10 de junho. Farei o possível para vê-los mais vezes até o fim definitivo de uma banda que trouxe para brancos ricos a realidade dos pretos pobres de forma integral, leve e conclusiva.

Em menos de vinte quatro horas Rita Lee e o Rappa anunciam que nada de novo virá. Nada de novo, de novo. Ficarei aqui ‘parado no tempo’, então. Porque, me desculpa os contemporâneos, para buscar coisa nova eu tenho que voltar lá no passado.

Como já disse Rita, são coisas da vida.

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