redemoinho

no vagão do trem mistério
há um tele-entulho humano
índios, amarelos, pretos e mestiços
saem a caçar os sonhos no cimento

o sol amanhece cinza e morre preto
tijolo por tijolo
entre as vidraças dos prédios

o trem-mistério corre e corre
recebe gente que vai e que fica
leva os sonhos alheios à margem do rio

na tribo de prata residem os errantes
os alienados
os homens de cócoras em caminho à labuta

o verde esmiuça os olhos
e de tronco, são só as cabeças
os galhos das maletas
e o bosque artificial das palavras

o som, o chumbo, a pluma
a Grande Babilônia
superlotada
em ebulição
foi aterrada no
cimento.

    Rubens Fabricio Anzolin

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    Estudante de Cinema & Audiovisual e ex-estudante de Letras. Escreve sobre filmes.