Acinzentado
O sol por aqui não nasce mais, até a lua tem medo. As nuvens cobrem os meus olhos e tudo se torna acinzentado, morto.
As vezes eu sinto um vento, capaz de tirar essas nuvens daqui, capaz de trazer um raio de sol novamente, mas eu sinto que ele é só passageiro, não quer estar aqui, ou melhor, nao me pertence.
Na verdade, sempre foi assim, nada nunca me pertenceu. Nada nunca foi constante e real. Acostumada demais com partidas que elas até se tornaram um lema a ser seguido. Sem surpresas. -De certa forma, a ausência me aconchega.
É difícil se manter firme nisso, as vezes meu corpo até se anima com algumas chegadas. O coração palpita. O frio no estomago vem e a ansiedade me consome. Mas, eu me lembro de quem até era obrigação ficar, se foi. Até que disse “nunca vou te abandonar”, hoje é só mais um estrela morta no meu universo. E então, eu percebo que eu não preciso me dar ao luxo de ganhar mais uma chegada só para confirmar que esse lema está correto.
Chega de chegadas.
Eu gosto do acinzentado.
