Amor, confiança e outras bobagens que eu acreditei

Sempre fui uma pessoa muito fechada e depois de alguns meses achei uma boa ideia falar sobre mim pra minha mãe. Era o tipo de decisão que fazia meu estômago queimar. Ela pedia muito por isso e até falava sobre apoio e amor incondicional então achei que estivesse pronta pra escutar. Contei minha opção e uma história adaptada pra forma mais leve possível de como eu tinha chegado até ali. Eu não esperava muitas palavras, eu só queria um abraço. Alguma coisa que fizesse eu me sentir segura ou algo do tipo, que me desse paz. Não foi isso que eu recebi. Nos primeiros 10 minutos de conversa ela se preocupou com a opinião do mundo inteiro mas não de como eu estava me sentindo. As coisas que foram ditas eu não consigo escrever porque ainda me fazem mal, mal aquele que ela dizia estar tentando evitar que eu sentisse. Eu deitei e me abracei enquanto ela saiu do quarto. Eu estava realmente sozinha. A sensação de que o único lugar que você deveria sentir segurança é o que você menos encontra. Eu sai sem rumo e ela me pediu pra voltar, me abraçou e disse que me amava. No dia seguinte, não trocou muitas palavras comigo. Chegou do trabalho dizendo que estava passando mal e era tudo culpa minha. Discutimos por alguns minutos e eu decidi fazer aquilo que a minha terapia diz para não fazer: continuar sendo o personagem que faz as pessoas se sentirem melhor consigo mesmas. Naquela hora eu decidi me fechar. É cansativo ser um fardo pra todo mundo que você ama. Quando as luzes se apagarem, eu vou continuar fazendo o que faço e gostando do que gosto porque não tem mal nenhum sentir isso. Mesmo sem apoio, mesmo escondido, isso me basta agora. Amar vai muito além do que ela acredita estar fazendo. Minha vida não vai ser volátil, mãe. Vai ser sincera e completa só que, infelizmente, não vou poder dividir com você.
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