Um comentário sobre o The Outline puxando a brasa à minha sardinha

O The Wall Street Journal revelou hoje qual o novo projeto de Joshua Topolsky. Chama-se The Outline. Promete.

Quem é Joshua Topolsky? De forma ‘curta e grossa’ pode ser apresentado como o cofundador do The Verge — publicação que em apenas quatro anos tornou-se numa referência mundial do jornalismo tecnológico e também do jornalismo multimédia no geral — e mais recentemente foi responsável máximo pela estratégia digital da Bloomberg — o resultado do seu trabalho culminou noredesenho do site e da marca Bloomberg.

Isto para dizer que é uma pessoa que sabe o que faz. E possivelmente sabe o que diz. Gosto do que ele escreve porque reconheço-lhe qualidade, mérito e porque me revejo nas suas palavras.

Sabe-se pouco sobre o The Outline neste momento. Mas há uma frase do próprio Joshua que já define bem o projeto: “apenas estou interessado em fazer coisas interessantes para pessoas interessadas”.

Na minha opinião este não é apenas o mote daquele projeto. É o futuro dos meios de comunicação. E esta é a parte em que puxo a brasa à minha sardinha: é justamente isto que estamos a tentar fazer com o Future Behind.

Numa escala diferente, é certo — o The Outline já conta com um investimento de cinco milhões de dólares -, mas o objetivo é o mesmo, ou seja, apostar naqualidade dos conteúdos.

Neste texto Joshua Topolsky fala sobre a expectativa errada dos meios de comunicação em que alguma novidade tecnológica venha salvá-los das quebras de publicidade. Aquilo em que ele acredita, tal como eu, é que a solução não passa por uma invenção mágica, mas pelos conteúdos. O futuro do jornalismo vai sempre passar pelos conteúdos.

Numa altura em que existe uma produção quase sem filtro de conteúdos nos meios de comunicação online, aqueles que souberem apostar na qualidade serão os que vão ter melhores hipóteses de sobreviver. As pessoas estão fartas de ler as mesmas histórias em sítios diferentes — é isso que as leva a não terem uma fidelização com as publicações online.

Se lhes dermos histórias interessantes, diversificadas e próprias todos os dias, então esse valor vai ser reconhecido a médio e a longo prazo. A guerra entre os meios de comunicação será feita entre quem tiver os melhores conteúdos e as audiências mais interessadas, não o maior número de visualizações.

Alguns colegas já me disseram que os artigos publicados no Future Behind são extensos e que isso pode ser mau. Aceito as críticas e reconheço a jogada perigosa de apostar nos conteúdos de leitura longa na época dos artigos rápidos de dois parágrafos. Mas essa é também a única forma de contar histórias únicas, como quando fizemos com os três peritos em segurança informática que descobriram falhas na aplicação da Uber.

O mês de julho, que terminou ontem, acabou com 20 mil leitores únicos para o Future Behind. Não é mau para quem está a começar, mas estamos longe de estar satisfeitos. Por outro lado quando olhamos para o tempo de permanência dos leitores recorrentes do site — e que é superior a CINCO MINUTOS! — sabemos que há quem goste tanto de tecnologia como nós e que estamos a cumprir bem a nossa missão.

Não escrevo isto para me colar às palavras do Joshua e ir à boleia do seu ‘visionarismo’. Já tínhamos assumido claramente a nossa missão/visão no dia 1 de abril de 2016.

Sabemos que temos um caminho espinhoso pela frente, mas estamos convencidos de que este é o único caminho a seguir para o que queremos fazer com o nosso projeto: criar uma publicação de referência e uma comunidade participativa.

Se tiverem algo a acrescentar, contra ou a favor, sobre esta perspetiva, por favor partilhem, gosto sempre de uma boa conversa/discussão.

Vamos falando!

Rui | rui@futurebehind.com

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