Como liderar uma equipe e deixar um legado

Originalmente publicado em blog.runrun.it

“Não iremos atingir nosso potencial de líderes olhando só para o que é visível. Adotamos uma postura de liderança e esperamos que funcione, pela força de vontade. Infelizmente, não vai. Não funcionará enquanto não mudarmos o que há por debaixo das nossas atitudes: nossas crenças e mentalidades”. Essas são as palavras de Joanna Barsh e Johanne Lavoie, estudiosas de liderança da McKinsey & Company e autoras do livro Centered Leadership. Para aprendercomo liderar uma equipe, afirmam, você tem de entender que pensamentos e emoções te movem. E, para isso, propõem quatro exercícios, baseados num mergulho que você deve fazer na sua própria personalidade.

1. Reconheça o potencial dos outros

“É impressionante como nos focamos nas nossas limitações, na lacuna entre o que conseguimos fazer e o que consideramos ideal. Isso acontece com diversos executivos, que acabam cultivando a crença de que há pouquíssimas pessoas talentosas o bastante na empresa”, contam Joanna e Johanne. E com você, não acontece o mesmo? No fundo, é difícil reconhecer e apreciar outro ponto de vista além do seu? Se sim, tente o seguinte exercício:

Exercício: Encontre um lugar confortável, sem distrações. Conforme ler cada etapa do exercício, feche os olhos e respire tranquila e profundamente. Quando estiver pronto(a), retorne mentalmente para estes três momentos da sua vida:

a) Quando você era criança. De que jogos você mais gosta? Quando brinca, que personagens você escolhe e que papéis você interpreta? Alguma semelhança com sua profissão hoje?

b) Quando era adolescente. Que passatempos e atividades te deixam tão feliz que você nem vê a hora passar? O que isso diz sobre você?

c) Quando adulto. Volte para um ponto alto na sua carreira, nos últimos dois anos. Qual foi o impacto que você causou nas pessoas? E como isso impactou você?

Relembrando esses momentos, o que você mais valoriza em você? O que te encheria de orgulho se ouvisse seus colegas contando para outras pessoas? Esses são seus pontos fortes — aos quais você talvez não se atenta. Da mesma forma que você tem e havia se esquecido dos seus, as outras pessoas também apresentam potenciais, que podem até estar guardados, e podem surpreender você. Basta que elas tenham a chance de colocá-los em prática.

2. Aumente a transparência entre todos

Prazos impossíveis, orçamento apertado, clientes irritados, colegas insensíveis, chefes insensatos. Haja paciência e sangue frio para lidar com cada um desses problemas e ainda saber como liderar uma equipe no meio do turbilhão de estresse. O mais provável é que você queira jogar tudo para o alto e mudar de vida. Mas, enquanto isso não for possível — e já que desafios existem em todo emprego — melhor aprender a mudar de reação. Parar. Refletir. E assumir o controle. Criativamente. Aqui está o exercício para te ajudar a reagir assim.

Exercício: Busque na memória uma fala ou atitude que te chateou recentemente e ainda te magoa. Quando você não teve o melhor desempenho e sentiu vergonha, ou raiva, o coração acelerado, um nó na garganta, frio na barriga… Volte a esse momento. Por que isso afetou você? Pare por um momento e ache as respostas:

a) O que você pensa e sente, mas não expressa? De que consequências negativas você tem medo?

b) Quais seus valores mais importantes? E quais foram feridos na última vez que você se magoou?

c) Quais são suas necessidades básicas? Você está consciente dos seus desejos mais profundos?

d) Observe. As consequências que mais tememos, por vezes, nós mesmos criamos. Por exemplo, você tem medo de se descontrolar, e não tolera pessoas desequilibradas? Mas quando discute com sua equipe, ou critica alguém em público, você perde o controle. Era isso mesmo que você queria? Sabemos que não. Mas, então, o que você de fato queria ter feito, resgatando agora o momento que te chateou? Externalize isso. Diga, em alto e bom tom, para se ouvir.

Incentive sua equipe a fazer o mesmo. Compartilhem o que estão sentindo e pensando no início de cada reunião. Um projeto problemático? Um prazo irrealista? Uma crítica repetitiva de um cliente? Algo de errado que você viu, mas não se posicionou a respeito para evitar conflito? Isso só cria um ciclo vicioso de falta de atitude — algo que você também temia. Praticando a pausa e refletindo em grupo sobre os obstáculos que cada um está passando, a tendência é que a equipe se conheça melhor, e assim, se confie e coopere mais uns com os outros.

