Gerenciamento de resíduos é importante, sim. Nas pequenas empresas também!

Quando se trabalha em uma empresa de grande porte, onde os recursos financeiros são elevados e, a estrutura organizacional é de “primeiro mundo”, é muito provável que essa empresa possua um setor dedicado ao meio ambiente, seja ele coordenado por um engenheiro ambiental, um técnico em meio ambiente, ou algum profissional responsável legal por este tema.

É certo que os grandes geradores, indústrias multinacionais, principalmente, tem em sua gestão corporativa a preocupação e o conhecimento técnico de como tratar a gestão e a redução dos impactos ambientais.

Meio ambiente é meio ambiente; gestão é gestão! Tratamos dos pequenos e tratamos dos grandes, mas especialmente gosto de falar aos pequenos geradores, porque esses precisam de ajuda.

Não vamos entrar no mérito de representatividade financeira, tributária ou percentual de empresas de pequeno e médio porte no Brasil. Mas é sabido que os pequenos geradores de resíduos têm rejeitos a destinar… E são muitos! E muitos também são os empresários e responsáveis por estas microempresas que não sabem como tratar a gestão de seus resíduos.

Já parou pra pensar em uma oficina mecânica, por exemplo? Na quantidade de resíduos que esta atividade produz? Filtros de diversos tipos e tamanhos, materiais de pintura, latas de tintas, embalagens de óleo, peças automotivas, pneus, trapos, uniformes contaminados, EPI’s usados, óleo lubrificante, caixa separadora que necessita de limpeza periódica e tantos outros.

Entende-se por resíduo toda e qualquer matéria que compõe o rejeito de um processo. Em uma oficina, por exemplo, tudo que não seja produto final pode ser considerado resíduo.

E eu sempre me pergunto se o responsável por essa empresa tem noção do potencial poluidor que sua atividade possui? Será que ele sabe sobre quais resíduos precisam de destinação? Ele sabe que há uma legislação ambiental que prevê essa destinação adequada? Questões mais simples… Ele tem licença ambiental? Ele sabe o que é condicionante de licença?

A gestão ambiental e o gerenciamento de resíduos deve ser baseado em ações preventivas; preferencialmente às ações corretivas e deve ter uma abordagem global. Ou seja, todos da equipe empresarial (diretoria, supervisão, operação, estagiários e até mesmo os clientes) devem estar cientes que os resíduos gerados e suas soluções estão determinados não apenas pelo setor produtivo (linha de frente) em si, mas também por setores mais “administrativos”. Todos são importantes para a redução do impacto ambiental e a gestão dos resíduos.

Treinamentos periódicos com toda a equipe, análises no setor de compras e operacional podem identificar aquisições desnecessárias de insumos e provavelmente desperdício no uso dos materiais que se tornarão resíduos.

Existe uma hierarquia na gestão dos resíduos sólidos, uma ordem de prioridade incluída também no art. 9º da Política Nacional de Resíduos Sólidos: Art. 9º Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

Após esgotadas as possibilidades de reaproveitamento e redução na geração de resíduos, os mesmos devem ser encaminhados para tratamento e destinação final adequados.

Quero aqui trazer a visão de que a gestão ambiental é extremamente importante em qualquer empresa que possui atividade potencialmente poluidora; E ela não serve só para controlar documentações, prazos, condicionantes, relatórios e disposição final de resíduos. Ela também é de suma importância para análise no uso racional dos recursos.

Comece agora mesmo a olhar os seus resíduos com um olhar mais clínico e perceba o potencial que a gestão de resíduos pode ter em seu negócio. Cada caso é um caso, entretanto, a experiência demonstra que introduzir uma cultura de treinamento, análises de gestão global e reduzir a geração de resíduos são uma ótima estratégia para manter a eficiência na gestão. E aí sim, se os resíduos tiverem de ser destinados, é possível reduzir os custos com destinação e valorizar os resíduos recicláveis.

A parte boa é que alguns desses resíduos podem ser commodities (matéria prima) para outras empresas. Já pensou, que coisa boa, o que não servir na sua operação ser vendido a outra empresa e lá ter utilidade?