Grandes filmes de grandes livros: Jogos Vorazes

A Esperança — O Final fecha a franquia com chave de ouro

Então quer dizer que ainda fazem grandes filmes baseados em livros? Do tipo que não são apenas um retrato pálido e sem emoção da obra literária, mas que realmente conseguem engrandecer o roteiro? Fazem. É assim com Jogos Vorazes — os quatro filmes, na verdade, mas sobretudo com este que estava em cartaz nos cinemas em dezembro passado.

Denominado Jogos Vorazes: A Esperança — O Final, o filme recomeça de onde parou: Katniss, o Tordo, símbolo da luta rebelde dos distritos contra o poder opressor da capital, se recuperando de um ataque que quase a matou. Seu agressor foi Peeta, seu antigo aliado, agora transformado em bestante pela capital. E bestantes — espécie de monstros — não faltam nesse filme — tantos que vão fazer você se segurar desesperadamente na poltrona.

Para quem não assistiu aos três filmes precedentes, pode ficar um pouco difícil de entender a história. Explico: o enredo se passa em um país fictício intitulado de Panem. Nele, há 12 distritos que, por um dia terem se rebelado contra a capital, agora precisam ceder dois tributos — leia-se um garoto e uma garota — anualmente para participarem dos Jogos Vorazes. Os jogos são grandes eventos televisionados, no qual os tributos precisam assassinar seus concorrentes, e têm como objetivo entreter os telespectadores e lembrarem aos distritos o poder ditatorial da capital.

Ao longo dos filmes, descobre-se que há ainda um 13º distrito, justamente esse que comanda agora a nova rebelião. Katniss sobrevive ao 74º Jogos Vorazes, mas subverte as regras do jogo, se tornando então um símbolo da resistência. Mais tarde, ela ainda vai sobreviver ao Massacre Quaternário, jogos comemorativos que contaram apenas com os vencedores das últimas edições. O quarto filme, então, já inicia em uma Panem destroçada pela guerra.

O terceiro e o quarto filmes da franquia são frutos de um só livro, intitulado A Esperança, da trilogia escrita por Suzanne Collins. A história é uma distopia — contrária da utopia, na qual se vive em um regime de extrema opressão — que reverbera em nosso mundo. Apesar de não existir Panem no planeta Terra, se encontram semelhanças com regimes totalitários históricos, e também na essência humana de seus personagens. Personagens estes que são fortes e consistentes, com um psicológico cuidadosamente construído e verossímil. A protagonista, por exemplo, não é a típica heroína invencível — ela acaba no hospital incontáveis vezes. E outras coisas que acontecem — não detalho pra não contar o grande spoiler de 2015— revelam um enredo que não poupa o seu público. Há que se ressaltar a atuação brilhante de Jennifer Lawrence, que interpreta uma Katniss muito pouco maquiada, seguindo a descrição dos livros.

Se o longa precedente deste final traz mais explicações do que está ocorrendo no momento, a sua sequência é pura ação. As cenas de ação são “gigantescas”, muito maiores e mais ricas que a minha imaginação, ao ler os livros, conseguiu produzir. E assim nota-se quando um filme é uma boa adaptação de uma obra literária: ele surpreende até mesmo ao leitor, que já sabe o que vai acontecer e espera por aquele momento.

Com seus três livros, Collins escreveu uma ficção incrível, daquele tipo que, por mais que seja fantasia, acaba trazendo uma reflexão pertinente à sociedade atual. E os quatro filmes Jogos Vorazes seguem a mesma toada. Vale cada segundo da atenção do espectador.

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