Log #4: Tirando o atraso

Senta que lá vem história

Eduardo Emmerich
Aug 23, 2017 · 5 min read

Voltei com a newsletter (muito chique isso né?) cinco meses depois da última edição. Muita coisa aconteceu desde então, um mindinho quebrado (e já recuperado), mais de 90 horas de Persona 5 (pelo menos mais umas dez pela frente), participação no Big Festival, aprovação no curso de introdução ao Japonês ( ありがとうございます) e até visto pro Japão aprovado.


: : Aprendendo a fazer anotações melhores : :

Um dos hábitos que passei a ter desde o começo do ano foi tentar a sorte com o famigerado Bullet Journal, uma forma descolada de fazer anotações e te falar que olha...

SUPER TÁ FUNCIONADO PRA MIM, MIGA

Esse método de logar os acontecimento na minha vida têm me ajudado bastante na conscientização sobre o tempo que passa (o tempo voa, a poupança Bamerindus etc etc), principalmente a controlar aquela ansiedade de “caralho mermão, mais da metade do ano passou e o que eu fiz?” sabe?

Como eu gostaria que meu Bullet Journal fosse

Acho que o maior aprendizado que tive desde o começo do ano com esse método é me tornar mais disciplinado e não perder o foco no que eu realmente quero fazer e organizar melhor o tempo para dedicar esforço ao que é importante.

Quer saber mais sobre esse rolê? Dá um play abaixo e parte pro abraço


: : Disciplina : :

Ainda sobre disciplina, essa característica é uma que sempre admirei muito e almejo me tornar cada vez mais. Ser disciplinado não é algo natural pra mim e é um desafio mudar o comportamento e forma de pensar para ser mais estruturado e focado.

Na época que tentei ser youtuber (NAUM MIM JULGUEM! TODO MUNDO TEM UM PASSADO, VALEU?! ;-;), eu tinha uma “série” de vídeos que se chamava Pilha da Vergonha, nome daqueles itens que você compra por impulso e acaba nunca dando bola.

O objetivo maior por trás desse conteúdo era me ajudar a controlar um impulso consumista que adquiri durante um período não muito daora da minha vida. E foi muito bacana perceber que aprendi a lidar com esse aspecto quando terminei de ler Reality is Broken, da Jane McGonigal, livro que comprei, li umas cem páginas e ficou parado na minha estante juntando pó.

A pilha da vergonha ainda existe na minha vida (e não é pequena), mas tenho escalado ela lentamente, porque sei que não é algo que vou corrigir em um dia e sim um hábito que tenho que cultivar.

Pilhas digitais da vergonha

Enquanto estava escrevendo esse texto e refletindo meu progresso em diminuir minha pilha da vergonha física (livros e HQs encostados na estante), percebi que tenho também uma pilha da vergonha digital composta pelos textos salvos no Pocket e no Todoist pra “ler depois” e vídeos no youtube na famigerada lista “Assistir Mais Tarde NUM MAIS TARDE QUE NUNCA CHEGA”.

Dá medo de ver essa lista de artigos salvos para ler “depois”

Já melhorei em como lido com a ansiedade de “precisar” ler e ver tudo de relevante que está rolando, mas preciso exercer mais o desapego e aceitar que é impossível ficar em dia com tudo. Numa entrevista do Aziz Ansari para a GQ (super recomendo a segunda temporada de Master of None) ele manda a seguinte resposta para explicar o motivo porque deletou suas redes sociais e parou de acessar a internet.

Eu queria parar de chegar em casa e ficar olhando a internet por uma hora e meia, verificando se tem alguma coisa nova.

A insegurança é parte de mim(tenho trabalhado para lidar melhor com esse aspecto), mas enxergo que a necessidade exagerada de se atualizar e manter informado está diretamente ligada com minha inexperiência criativa profissional, especificamente no desenvolvimento de jogos. Felizmente, desde que me juntei à Loud Noises, essa ansiedade tem melhorado gradativamente.


: : Sobre o processo criativo: :

Por falar em jogos, super recomendo esse artigo escrito pelo Sean Vanaman, um dos fundadores da Campo Santo, estúdio independente que lançou o Firewatch (trailer de lançamento abaixo).

Nesse artigo, Vanaman discorre sobre o processo criativo da Campo Santo e mais especificamente na resposta para um email perguntando ao desenvolvedor como lidar com a expectativa e pressão em criar um produto de entretenimento.

Quando você lançou um jogo e pensou “nossa, isso está bem mais polido do que precisava?” Eu normalmente estou feliz por não ser um malware.

Algumas partes desse texto me chamaram bastante a atenção principalmente pelo momento em que a Loud Noises se encontra, onde estamos trabalhando em um projeto há um bom tempo (mais de dois anos) sem ver a luz no fim do túnel de quanto essa maratona vai acabar e o jogo finalmente será lançado.

As chances são que a sua coisa será lançada e vai fracassar — nos sentimos assim com Firewatch — não porque achamos que o jogo era ruim, mas sim porque 95% dos jogos fracassam. Essa é a vida. É assim com filmes, livros, com tudo.

Foi estranhamente reconfortante ler a citação acima.

Quem quiser ficar por dentro dos projetos da Loud Noises, recomendo seguir a Glitch Gazette, publicação criada em janeiro de 2017 com o objetivo de compartilhar o que tem rolado ~nos bastidores~ da nossa gangue.

Esse artigo resumindo os seis meses de trabalho antes do BIG Festival deu um trabalhão pra fazer, mas é de longe o texto sobre games que mais me orgulho de ter publicado nos últimos anos.

Além de participar da equipe discutindo os jogos que estamos fazendo, fico feliz em continuar publicando ~matérias jornalísticas~ (SQN), mas agora do ponto de vista de quem está criando.


Pra fechar a recomendação de textos, a Aline Valek mandou umas verdades na newsletter dela que meo a migo, ressonou forte com o momento que estou vivendo.

O inverno pessoal invariavelmente vem. Em vez do desespero por não podermos ser tão produtivos porque está nevando do lado de fora, podemos aproveitar o que esse tempo tem para nos oferecer. Organizar a mente, reduzir o ritmo, planejar, ter a chance de respirar, olhar para o cenário e ver o que podemos fazer de diferente.


É isso aí, galera. O vídeo de hoje fica por aqui. Não se esqueçam de assinar o canal e dar aquelas 👏 (palmas) bacaninhas.

Log #3: Enquanto isso, na Sala de Justiça…

Log #2: Arrumando a bagunça

Log #1: Então é Natal… (ou quase isso)

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Eduardo Emmerich

Written by

Awkward kid. Electrical Engineer. Narrative Designer @loudnoisesgames. I write about #Hearthstone sometimes

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