VESTIDA DE SI

Ela saiu sozinha, desceu do lugar desabitado do seu ser, vestido de manhã chuvosa, óculos de visão alheia, trazia na boca o beijo nunca esquecido que dormiu no segredo que suas mãos revelavam.

Sozinha e a companhia dos talvez que seguem juntos na espera dos seus suspiros. Ela nem quer, nem precisa sair, nada lhe pertence, apenas o tédio de um amor nunca vivido.

Chega de ser idealizada, ela escreveu com o batom cor de si mesma, deixou o risco e um corte profundo no vestido do desejo.

Quando ela vai, segue com ela a palavra que não sabe dizer das vontades de cada hora das amarguras maceradas nos olhos alheios.

Ela vai e, o nunca mais é um balanço esquecido numa foto de flore roubadas dos jardins…