“Parece que estão a morrer!”

Do que se esquecem os pais que lançam frases como “Joguem à bola!” ou “Vêm os pais gastar dinheiro para quê? Vocês andam aí parece que estão a morrer!”, num momento de diversão e aprendizagem dos filhos?

Esquecem-se que “o ‘bom’ é quando “os pais não exercem demasiada pressão sobre as carreiras desportivas deles”.

As crianças precisam de espaço, de tempo e de paciência. Espaço para agir, tempo para aprender e paciência para que não se cansem mesmo antes de começar.

Numa entrevista a crianças com idades entre os cinco e os oito anos, a resposta à pergunta “por que é que gostas de jogar futebol?” para eles é simples. (Respostas na íntegra aqui: https://goo.gl/ZSzY82)

“Gosto porque me divirto e porque tenho os meus amigos a jogar”, afirma V.

Mas quando muda para “o que é que os teus pais te dizem depois de te verem jogar?”, a reflexão é notória.

“Dizem… corrigem-me coisas… e… é mais o meu pai… e… pronto”, remata.

A felicidade que os mais jovens sentem a jogar futebol é genuína. A competição e a vontade de ser melhor ou igual a x ou y não entram nos motivos por que praticam a modalidade.

Eles sentem, mas os pais não sabem

Pais, porque insistem em preocupar-se com as vitórias se o que as crianças querem é ser felizes a jogar à bola?

“Estou com pessoas que me fazem jogar feliz e aprendo a fazer uma coisa que gosto”, diz X.

E a resposta à pergunta difícil chega de novo.

“Dizem se joguei mal. Também… começam a corrigir o que faço mal… mas há algumas coisas que eles dizem que eu não ligo muito”, esclarece.

E podíamos continuar…

As crianças são claras neste aspeto. Não há nada mais motivador, mais divertido e fonte de enriquecimento e aprendizagem que jogar futebol com uma dose moderada de competitividade e brincadeira.

As “exigências chegarão a seu tempo”. Até lá, os atletas precisam de “apoio”, segundo Rui Gomes.

Pais moderados precisam-se

“O papel dos pais (no futebol) é uma espécie de moeda com dois lados, em que de um lado temos o ‘bom’ e do outro o ‘evitável’”, afirma.
Rui Gomes, docente na Universidade do Minho / Foto: Jornal online “UMINHO”

“Será que existe um nível de envolvimento ótimo e desejável por parte dos pais na atividade desportiva dos seus filhos?” Rui Gomes questiona.

O professor e investigador responde. O papel dos pais é “uma espécie de moeda com dois lados”, em que de um lado temos o “bom” e do outro o "evitável".

O evitável é constituído pela “pressão parental e o receio por parte dos atletas acerca das avaliações negativas” e é sinónimo de “um dos problemas que mais lhes geram ansiedade antes de iniciarem uma determinada competição”, afirma o professor da Universidade do Minho.

Em casos extremos esta pressão pode provocar “burnout”, ou seja, o estado de esgotamento físico e mental dos atletas.

O “bom”, pelo contrário, é quando “os pais não exercem demasiada pressão sobre as carreiras desportivas (dos filhos)” e “apresentam mais comportamentos positivos face aos filhos e maiores índices
de apoio na atividade desportiva”.

Nestes casos, os jovens atletas “demonstram maiores níveis de divertimento e prazer na actividade 
desportiva.”

Relação entre pais e filhos

“Ao acentuarmos a importância das atitudes e comportamentos positivos na relação entre pais e
filhos no desporto, isto significa que este processo pode ser sempre melhorado ao longo do tempo”, propõe o investigador.

As atitudes e comportamentos positivos na relação entre pais e
filhos no desporto é importante.

Isto implica um processo que, segundo o investigador, “pode ser sempre melhorado ao longo do tempo e modificado face às novas exigências com que os atletas se vão deparando.”

Num artigo acerca da relação entre pais e filhos, Rui Gomes levanta algumas questões para os pais.

Estas tratam a “forma como os pais podem acompanhar e participar na carreira desportiva dos jovens, contribuir para melhorar a vivência do desporto” e possibilitar que eles aprendem com o desporto a serem mais responsáveis e felizes”, declara o investigador.

São sete as questões que se encontram no artigo.

Há confiança no treinador por parte dos pais? Os progenitores são capazes de admitir que não sabem tudo? De festejar os triunfos do filho? De aceitar as limitações do mesmo? De mostrar auto-controle? Serão capazes de dedicar algum tempo ao seu filho e aceitar as suas decisões?

Presume-se que com a leitura os pais reflitam sobre o seu papel.

Para o investigador estes devem perceber que “o filho não tem de ser o melhor” independentemente dos “resultados desportivos”.

Demonstrar que “continuam a gostar dele e não estão desiludidos” é fundamental, pode ler-se.

[Suporte recomendado para a leitura: computador]