Sororidade é inferior à solidariedade. Já me ouviram falar disso antes.

A sororidade é limitada por várias razões, dentre elas limitações afetivas. Uma das principais limitações, porém, é que implica ajudar/empatizar/lutar junto de quem é igual à gente. Irmãs.

Com certeza é ideal nos exergarmos assim, mas as estruturas não nos tratam assim. Não somos todas iguais. A exploração, a opressão e a precarização nos afetam de forma diferente e é preciso entender que alguns de nossos grupos terão lutas distintas, às vezes até prioridades diferentes.

Por isso a gente tem que respeitar a luta das mulheres em todos os seus frontes, especialmente aquelas que estão mais marginalizadas como mulheres trans, negras e periféricas, trabalhadoras sexuais, etc.

Não adianta dizer que lutamos por todas nós quando isolamos algumas lutas e até somos coniventes com ataques internos.

A gente cobra tanto que os homens sejam melhores aliados, mas como avaliamos nossas relações dentro do movimento feminista? Temos que jogar fora as desculpas de divergências teóricas, parar de passar pano pra opressora dentro do movimento, forçar auto-crítica e colocar a anti-opressão como pauta principal e critério sobre os debates ainda em desenvolvimento.

Não basta sermos manas nos grupinhos de iguais.

É preciso ser mais. Mais solidárias. Mais ouvintes. Mais ousadas.

Verdadeiras aliadas.