Estaremos a avaliar demasiado as nossas crianças?

“Os adultos de referência têm de as orientar, mas orientar não é julgar ou avaliar.”

A psicóloga Diana Gaspar afirma que cada vez mais as crianças crescem a ser avaliadas em todos os aspetos da vida. Principalmente em dimensões como a escola e os tempos livres.

Diana Gaspar possui uma licenciatura em psicologia clínica pela Universidade do Porto. Tem também formações em terapia familiar, terapia de casal e psicologia positiva.

Diana mostra-se contra o método utilizado nas escolas em que os alunos são avaliados através de bolas de várias cores, onde o vermelho remete para os maus comportamentos e o verde para os bons comportamentos.

Afirmando que “nenhuma criança que está bem (e não tem problemas) se porta mal!”

Para a psicóloga “o mau comportamento é o rosto de um problema”.

“Se eu estiver só a avaliar aquilo que está mal e a relembrá-lo, não estou a curar o problema, estou a tapar a ferida”, lembra a psicóloga.

Quando se procura mudar o comportamento da criança, “mais do que a criança mudar pela recompensa, a criança deve mudar porque sente necessidade de mudar”, confirma.

“Não se deve pedir a um miúdo que coma a sopa, por exemplo, dizendo que no fim terá isto ou aquilo”, diz Diana Gaspar.

“A criança cresce constantemente a ser avaliada. Mas não o pode ser. Estar espontânea e livremente sem o olhar de julgamento, para o bem e para o mal, é saudável”, afirmando que isto é pouco tido em conta.

No ano de 2011 esta era já uma realidade reportada

Em declarações ao Expresso, Fernando Glória demonstrou também esta preocupação. O professor de educação musical reitera que existem pais que não aceitam as limitações dos filhos.

O professor afirma que se percebe quando um miúdo é pressionado pelos progenitores, uma vez que quando chega à altura das avaliações este tende a ficar nervoso, por ter medo da reação dos mesmos.

Com esta postura, muitos pais “acabam por ir à escola questionar os professores sobre o porquê de os filhos não terem melhores notas (…)”, confidencia Fernando Glória.

Também Marta Gautier deu ao Expresso uma explicação para este fenómeno de projeção excessiva de ambições nas crianças, dizendo que “os pais acabam por ver os filhos como prolongamento de si próprios e não como seres individuais”.

A psicóloga e especialista em relações familiares acredita que muitas vezes o que os progenitores querem é que os filhos façam ou sejam melhor do que eles fazem ou são para que “certas dificuldades” possam ser “colmatadas”, lê-se no artigo do Expresso.

Estar presente em quantidade desejável é importante mas “é igualmente importante os pais colocarem-se no lugar dos filhos para perceber como se sentiriam ao ser avaliados de forma sistemática nos mais diversos contextos”, esclarece a psicóloga Diana Gaspar.

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