3. Ganhe a confiança do time

Uma das provas de fogo para verificar se uma pessoa sabe como liderar uma equipe é avaliar sua habilidade de transmitir credibilidade ao grupo. Pois, basta uma colocação infeliz durante uma reunião ou uma imposição feita sem diálogo, para a simpatia e a confiança do time em você estremecer. A saída? Aprender o que cada um mais valoriza e adaptar seu comportamento para oferecer isso. “Afinal, são nossas ações, e não as nossas intenções, que inspiram confiança nas pessoas”, escrevem Joanna e Johanne.

Exercício: Faça este teste para ver quais aspectos da confiança mais interessam a você. Para cada um deles, dê uma nota a si mesmo(a) de 1 (não tem a ver comigo) a 5 (representa o que eu sou):

a) Comprometimento. Não prometo o que não posso cumprir e faço questão de alinhar as expectativas, porque o combinado não sai caro.

b) Coerência. Meu discurso e minhas atitudes estão alinhados com o que eu penso e sinto de verdade.

c) Aceitação. Eu me contenho antes de julgar e criticar alguém e sei separar a pessoa do seu desempenho.

d) Franqueza. Eu comunico minhas intenções e falo abertamente sobre minhas limitações e preocupações.

As especialistas da McKinsey ilustram a importância desse exercício com o caso de um CEO de um grande banco que enfrentava uma atmosfera de agressividade, burocracia e desconfiança generalizada entre os líderes. Foi então que ele aplicou o teste para iniciar uma discussão sobre os problemas na cultura da empresa. Rapidamente, a equipe reconheceu que o foco do banco em indicadores de performance eram a fonte de toda a tensão, mas ninguém manifestava seu ponto de vista ou apontava uma alternativa.

“Quando você muda sua mentalidade de ‘pessoas confiáveis são raras’ para ‘eu sou capaz de inspirar praticamente todas elas a confiar mais em mim’, o jogo vira completamente” — Joanna e Johanne concluem.

4. Recupere-se da rotina exaustiva

Quem é que não gostaria de ser produtivo o tempo todo e ter um desempenho máximo sem esmorecer. Você provavelmente já ouviu alguém dizer — ou você mesmo(a) disse — que dormir é um desperdício de tempo. “No trabalho, esgotamento é muitas vezes confundido com comprometimento. Aquele conhecido que foi hospitalizado por estafa é tido como herói. Não poderia ser assim. Se aquela pessoa tivesse tido consciência e gerenciado seu tempo e energia, teria poupado esse tamanho desgaste”, ponderam as estudiosas.

Exercício: Tire 10min duas vezes por dia (de manhã e de tarde) para dar um passo atrás e recarregar as baterias. Leve em consideração os quatro pilares da sua saúde: físico, mental, emocional e o espiritual. Aqui vão alguns exemplos de atividades que você pode adotar:

a) Físico. Uma executiva brasileira corre alguns lances de escada — alguns a mais, quando está agitada ou irritada — e em seguida, caminha lentamente, se permitindo um tempo para refletir e se concentrar novamente. Já um certo gestor italiano prefere tomar seu rotineiro café indo até o lobby do prédio a ficar no andar onde trabalha.

b) Mental. Quando um CEO americano precisa repor as energias, ele se dirige até a mesa dos seus colaboradores para conversar e aprender algo novo com eles.

c) Emocional. O vice-presidente de uma empresa mexicana gosta de entrar em contato regularmente com alguns amigos e familiares para mandar mensagens de carinho e gratidão. Enquanto isso, um empreendedor sueco revisita uma pasta do seu e-mail onde guarda elogios, agradecimentos e cumprimentos.

d) Espiritual. Uma executiva de tecnologia se levanta da poltrona e vai até a janela, contemplar a natureza, em especial, um grande carvalho que há em frente.

E se você gostou da ideia e quer aplicá-la na sua equipe, saiba que é uma ótima solução para energizar o pessoal. O CFO de uma companhia aeroespacial, por exemplo, descobriu que a reunião semanal que ele convocava estava drenando e entediando todos. A saída que encontrou virou um sucesso: começar cada discussão pelas realizações mais notáveis da semana anterior e seus aprendizados. Não só a frequência subiu como também começaram a surgir ideias que a empresa poderia usar. “Eu finalmente sinto que sou um parceiro, e não um vigia da minha equipe”, ele comemora.

Como liderar uma equipe com democracia

O que te limita, o que te perturba, o que te magoa e o que te esgota. Tudo isso você pode descobrir levando a sério os exercícios propostos aqui. E para garantir que a sua equipe tenha o mesmo nível de autoconsciência que você, e surpreenda no desempenho, apresentamos a você a ideia de um gerenciador de tarefas. Conheça o Runrun.it — um sistema onde todo o trabalho é distribuído, priorizado e mensurado. Saiba em que seu time está trabalhando, quando as coisas serão entregues e quanto tudo está custando. Você reconhece quem merece, ajuda quem precisa e sabe exatamente que gastos consegue poupar. Teste grátis: http://runrun.it