quando chega a noite e eu penso em você, vem sempre aquele nó na garganta, pois o dia passou e eu não tive uma notícia sua. perguntei-me inúmeras vezes se você teria pensado em mim, se você sentiu saudades, se você pensou em falar comigo. mas no fundo eu sei a resposta e é por isso que à noite sempre vem o nó na garganta. o nó se faz porque tudo está tão definido: eu tento fazer um laço e você dificulta e tudo se atrapalha e se embola justamente na minha ponta do fio. e mesmo sabendo que você não sente falta, mesmo sabendo que não quer fazer laços, eu já estou enroscada e é difícil desfazer os nós, principalmente porque tenho as unhas roídas. como se desfaz um nó sem ao menos ter unhas? eu não sei a resposta. e você vai deixando nós e nós e nós em cada parte parte do meu corpo, nos músculos, nas cordas vocais. na alma. e eu choro baixinho no escuro do meu quarto. não tem nós na minha cama, mas quando eu deito, aperto os nós e me dói os ombros. dormir já não é mais confortável. é aí que eu vejo que o jeito é pegar uma tesoura e cortar o fio. quem sabe assim fica mais fácil esquecer que quase fomos um laço, mas que virou nó. quem sabe assim fica mais fácil de virar um laço. porém só.

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