redemoinho
Aug 31, 2018 · 1 min read
no vagão do trem mistério
há um tele-entulho humano
índios, amarelos, pretos e mestiços
saem a caçar os sonhos no cimento
o sol amanhece cinza e morre preto
tijolo por tijolo
entre as vidraças dos prédios
o trem-mistério corre e corre
recebe gente que vai e que fica
leva os sonhos alheios à margem do rio
na tribo de prata residem os errantes
os alienados
os homens de cócoras em caminho à labuta
o verde esmiuça os olhos
e de tronco, são só as cabeças
os galhos das maletas
e o bosque artificial das palavras
o som, o chumbo, a pluma
a Grande Babilônia
superlotada
em ebulição
foi aterrada no
cimento.
