
Voltei com a newsletter (muito chique isso né?) cinco meses depois da última edição. Muita coisa aconteceu desde então, um mindinho quebrado (e já recuperado), mais de 90 horas de Persona 5 (pelo menos mais umas dez pela frente), participação no Big Festival, aprovação no curso de introdução ao Japonês ( ありがとうございます) e até visto pro Japão aprovado.
: : Aprendendo a fazer anotações melhores : :
Um dos hábitos que passei a ter desde o começo do ano foi tentar a sorte com o famigerado Bullet Journal, uma forma descolada de fazer anotações e te falar que olha...
SUPER TÁ FUNCIONADO PRA MIM, MIGA
Esse método de logar os acontecimento na minha vida têm me ajudado bastante na conscientização sobre o tempo que passa (o tempo voa, a poupança Bamerindus etc etc), principalmente a controlar aquela ansiedade de “caralho mermão, mais da metade do ano passou e o que eu fiz?” sabe?

Acho que o maior aprendizado que tive desde o começo do ano com esse método é me tornar mais disciplinado e não perder o foco no que eu realmente quero fazer e organizar melhor o tempo para dedicar esforço ao que é importante.
Quer saber mais sobre esse rolê? Dá um play abaixo e parte pro abraço
: : Disciplina : :
Ainda sobre disciplina, essa característica é uma que sempre admirei muito e almejo me tornar cada vez mais. Ser disciplinado não é algo natural pra mim e é um desafio mudar o comportamento e forma de pensar para ser mais estruturado e focado.
Na época que tentei ser youtuber (NAUM MIM JULGUEM! TODO MUNDO TEM UM PASSADO, VALEU?! ;-;), eu tinha uma “série” de vídeos que se chamava Pilha da Vergonha, nome daqueles itens que você compra por impulso e acaba nunca dando bola.
O objetivo maior por trás desse conteúdo era me ajudar a controlar um impulso consumista que adquiri durante um período não muito daora da minha vida. E foi muito bacana perceber que aprendi a lidar com esse aspecto quando terminei de ler Reality is Broken, da Jane McGonigal, livro que comprei, li umas cem páginas e ficou parado na minha estante juntando pó.
A pilha da vergonha ainda existe na minha vida (e não é pequena), mas tenho escalado ela lentamente, porque sei que não é algo que vou corrigir em um dia e sim um hábito que tenho que cultivar.
Pilhas digitais da vergonha
Enquanto estava escrevendo esse texto e refletindo meu progresso em diminuir minha pilha da vergonha física (livros e HQs encostados na estante), percebi que tenho também uma pilha da vergonha digital composta pelos textos salvos no Pocket e no Todoist pra “ler depois” e vídeos no youtube na famigerada lista “Assistir Mais Tarde NUM MAIS TARDE QUE NUNCA CHEGA”.

Já melhorei em como lido com a ansiedade de “precisar” ler e ver tudo de relevante que está rolando, mas preciso exercer mais o desapego e aceitar que é impossível ficar em dia com tudo. Numa entrevista do Aziz Ansari para a GQ (super recomendo a segunda temporada de Master of None) ele manda a seguinte resposta para explicar o motivo porque deletou suas redes sociais e parou de acessar a internet.
Eu queria parar de chegar em casa e ficar olhando a internet por uma hora e meia, verificando se tem alguma coisa nova.
A insegurança é parte de mim(tenho trabalhado para lidar melhor com esse aspecto), mas enxergo que a necessidade exagerada de se atualizar e manter informado está diretamente ligada com minha inexperiência criativa profissional, especificamente no desenvolvimento de jogos. Felizmente, desde que me juntei à Loud Noises, essa ansiedade tem melhorado gradativamente.
: : Sobre o processo criativo: :
Por falar em jogos, super recomendo esse artigo escrito pelo Sean Vanaman, um dos fundadores da Campo Santo, estúdio independente que lançou o Firewatch (trailer de lançamento abaixo).
Nesse artigo, Vanaman discorre sobre o processo criativo da Campo Santo e mais especificamente na resposta para um email perguntando ao desenvolvedor como lidar com a expectativa e pressão em criar um produto de entretenimento.
Quando você lançou um jogo e pensou “nossa, isso está bem mais polido do que precisava?” Eu normalmente estou feliz por não ser um malware.
Algumas partes desse texto me chamaram bastante a atenção principalmente pelo momento em que a Loud Noises se encontra, onde estamos trabalhando em um projeto há um bom tempo (mais de dois anos) sem ver a luz no fim do túnel de quanto essa maratona vai acabar e o jogo finalmente será lançado.
As chances são que a sua coisa será lançada e vai fracassar — nos sentimos assim com Firewatch — não porque achamos que o jogo era ruim, mas sim porque 95% dos jogos fracassam. Essa é a vida. É assim com filmes, livros, com tudo.
Foi estranhamente reconfortante ler a citação acima.
Quem quiser ficar por dentro dos projetos da Loud Noises, recomendo seguir a Glitch Gazette, publicação criada em janeiro de 2017 com o objetivo de compartilhar o que tem rolado ~nos bastidores~ da nossa gangue.
Esse artigo resumindo os seis meses de trabalho antes do BIG Festival deu um trabalhão pra fazer, mas é de longe o texto sobre games que mais me orgulho de ter publicado nos últimos anos.
Além de participar da equipe discutindo os jogos que estamos fazendo, fico feliz em continuar publicando ~matérias jornalísticas~ (SQN), mas agora do ponto de vista de quem está criando.

Pra fechar a recomendação de textos, a Aline Valek mandou umas verdades na newsletter dela que meo a migo, ressonou forte com o momento que estou vivendo.
O inverno pessoal invariavelmente vem. Em vez do desespero por não podermos ser tão produtivos porque está nevando do lado de fora, podemos aproveitar o que esse tempo tem para nos oferecer. Organizar a mente, reduzir o ritmo, planejar, ter a chance de respirar, olhar para o cenário e ver o que podemos fazer de diferente.
