Gente tóxica raramente é vista como vilã. Gente tóxica é especialista em aparência.

Se é pega em flagrante, finge mal entendido. Banca de boazinha. Argumenta boas intenções. Segue em frente. Qualquer coisa pede perdão e volta a atormentar por trás das cortinas. Manipula, destroi auto-estima e relações dos outros, mas continua lá. Quase que intocável.

Aí sabe quem pega fama de vilã e chata? A pessoa que tem coragem de falar na lata. A pessoa que levanta e defende quem tá sendo manipulada. A pessoa que denuncia. A pessoa que sabe não apenas que toda escolha é uma renúncia, mas que o preço da paz pode muito bem ser mandar uns pra casa do caralho e garantir que fiquem por lá. Essa pessoa é vista como vilã porque ela rompe com o equilíbrio estabelecido na relação de manipulação. Ela é uma ameaça ao sistema da superficialidade que sustenta um mundo de maldade, inveja, e insegurança.

Mas é isso que dá viver na sociedade bizarra em que a vida de mentira nas redes e na rua precisa ser sustentada a todo custo, inclusive a custo da saúde mental e dos relacionamentos em casa.

Isso que dá viver na sociedade bizarra que favorece a falsidade e a ilusão de que para ser feliz você tem que agradar todo mundo, até quem tira vantagem de você.

Isso que dá viver na sociedade bizarra em que o lema de que “você pode ser a pessoa melhor e ignorar” paga de maturidade e excelência emocional e assim reafirma a hegemonia do mau caráter.

Isso que dá viver na sociedade bizarra em que o problema nunca é da pessoa tóxica, mas sim da falta de perspectiva a longo prazo e equilíbrio de quem confronta, de quem não aceita, de quem quer mudança.

Isso que dá viver na sociedade bizarra em que o bom é alienar a si mesmo e aos outros e ai de quem ousar apelar pra verdade.

Depois tem gente que se assusta ao perceber que estamos todos doentes!

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