Princesa Paula Mariana de Bragança

Sabrina Ribeiro
Nov 5 · 7 min read

Nascida no dia 17 de fevereiro de 1823 no Rio de Janeiro, Paula Marianna Leopoldina Joanna Carlota Faustina Mathias Francisca Xavier de Paula Michaela Gabriela Raphaela Gonzaga foi a quinta filha de Dom Pedro I e Dona Leopoldina.

Imperador Dom Pedro I e a Imperatriz Dona Leopoldina.

Os dois primeiros nomes da princesa são uma homenagem de Dom Pedro as Províncias de São Paulo e Mariana, pois estas províncias foram as primeiras a apoiar a Independência do Brasil.

Província de São Paulo — “Paula”
Província de Mariana em Minas Gerais — “Marianna”

Paula foi batizada após uma semana de seu nascimento, em 24 de fevereiro de 1823 na Capela Imperial. Foi amamentada em por uma ama de leite, pois o leite da Imperatriz Leopoldina secou.

Capela Imperial — Rio de Janeiro

A princesa sempre foi a mais frágil em saúde, sofria de epilepsia e asma, assim como todos os seus irmãos (com exceção da primogênita Maria da Glória).

Por ter nascido após a independência, Paula foi excluída da linha de sucessão do trono Português, já que com a Independência do Brasil Dom Pedro I tinha fundado a dinastia de “Bragança”.

Império do Brasil

Por estar enferma constantemente, seus pais decidiram comprar a Fazenda do Padre Corrêa localizada no Córrego Seco, que tinha um clima mais ameno. Graças a Paula, essa fazenda veio a se tornar a cidade Imperial de Petrópolis.

Fazenda do Padre, Córrego Seco — Rio de Janeiro
Fazenda do Padre, Córrego Seco — futura Petrópolis.

Paula foi dita como “cheia de paz, fortaleza e resignação” e “a mais calma e gentil de Leopoldina e os filhos de Pedro”

Apesar de estar sempre doente, a princesa raramente reclamava. Esteve enferma tantas vezes que não conseguia fazer suas lições com seus irmãos.

Dom Pedro II e suas irmãs princesas

Um episódio que marcou a vida da Princesa Paula Mariana, foi quando Dom Pedro I reconheceu como filha Izabel Maria a Duquesa de Goiás fruto de uma relação ilegítima com Domitila de Castro. Pedro exigiu que a Duquesa de Goiás recebesse a mesma educação das princesas.

Houve uma exasperação da Imperatriz Leopoldina no Paço de São Cristóvão, seguida de ação firme da rainhazinha Maria da Glória (Futura rainha de Portugal), negando-se a cumprimentar a “bastarda”. Neste momento, o pai, D. Pedro teria ameaçado bater em Maria da Glória, ao que ela retorquiu-o dizendo que ele não podia afrontar a soberana de Portugal. Dom Pedro puniu a menina fisicamente e Paula vendo a ação saiu em defesa de sua irmã, empurrando a Duquesa de Goiás, ao que levou algumas palmadas de D. Pedro também.

Domitíla de Castro, Dom Pedro I e sua filha Izabel Maria (Duquesa de Goiás). Imperatriz Leopoldina, Dom Pedro I e suas filhas, as princesas Paula Mariana e Maria da Glória (Rainha de Portugal).

Em 11 de dezembro de 1826 quando Paula tinha apenas 3 anos, sua mãe faleceu em consequência de um aborto espontâneo.

Imperatriz Leopoldina da Áustria

Dom Pedro I precisava se casar e então no dia 17 de outubro de 1829 concretiza matrimônio com Amélia de Leuchtenberg, uma jovem de apenas 17 anos. As crianças de Pedro adoraram a madrasta, tendo em vista que esta era muito amável com as princesas. E em pouco tempo passaram a chama-la de “Mamãe”.

Amélia de Leuchtenberg, madrasta das princesas: Maria da Glória, Paula Mariana, Januária, Francisca e do Imperador Pedro II.

Em 7 de abril de 1831 após diversos problemas políticos e econômicos, o Imperador abdicou do trono em favor de seu filho caçula, Pedro de Alcântara.

Abdicação de Dom Pedro I em favor de seu filho Dom Pedro II.

