Hei moça, não fale assim com você

Exercitando a autoempatia

“Nossa, eu sou muito idiota mesmo!” “Fiquei ridícula com essa roupa!!” Ai que ódio dessa barriga, queria cortar ela fora!!” “Sou tão burra, porque não aprendo nunca?!! Só faço m.”… Olá, meu nome é Rubia Sibele e provavelmente já pensei ou disse todas as frases acima em algum momento. 
E você?

Agora vou te pedir uma coisa. Imagine-se com uma de suas amigas mais queridas. Aí no meio de uma conversa você vira pra ela: — “Nossa, mas você é muito idiota mesmo!” “Você ficou ridícula com essa roupa!!” Ai que ódio dessa sua barriga, queria cortar ela fora!!” Você é tão burra, porque não aprende nunca?!!”. Eita. Não soa completamente diferente nas duas situações? E aí eu te pergunto: Por quê?

A verdade é que essas frases contêm agressividade e uma comunicação violenta. Mas é muito mais fácil perceber isso quando ouvimos FORA de nossas cabeças. Estamos tão acostumadas a falar de forma agressiva conosco mesmo que a coisa vai se naturalizando e vamos cauterizando a consciência. Então soa absurdo, babaca, escroto dizer coisas assim pra nossa amiga mas, para nós mesmas? Ah… normal né… 
Normal?!!

Temos diálogos internos o tempo todo, estando ou não consciente que eles estão lá, rolando em nossa inquieta cabecinha. Junto com nossas *crenças*, eles não apenas formam o coração de quem nós somos mas também explicam porque fazemos o que fazemos.

Quando mudamos conteúdo e qualidade dos nossos diálogos internos ganhamos poder pra mudar qualquer coisa na nossa vida. Pois é garota!! 
Por isso é tão importante falarmos mais sobre isso!

Eu comecei a perceber como me dirigia a mim mesma lá pelos vinte e poucos. O grande “clique” foi por causa de uma amiga. (Amigas tem superpoderes. ❤) Eu me xinguei raivosamente na frente dela: “-Nossa, eu sou muito idiota, muito estúpida mesmo!” Ela olhou pra mim com tristeza, indignação e afeto, tudo junto, e disse: “-Hei, não fala assim de você. Você não é não!” E fez algum elogio que não me recordo agora. E eu fiquei constrangida por ela se importar tanto.

É claro, eu já estava num caminho de construir minha autoestima. Então o que ela disse foi como uma flecha ao encontro dessa parte do meu coração que queria muito descobrir como era gostar de verdade de mim ou ao menos me sentir confortável na minha pele. Lembro que decidi tentar começar a me conscientizar, a “pegar no flagra” os momentos em que isso acontecia pra mudar a forma que eu me tratava.

E aí fui percebendo o quanto era rígida e impaciente comigo mesma. Eu me depreciava constamentente. Estava sempre me cobrando, pressionando além da conta, e era absolutamente impiedosa com cada pequeno erro que cometesse. Em suma: não era nada legal comigo. Pelo contrário, era quase uma Regina George de Meninas Malvadas, saca?

E sabe o mais bizarro? Não havia mais ninguém no mundo com quem eu fosse tão intolerante ou a quem eu tratasse tão mal. Pelo contrário, era a própria miss simpatia!! Tipo… WHAAAT??! Não parece que tem algo muito incoerente e estranho nisso aí?

Hoje vejo que esse comportamento não é incomum entre as mulheres. De sermos muito duras conosco e “boazinhas” com os outros. Tem sim tudo a ver com machismo, com estratégias de sobrevivência num mundo e num mercado de trabalho que dificulta de todas as formas nossa autonomia.

Então decidi fazer um acordo comigo mesma, uma estratégia para mudar meu hábito. Toda vez que me percebia sendo uma *bitch*, fazia questão de parar o que eu estava fazendo e pedir desculpas a mim mesma. E então… me perdoar. Hoje eu trabalho com Comunicação Não-Violenta, e agora sei que isso é um poderoso exercício de autoempatia. Mas na época, só segui minha intuição. Meu objetivo era principalmente não deixar a coisa passar em branco. Para que minha agressividade não se banalizasse e seguisse se naturalizando. 
E aí que o esquema começou a funcionar! o/

Com o tempo fui ficando cada vez menos tolerante com a minha falta de autorespeito e autocompaixão. E fui desenvolvendo um relacionamento muito mais saudável e empático comigo mesma. 
Percebi que precisava me tratar com dignidade e ter mais leveza nos tais diálogos internos. Especialmente quando eu fazia alguma cagada.(rs) Fui aprendendo a ser mais gentil. E a acolher e tentar compreender o que rolava com meus sentimentos, pensamentos e ações. E quando percebi estava me tornado uma boa “amiga-própria” (acabei de inventar isso! rs) O que foi fundamental! Porque me possibilitou, anos depois, quando meu corpo e saúde necessitaram, aprender a realmente me priorizar e cuidar de mim.

Conheço tantas mulheres com histórias parecidas. 
Porque desde crianças nós emulamos a forma que falam conosco e aprendemos com os que estão à nossa volta padrões para dialogar (ou não-dialogar) e resolver as coisas. E na imensa maioria dos casos, eles também não tiveram educação emocional alguma, e não fazem ideia de como ter uma comunicação não-violenta. Mas a boa notícia é: Se aprendemos, podemos desaprender. E aprender de outra forma.

Trate você mesma da mesma forma que você trata as suas amigas mais queridas.
 
Porque você merece respeito. Merece ser tratada com dignidade, gentileza, empatia. E sempre que possível, afeto. Começando por você mesma.
Falando nisso, dá aí um abracinho em você por mim?

Beijo, moça!
Me segue no Instagram pra mais papos! @rubiasibele