Essa sou eu, a impostorinha, em foto de Marcus Samed.

A impostora das impostora

A síndrome do impostor, meus amigos, tem dia que ela bate forte. Ela faz você duvidar das suas capacidades (ou ridicularizar as coisas que a gente faz — meu caso), ela faz a gente ter medo que as pessoas descubram que — apesar do esforço — somos uma grande fraude. Eu passo por isso e conheço, pelo menos, mais umas 5 pessoas MARAVILHOSAS que sofrem com isso. É bem comum, na real.

Conto minha história pessoal — eu sou formada em jornalismo. Antes de escolher o curso, eu só sabia de uma coisa: gosto de escrever. Isso ia fazer de mim uma boa jornalista? Jamais. Eu nunca nem tive certeza a respeito dos motivos pelos quais eu queria fazer jornalismo. Mas achava que tinha que fazer alguma coisa. Pois bem, já na faculdade, vi que não era bem aquilo que eu tava pensando, que eu tinha, inclusive, um certo pânico de entrevistar pessoas. Mesmo. Quantas vezes eu passei mal, suei, chorei, tentei dissuadir pessoas dessa ideia louca. Bom, chegou uma hora que não deu mais.

Corta a cena, tô trabalhando em agência de publicidade. E amo. Pra quem não conhece, sou redatora, community manager, sei lá. Já fui até revisora de texto. Eu gosto do que eu faço? Pô, gosto. Muito. Consigo achar as coisas que eu faço boas? Na maioria das vezes, tô no piloto automático, mas quando penso sobre elas, não acho. Acho meu trabalho importante? Risos histéricos. E, atualmente, sigo nesse dilema, porque coloquei na minha cabeça que eu preciso de um propósito na minha vida. Escrever um livro? Ajudar os outros? Fazer coisas grandiosas? Mas que coisas são essas? Eu sei lá, sigo perdida preferindo ser invisível dentro do ambiente da agência — e da minha cabeça quando dá — até considerar meu trabalho algo importante. Ou achar outra coisa pra fazer.

Corta a cena de novo, eu decido fazer um curso de maquiagem. Porque eu sempre gostei de maquiar pessoas e alguém um dia me disse que eu faço isso bem. Essa ideia foi crescendo na minha cabeça a cada elogio de amigos — que eu não sei até hoje se é por amizade ou por qualidade mesmo. Bom, após uns meses freelando com isso, comecei a ter muita vergonha de postar foto, de mostrar o que eu faço ou deixo de fazer, porque não acho que o meu trabalho esteja bom. E, pior, não acho que ele vai melhorar. Mesmo se eu fizer curso, gastar dinheiro, praticar. Parece que eu não tô me dedicando o quanto deveria para o tamanho do investimento que fiz/faço com a compra de material. E isso tá com cara de que não vai dar certo, sabe? Além disso, como que eu vou cobrar dinheiro pra fazer isso se eu não consigo achar bom? Não dá.

Corta a cena, eu to sentada na minha sala pensando no que mais eu poderia fazer da minha vida. Vejo amigos engajados em milhões de coisas (ok, ninguém tá bem, sabemos), e a comparação é inevitável. Eu sei lá, começo a fazer as coisas e desisto. Começo a bambear, achar ruim, achar que não vale a pena: desisto. Quantas vezes já comecei a escrever livro? E depois apago tudo que tinha feito, porque QUE BESTEIRA FOI ESSA QUE EU ESCREVI. Apaga, apaga. E dessa crise toda, aos 29 e aguardando ansiosamente um retorno de Saturno vindo aí, tiro apenas que: sei lá. Alguém sabe? Alguém precisa saber alguma coisa pra viver? Acho que não. Eu mesma, após 29 anos, não faço a menor ideia. Por enquanto, sigo sem saber lidar. E foco nas minhas habilidades de: ficar na horizontal, comer, ver série, escrever textão e ler 2 linhas sobre algo pra falar que eu sei. Uma das únicas coisas que eu consigo manter e gostar é meu Instagram com dicas de livro, o Livro de Retalhos (isso não é um #ad, mas pode ir lá visitar se você quiser). Se eu conseguir ganhar dinheiro com isso um dia, ótimo. Mas é bom não tentar transformar isso em algo rentável, porque assim posso reduzir minha culpa.

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