Acinzentado

Brina.
Brina.
Sep 3, 2018 · 1 min read

O sol por aqui não nasce mais, até a lua tem medo. As nuvens cobrem os meus olhos e tudo se torna acinzentado, morto.

As vezes eu sinto um vento, capaz de tirar essas nuvens daqui, capaz de trazer um raio de sol novamente, mas eu sinto que ele é só passageiro, não quer estar aqui, ou melhor, nao me pertence.

Na verdade, sempre foi assim, nada nunca me pertenceu. Nada nunca foi constante e real. Acostumada demais com partidas que elas até se tornaram um lema a ser seguido. Sem surpresas. -De certa forma, a ausência me aconchega.

É difícil se manter firme nisso, as vezes meu corpo até se anima com algumas chegadas. O coração palpita. O frio no estomago vem e a ansiedade me consome. Mas, eu me lembro de quem até era obrigação ficar, se foi. Até que disse “nunca vou te abandonar”, hoje é só mais um estrela morta no meu universo. E então, eu percebo que eu não preciso me dar ao luxo de ganhar mais uma chegada só para confirmar que esse lema está correto.

Chega de chegadas.

Eu gosto do acinzentado.

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