Uma semana de Halloween pra mim

Quinta passada era pra eu ter apresentado meu TCC. Mudou para a próxima quinta. O terror de trabalhar com pessoas despreparadas ainda vai me assombrar por mais uma semana.

Hoje é Halloween. E se você leu este comunicado, sabe que eu prometi voltar à ativa hoje, no Dia das Bruxas.

Não sou político. Por isso estou aqui cumprindo o que prometi, mesmo não tendo apresentado ainda meu projeto de conclusão de curso. O que era pra acontecer na última quinta, irá acontecer daqui três dias, na próxima quinta-feira.

Sou formado em Administração de Empresas e já passei por esta experiência quando tinha apenas 22 anos e era um adolescente sem perspectiva, sem vontade e sem preparo. Hoje, estou realizando este projeto com jovens que se parecem comigo, mas de 6 anos atrás.

Uma vez o técnico de futebol Leão, treinador do Corinthians na época, disse que era impossível exigir nota 10 de jogadores que só poderiam te dar nota 6. Este comentário repercutiu de forma grosseira pela imprensa e o técnico teve que se acertar com os jogadores e com a diretoria do clube. Hoje, no cenário acadêmico em que me encontro, eu tenho que concordar com Leão.

Para explicar: estou me formando em Publicidade e Propaganda e para concluir o curso nos dividimos em agência (de 4 a 6 alunos) para criar uma campanha completa para um cliente real. Dentro dessas agências, cada aluno tem sua função como atendimento, planejamento, pesquisa, mídia e criação; como manda um cenário publicitário atual.

A minha agência escolheu um shopping da cidade como cliente. Eu, na empolgação, aceitei. Deveria ter ouvido a voz da consciência que dizia ‘Produto, Rafaell. Venda produto, não serviço’.

O trabalho foi realizado com maestria até chegar na minha área, criação. Sou o redator dessa agência, assim como na vida profissional. Sempre temos dificuldades em escrever o slogan perfeito e o texto mais curto possível, mas às vezes não conseguimos chegar nem no conceito apropriado.

Por falta de apoio dos meus colegas de agência, me vi sozinho em um navio gigante. Realizei três reuniões criativas com os outros cinco integrantes e ninguém levou imagem referência, ninguém deu ideia, ninguém se preocupou ou mostrou interesse. Todos ali faziam cara de “vou ficar tranquilo que uma hora alguém vai ter a ideia e fazer tudo”.

Resultado: eu que fiz tudo.

Peguei o conceito, levei pro comercial, escrevi o roteiro, fui gravar (sou o ator também), levei o conceito pras peças, escrevi passo a passo o que o ‘diretor de arte’ deveria fazer, não ficou bom, refez, não ficou bom, refez, não ficou bom e ainda está fazendo (e a gente apresenta daqui três dias). E mais, a pessoa responsável por mídia não entende nada do assunto e também precisa de mim para concluir algumas funções. E mais, aquelas pessoas que ficaram esperando alguém ter a ideia, agora vem dizendo que essa ideia não é a melhor para o trabalho. E mais, os professores já se mostraram preocupados com o trabalho. E mais, eu liguei o foda-se e só quero pegar meu diploma. Mas pra segurar no canudo eu ainda preciso trabalhar mais uma semana com esta equipe fantástica típica de um filme de terror.

No mundo corporativo, quem não faz o seu vai pra rua. No mundo acadêmico, quem não faz o seu transfere o problema pro colega ao lado. O pior é pagar uma mensalidade de três dígitos para passar este nervoso.

Quinta-feira estarei diante dos professores apresentando um trabalho que não está do jeito que eu quero e nem sei se vai estar pronto. Mas como eu liguei o foda-se, eu quero é subir naquele palco e dançar conforme a música, mesmo que a música seja um sertanejo universitário remixado.

Devido a correria da conclusão do curso, não se assuste com a demora de novos textos nas próximas duas semanas. Ou se assuste, afinal, é Halloween!