Antes de partir, Pedro I deixou seus filhos na responsabilidade de José Bonifácio de Andrada como tutor legal,

José Bonifácio de Andrada e Silva

Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho como aia

Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho — camareira-mor

e Rafael um afro-brasileiro veterano de guerra, muito fiel ao imperador.

Rafael, o “anjo negro”

Deste três, Rafael foi o único que permaneceu leal ao imperador até o fim.

Dom Pedro partiu para Portugal junto com sua esposa Amélia e sua filha primogênita Maria da Glória a qual pertencia o trono português.

Paula nunca mais veria seu pai, sua madrasta e sua irmã mais velha.

Amélia de Leuchtenberg, Dom Pedro I e Maria da Glória.

Deixados sem mais ninguém no Brasil, as crianças formaram laços estreitos entre si, eram até “dependentes um do outro”. As princesas e o príncipe estudavam, brincavam e frequentavam a Igreja da Glória. Além disso, faziam refeições em família.

Dom Pedro II e suas irmãs princesas.

Em 9 de abril de 1831, o caçula príncipe imperial foi aclamado como o novo imperador. E enquanto era exibido em uma janela do palácio, suas irmãs ficaram ao lado dele como é possível vermos nesse quadro.

Aclamação de Dom Pedro II 1831 — by: Debret

No ano de 1831, Paula Mariana cresceu bastante, adquiriu força e conseguiu levar uma vida mais ativa ao lado de seus irmãos.

Princesa Paula Mariana em 1831.

Porém, a princesa nunca foi robusta ou inteiramente saudável.

No final de 1832, ela ficou gravemente doente, os médicos fizeram diversos procedimentos para tentar salvar a vida da princesa, como sopas, gesso de mostarda, sanguessugas e substâncias ácidas aplicadas na pele. Tudo isso fez a princesa “gritar de dor”. Entretanto foram tentativas inúteis pois no dia 16 de janeiro de 1833 Paula acabou falecendo aos 9 anos, faltando apenas 1 mês para completar seu 10º aniversário, na Quinta da Boa Vista. Alguns pesquisadores sugerem que a princesa faleceu de meningite ou malária.

Princesa Paula Mariana de Bragança

A perda dessa irmã tão querida foi muito difícil para as princesas Januária, Francisca e o pequeno D. Pedro II. Na carta que enviou ao pai, Januária relatou:

Amado Papai.

Apesar das nossas constantes suplicas aos céus, a nossa querida irmã Paula Marianna partiu. Não encontramos consolo. Nossa irmã tão amada não está mais connosco. Alem disso, Pedrinho adoeceu seriamente. Chegamos a pensar que ele pegara a mesma febre de Paula, mas, graças aos céus, ele melhorou e já está sentado em sua sala de estudos. Para expressar nossa gratidão, nós, manna Chica e eu, sua filha Jannuaria, ficaremos sem comer açucar até o aniversário de Pedro, dia 2 de dezembro. Amado Papai, estamos desesperados e em grande desalento. O senhor nos faz muita falta e também sentimos muita saudade de nossa irmã Maria da Glória e de todos que estão com o senhor em Lisboa. Com a promessa de lhe sermos sempre filhos obedientes e amorosos, Januaria, Francisca e Pedro.

Dom Pedro II, Princesa Januária e Princesa Francisca

As cerimônias fúnebres duraram dois dias e no dia 18 de janeiro de 1833, o corpo embalsamado de D. Paula Marianna foi depositado no Convento de Nossa Senhora da Ajuda.

Convento de Nossa Senhora da Ajuda — Rio de Janeiro
Morro do Castelo — Rio de Janeiro

Porém com a destruição do Morro do Castelo, seu corpo foi transladado em 1911 para o Mausoléu Imperial do Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

Túmulo da Princesa Paula Mariana de Bragança

“Aqui jaz a sereníssima Princeza D. Paula Marianna,
Filha do Imperador constitucional, e defensor perpétuo do Brazil D. Pedro 1º e da Imperatriz D. Maria Leopoldina Josefa Carolina

Nasceo a 17 de fevereiro de 1823
Falleceo, na imperial da Quinta da Boa Vista
A 16 de janeiro de 1833"

Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

Assista o vídeo sobre a Princesa Paula Mariana de Bragança:

Canal: Apaixonados por História

#ApaixonadosPorHistória

Obrigada!

Sabrina Ribeiro

Written by

Apaixonada por História e fascinada por Tecnologia! ⏳❤🖥 Professora e estudante.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade