“Você está traçando a secretária, né?”

Trabalhei em diversas gráfica e estúdios. Na maioria deles sempre teve uma secretária/atendente/telefonista e, como a beleza e simpatia são ingredientes imprescindíveis para a ocupante deste cargo, sempre desperta desejo e fantasias. Em uma pesquisa que li há alguns anos atrás, apontavam como secretárias e executivos como as profissões líderes no que se trata em trair os parceiros e, isso se deve àquela estória de que o chefe escolhe sua secretária a dedo, pois ela será quem cuida dele e de seu negócio (business, parça).

No meu caso, nunca fui chefe e no máximo que consegui foi ser Planejador e Controlador de Produção em duas gráficas (sendo que me arrependo por ganhar dinheiro fazendo palhaçadas e previsão de término de trabalhos) e por menos de 1 mês fui dono de minha própria agência de webdesign — só que acabei contratado pela gráfica que estou agora.

No estúdio de design que trabalhei, conheci a primeira protagonista dessa estória e o que mais chamava atenção era passar dos 1,80m, olhos verdes e cabelos castanho claro. Era bonita, apenas. Mas, a maioria sentia desejo em ter aquela mulher em sua cama. Menos eu… Afinal de contas, eu já tinha uma mulher na minha cama.

Nosso convívio diário era repleto de estórias e, como grande palhaço que sou, ela sempre ria junto comigo. Nessas que sempre arranjavamos um lugar diferente para almoçar e passávamos o tempo todo juntos. Não demorou muito para me perguntarem se eu não estava saindo com ela depois do serviço e já tinha transado com ela. A partir desse momento eu comecei a ser amaldiçoado, com algo que seguiria por muito tempo na minha vida. Pelo fato de termos compartilhado segredos e experiências de vida durante anos, jamais teria despertado desejo por ela. Mas, depois do que disse paragrafos acima, um dos sócios da empresa resolveu investir nela para magoar seus sentimentos e conseguiu. Fiquei triste por ela partir, mas não pensei duas vezes em deletar a pasta das músicas do Calypso que ela curtia.

Depois fui para uma gráfica rápida de renome internacional, onde fiquei 9 meses até a crise de 2009 me derrubar (ou um funcionário de nome Gesse Rodrigues me tirar do emprego pela primeira vez, por uma birra que não sei onde surgiu). Lá não tínhamos de fato uma secretária, pois a metodologia de trabalho era baseada nos vendedores internos para atendimento de clientes no balcão e via telefone. Mas… tinha uma garota evangélica que tomava conta do financeiro e, ela seria quem eu deveria ter transado (segundo algumas pessoas de lá), afinal de contas eu estava solteiro naquela época. Só que, jamais eu ficaria com uma pessoa para apenas transar — e ter que encarar no trabalho de forma ríspida. Confesso que tratava ela de uma forma mais carinhosa, mas nunca fomos próximos.

De lá eu fui para o lugar mais fedorento a sexo que já trabalhei em vida. Uma gráfica em Alphaville que depois se mudou para Santana de Parnaíba e onde tive até mesmo uma briga judicial trabalhista. Quando entrei, meu primeiro contato foi com Veronika, uma garota bem comum, alta, cabelos e olhos escuros e magra. Ela que me apresentava os restaurantes e lugares bons para comer lanches, etc. e de fato era alguém que eu passava praticamente o dia todo, junto com um impressor e um designer. Mas, ela tinha um admirador profundo, que era o operador de guilhotina (um cidadão afrodescendente, mirrado mas marrudo, que sentia o rei na barriga por ter fundado a empresa junto com um dos sócios) que tinha um ciúmes de mim com ela. Mas, nessa época eu já tinha minha secretária, que foi a mulher que casei.

Haviam boatos que essa secretária da gráfica tinha um relacionamento com um dos donos e, justo o mais velho que beirava seus 60 anos. Nunca vi nada e o que vi era que ela odiava ele… Se era um disfarce, era muito bem feito. Depois de alguns meses trabalhando juntos, Veronika foi demitida e, para seu lugar foi chamada uma japonesa que gostava muito da era do Tio Bob da Jamaica. Já que eu conhecia vários lugares em Alphaville que serviam comida boa e barata, eu sempre ia almoçar com a japa. E advinhem o que aconteceu? Sim, chegou um dos sócios da empresa e falou pra mim: “Ae, você mal terminou de comer a Vê e já está comendo a Japa! Você é o cara!”. Pootz, isso foi foda de ouvir, pois senti que isso já existia boatos sobre eu transar com uma e agora eu estava transando com outra! Quanta baboseira…

Mas, a japonesa não deu conta do recado (de ser secretária, por favor!) e acabou sendo demitida dias antes da mudança de Alphaville para Santana de Parnaíba, pois a garota fica com sono o dia todo, passava mal, se vestia totalmente informal e, claro, tinha um cheiro de erva.

Para seu lugar, contrataram um morena de mais de 1,90m, com um sorriso contagiante, magra e muito simpática. Com ela convivi os últimos meses naquela empresa, onde sempre almoçavamos juntos e até mesmo a ensinei como comer yakissoba com os famigerados hashi (palitinhos). E então vieram comentários sobre transar com uma mulher negra, mulher alta, etc.

Quando saí dessa gráfica santa, fui para a que estou agora e, aqui eu tive como companheira de longa data uma loirinha, baixinha e, sem dúvidas, a mais simpática e contagiante pessoa que convivi. Sendo que, quando ela saiu foi muito comovente para várias pessoas de comércio próximo a esta gráfica e até hoje ainda me perguntam dela. Mas, para me vacinar contra tudo e todos que comentassem coisas más, eu adotei uma técnica diferente: quando saímos juntos para almoçar ou mesmo tomar café, eu dizia que ela era minha irmã, só que de uma mãe diferente! E isso pegou tanto, que várias pessoas me perguntam como anda minha irmã loira e outros ainda me chamavam de cunhado (claro né?). Mas, essa minha secretária companheira já vivia com uma cruz que carregou por muito tempo e me fez lembrar da Veronika: possuía um operador de guilhotina fascinado e obsecado por ela. E foi isso que a fez sair do emprego, pois era tão humilhante que não pode fazer nada do que desaparecer e amaldiçoar aquela pessoa que a fez tão infeliz e desgostosa no serviço. Entretanto, encontro várias pessoas que dizem que ela era uma garota de sorriso fácil, amiga e simpática, que vão levar no coração para sempre.

Quanto a secretária que casei… Bom, ela se formou em Engenharia Civil e deixou de ser secretária! Logo, eu não poderia seguir minha vida sem uma pessoa que me admirasse e fosse companheira nas minhas horas de almoço diário… Que compatilhasse comigo segredos e eu conseguisse fazer rir com todas as palhaçadas que eu faço. E, hoje eu me dou conta que ao invés de uma pessoa para deitar numa cama e ter uma noite de sexo, eu prefiro MIL VEZES uma pessoa para almoçar comigo e dar altas risadas.

Afinal de contas, a minha vida, às vezes, é muito mais legal na imaginação dos outros

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