Entrevista a Vítor Nuno Correia Dias

Vítor Nuno Correia Dias é licenciado em Ciências do Desporto e mestre em Educação Física pela Faculdade de Ciências do Desporto da Universidade de Coimbra. Foi professor de Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) durante três anos.

Atualmente ocupa os cargos de auxiliar, no Colégio Bissaya Barreto e de treinador da Associação Académica de Coimbra (Organismo Autónomo de Futebol), de escalões de iniciação, onde permanece há seis anos.

Marquei presença na Academia Briosa XXI, onde falei com o atual treinador dos Benjamins A. Este escalão apresenta crianças com idades compreendidas entre os sete e os nove anos.

Deste modo, procurei saber qual o método utilizado para a concretização dos objetivos de cada época sem abdicar da felicidade das mesmas, quais os valores que procura transmitir-lhes e de que forma os ajuda a crescer enquanto seres humanos.

RC: Mais do que ensinar a tática ou técnica, devem formar-se personalidades. Concorda com esta afirmação?

VD: Sim. Não devemos esquecer-nos que estamos a lidar com crianças e que é desde cedo que elas começam a aprender valores.

RC: Quais os valores que na sua opinião devem ser transmitidos a estas crianças? São esses os valores que lhes transmite?

VD: Tentamos transmitir-lhes muitos valores, não dando mais importância a uns do que a outros. Desde a entre ajuda, o companheirismo, a solidariedade, o respeito mútuo, a resiliência.

“Temos consciência de que estamos a preparar o futuro. E não conseguindo adivinhar porque não somos mágicos, os conselhos que lhes damos é que dêem o seu máximo e aproveitem, pois há muitos meninos que gostavam de estar no lugar deles. Tentamos também dar conselhos em relação à escola e estar o máximo próximo deles possível para os ajudar.”

RC: Tenta incutir-lhes aprendizagens que lhes possam vir a ser úteis no futuro?

VD: Sim. Tanto no futebol, como na escola, como na vida.

RC: Há quem acredite que para se ser jogador de futebol é preciso nascer com esse “dom”. O que acha acerca disso?

VD: Ajuda! (risos) Mas acredito que com trabalho e esforço, mais cedo ou mais tarde, conseguimos. Pode demorar mais tempo ou não ser com tanta facilidade, mas chega-se lá. Basta querer, trabalhar!

RC: Acredita que um profissional pode ser fruto de um trabalho árduo, uma enorme dedicação e uma grande motivação?

VD: Acredito. Não há uma receita única, há uma série de ingredientes que são necessários e esses não podem faltar.

RC: Muitos dos miúdos que acompanha hoje podem vir a ser jogadores profissionais um dia. Que conselhos lhes dá enquanto jogadores e enquanto pessoas?

VD: Temos consciência de que estamos a preparar o futuro. E não conseguindo adivinhar porque não somos mágicos, os conselhos que lhes damos é que dêem o seu máximo e aproveitem, pois há muitos meninos que gostavam de estar no lugar deles. Tentamos também dar conselhos em relação à escola e estar o máximo próximo deles possível para os ajudar.

RC: Que método utiliza para concretizar os objetivos de cada época sem abdicar da felicidade e bem estar destas crianças?

VD: Tentar dar a mesma oportunidade a todos. Todos terem o mesmo número de convocatórias, todos irem ao mesmo número de torneios, todos jogarem mais ou menos o mesmo tempo e todos serem capitão pelo menos uma vez. Sabemos que é difícil porque são muitos meninos mas tentamos homogeneizar as coisas dessa maneira.

“O mais importante é que aprendam a respeitar os outros e a si próprios. A trabalhar pelas oportunidades, a esperar por elas e depois saber aproveitá-las.”

RC: Coloca expectativas nestas crianças? De que forma?

VD: Aquilo que eles querem é ser jogadores de futebol e o que lhes dizemos é que para o serem têm de trabalhar. Por isso, espero que eles dêem o seu melhor e o que precisarem, estarei cá para os ajudar.

RC: O que sente e como se sente a trabalhar com estes miúdos?

VD: Sinto-me realizado. É um trabalho árduo mas muito gratificante. Já acompanho este grupo há cinco, seis anos e ver o que eles eram, quer como jogadores quer como pessoas, e o que são agora… às vezes, mesmo quando estou fora daqui, estou sempre a pensar nisto e neles.

RC: Sente que tem a aprender com eles?

VD: Sim, diariamente, aprendemos muito. Tanto nos treinos como nas questões sociais. Tanto eles aprendem comigo, como eu com eles.

RC: O que considera fundamental para que estas crianças evoluam enquanto seres humanos?

VD: O mais importante é que aprendam a respeitar os outros e a si próprios. A trabalhar pelas oportunidades, a esperar por elas e depois saber aproveitá-las.

RC: Se fosse pai de algum deles, que trabalho gostaria de ver ser feito com o seu filho?

VD: Gostava que ele estivesse na Académica e nesse caso eu tinha a certeza que ele estava bem entregue.

RC: Pretende manter-se neste escalão ou ambiciona subir?

VD: Eu já tive a oportunidade de trabalhar com alguns escalões a cima, simultaneamente com este, mas este é aquele que me deixa mais realizado. Esta é a faixa etária com a qual gosto mais de trabalhar.

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