Tem estes comportamentos? Saiba que está a prejudicar o seu filho

Já todos ouvimos falar em “treinadores de bancada”. A expressão informal que remete para pais que em contexto desportivo substituiriam os treinadores e comandariam eles a equipa do filho se pudessem.

Criticar a prestação do filho, dos colegas, dos adversários, dar constantemente indicações aos jogadores e ao treinador, insultar os árbitros, exaltar-se; estes são alguns dos comportamentos que, por razões ainda em estudo, os pais adotam na bancada.

A resposta à pergunta: porque é que os pais adotam este tipo de comportamentos? não é fácil.

Para Hugo Sarmento “os pais tendem a projetar nos filhos aquilo que não foram e gostavam de ter sido”. Isabel Dias defende que “muitas vezes é por insegurança ou medo da avaliação social”.

Hugo Sarmento, professor na Faculdade de Desporto da Universidade de Coimbra. Foto: Rute Cunha

Hugo Sarmento é licenciado em Ciências do Desporto e Educação Física pela Universidade de Coimbra.

Mestre em Treino de Alto Rendimento pela Universidade do Porto e doutor em Ciências do Desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Possui um pós-doutoramento em Ciências do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana.

Foi treinador do campeonato nacional de seniores em clubes da região de Coimbra e acompanhou durante quatro anos escalões sub-10 e sub-13 na Academia do Sporting.

Atualmente é professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

“Qualquer comportamento negativo e de intervenção excessiva cria aos atletas um transtorno e baralha-lhes a compreensão de quem são os seus adultos de referência nos vários contextos”, afirma o professor. Pelo contrário, a presença dos pais é “benéfica” se for “regular e moderada”.

Papel dos pais

Enquanto ex-treinador reconhece que os atletas apreciam muito a presença e o apoio dos pais, mas é preciso lembrar que o papel dos progenitores é apenas um papel de presença e de suporte.

“Um pai não tem de estar sempre a dizer ao filho que ele jogou bem, quando ele jogou mal. O filho também percebe isso. Se o pai der uma perspetiva correta de qual foi o seu desempenho, ele sentir-se-à motivado a continuar por sentir a confiança dos pais”, declara o ex-treinador. (entrevista completa aqui: http://goo.gl/ZSzY82)

E estes devem lembrar-se que “mais do que a performance desportiva, o importante é praticar desporto, respeitar os colegas, os adversários, o árbitro e o treinador”. “Foncando-se neste aspeto os pais serão capazes de transmitir aos filhos uma perspetiva correta daquilo que foi a sua prestação dentro do campo”, reconhece.

Isabel Dias acredita que para compreender o seu papel “os pais precisam de saber o que é que tem sentido para as crianças, conhecer a razão pela qual praticam desporto e procurar saber qual o tipo de comportamento que as crianças atletas gostavam que eles adotassem”.

Maria Isabel Pinto Simões Dias, professora da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e psicóloga. Foto: Rute Cunha

Isabel Dias possui duas licenciaturas, a primeira em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra e a segunda em Psicologia do Desporto e Atividade Física pela Universidade do Minho.

É mestre em Psicologia Pedagógica pela Universidade Coimbra.

E doutorada em Psicologia pela Universidade de Aveiro.

Na atualidade é professora de Psicologia de Desporto da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) em Leiria.

“Será que os filhos praticam desporto pelos motivos que os pais pensam que são ou tentaram alguma vez escutar as crianças para ouvir os seus motivos?”

Quando os comportamentos são inadequados

É importante ter especial cuidado com os comportamentos adotados no contexto desportivo. E o dobro do cuidado nos escalões infantis, uma vez que em idades inferiores “as crianças ainda não têm a capacidade cognitiva suficiente para saber que embora os pais façam, aquilo não é correto”, reitera.

“Quando vemos uma pessoa que é importante para nós ter comportamentos inadequados, isso não nos faz sentir bem. Cria-nos embaraço, vergonha e relutância em querer estar com aquela pessoa naquele contexto.”

Estas foram as palavras da psicóloga, que nos assegura: “estas vivências podem acarretar emoções negativas e criar problemas às crianças”.

Se a adoção de comportamentos incorretos for pontual e houver uma conversa com o atleta, estes vão-se diluindo. Se for sistemática, a probabilidade de obter impacto negativo é maior.

A intervenção

Hugo Sarmento e Isabel Dias acreditam que a intervenção está e pode continuar a ser feita para evitar este fenómeno.

A professora e psicóloga Isabel Dias defende uma “intervenção conjunta” que depende da “filosofia de cada organização”. Onde “os treinadores têm de saber trabalhar com os pais e com outros técnicos para em conjunto encontrar estratégias para ajudar os atletas, as famílias e assim gerir esta situações”.

O professor e ex-treinador Hugo Sarmento reconhece que tem sido feitas intervenções a este nível. “Há clubes que realizam palestras para formar os pais e adotam estratégias para evitar a intervenção dos pais em treinos e jogos”.

Jogos de futebol para os pais, aulas desportivas e contratar uma pessoa para conversar com os progenitores enquanto os filhos treinam e jogam são algumas delas.

“Mas a intervenção maior tem de passar pela formação dos pais acerca do seu papel”, defende Hugo Sarmento.

[Plataforma recomendada para a leitura: computador]

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