Porque você não deveria ignorar o Bitcoin
“O fato de que, dentro do universo do bitcoin, um algoritmo substitui as funções de um governo é algo muito legal”.
Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos (1993–2001).
Caros leitores, para inaugurar esse espaço, faço um convite para embarcarmos em nossa máquina do tempo.
A viagem de hoje nos levará de volta à segunda metade dos anos 90, quando a Internet despontava como algo novo e desconhecido. Também iremos dar uma passadinha em um futuro não muito distante, quando o bitcoin deixará de ser um tema restrito a entusiastas de tecnologia e investidores arrojados e será um instrumento cotidiano para boa parte das pessoas.
Apertem os cintos, porque esta pode ser uma viagem sem volta.
A Internet do dinheiro
Poucos puderam vislumbrar o impacto que a Internet provocaria na sociedade moderna: uma rede descentralizada de computadores, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, que se tornou algo tão importante quanto água encanada ou energia elétrica e serve como base para quase tudo que fazemos atualmente.
Em 1995, a Internet era uma invenção entendida e usada por um grupo de privilegiados. Apenas 0,4% da população mundial conseguia, com muito esforço e habilidade técnica, acessar à rede mundial de computadores. Em 2017, cerca de metade da população mundial ainda não tem acesso à conexão e está excluída do direito à informação e comunicação.
Graças à Internet, em 2009, entrou em funcionamento outra rede descentralizada de computadores, que também opera ininterruptamente, sem controladores e tão pouco possui um botão liga/desliga que possa ser apertado por alguma autoridade ou empresa.
Se você chegou até aqui, já sabe que estou falando de Bitcoin, a moeda digital que tem chamado a atenção de empresas e investidores ao redor do mundo.
Como definido por Satoshi Nakamoto, lendário e anônimo criador do protocolo, no artigo que define as bases dessa fantástica nova tecnologia, o bitcoin é um “sistema eletrônico de dinheiro ponto-a-ponto”, que torna possível a seus usuários enviar e receber moedas digitais por meio de dispositivos conectados, sem possibilidade de controle ou censura.
O protocolo também cria os mecanismos que permitem transferir aos seus participantes o poder de geração, transmissão e armazenamento de riqueza. Todas as regras são conhecidas e todas as transações são auditáveis publicamente.
Se você ainda não entendeu do que se trata o bitcoin, pense nele como o “dinheiro da Internet”, ou ainda melhor, “a Internet do dinheiro”.
Apesar de já ter sido manchetes dos principais jornais e revistas do mundo e tido seus minutos de fama no Jornal Nacional e no Fantástico, o bitcoin é atualmente utilizado por uma pequena parcela da população mundial.
Faltam dados precisos, mas estimo que no Brasil menos de 300 mil pessoas já tenham utilizado bitcoin, menos de 0,015% da população brasileira. A adoção tende a crescer substancialmente e por um longo prazo, com potencial de colocar as moedas digitais como uma alternativa cada vez mais relevante de investimento e meio de pagamento de transações eletrônicas.
O valor do bitcoin
Provavelmente o que lhe chamou a atenção em relação ao bitcoin tenha sido a forte forte valorização do preço nos últimos anos. Mas o que você talvez não saiba é que, entre janeiro de 2009, quando os primeiros bitcoins começam a circular, até 22 de maio de 2010, não havia um preço de referência confiável para o bitcoin.
Naquele dia, quando 10 mil bitcoins foram trocados por duas pizzas grandes, foi a primeira vez que uma transação foi paga usando uma criptomoeda. Em valores atualizados, estamos falando de cerca de US$35 milhões. Sem dúvida as pizzas mais caras da história.
Com o tempo, cada vez mais pessoas estão se familiarizando com a tecnologia e enxergando valor no potencial disruptivo do bitcoin.
Você já teve a experiência de realizar um pagamento internacional por meio do seu banco? Além de custoso, o processo demora dias e passa por vários intermediários. Utilizar o sistema de pagamentos tradicional pode se tornar uma verdadeira odisseia burocrática.
Através do bitcoin, qualquer pessoa pode enviar quantias ilimitadas, seja para realizar o pagamento de uma compra online ou então enviar dinheiro para outra pessoa em qualquer parte do mundo.
O que começou em 2009 como um experimento restrito à comunidade de cypherpunks, grupo de hackers defensores da privacidade e entusiastas de criptografia, já se tornou um fenômeno social de escala global, que processa mais de 200 mil transações diariamente.
Mais de 2,5 bilhões de pessoas ainda vivem sem acesso a serviços financeiros. As moedas digitais têm o potencial de servir como um enorme impulso de inclusão financeira.
Temos uma forma de dinheiro que não pode ser falsificada, cuja emissão é isenta de interferências corporativas ou de bancos centrais. Um ativo de escassez programada, chamado por muitos de “ouro digital”.
Valorização do preço do bitcoin desde 2009
Fonte: www.blockchain.info
Evolução do número de transações realizadas na rede do Bitcoin desde 2009
Fonte: www.blockchain.info
Volume de transações realizadas pelas corretoras de bitcoin no Brasil
Fonte: www.bitvalor.com
Crises como a de 2008 deixaram evidente as fragilidades do sistema financeiro e o impacto disso nas reservas financeiras de pessoas em todo mundo. Posteriormente, a forte intervenção dos bancos centrais reanimou a economia, ao custo de inflar bolhas dos mais variados ativos.
Diante desse contexto, as moedas digitais, especialmente o bitcoin, constituíram-se como uma nova classe de ativo com valorização gigantesca e fundamentos independentes em relação aos ativos financeiros convencionais.
Por isso, o investimento em bitcoin não deve ser ignorado e tem de fazer parte de qualquer portfólio diversificado. Alocar entre 1% e 5% de sua carteira de investimentos em bitcoin oferece uma assimetria de retorno potencial bastante convidativa. Entenda como um investimento a longo prazo, se possível ao longo de uma década.
Passado este período, são dois cenários possíveis: perder uma pequena fatia do seu patrimônio em um investimento de alto risco, ou então ter multiplicado em várias vezes o capital investido.
Isso não quer dizer que esse mercado não nos reserve oportunidades de curto prazo. Os próximos meses têm tudo para manter a trajetória ascendente do preço, agora que os problemas de escalabilidade estão resolvidos.
Importante salientar que a volatilidade é uma constante nesse mercado, o que não deve ser encarado como um problema, mas como uma oportunidade de ganhos impossíveis com outros ativos.
Nunca se esqueça: o que separa as palavras “risco” e “rico” é a letra “s”, de segurança. Se expor de forma responsável ao risco é fundamental no processo de construção de riqueza.
A partir de agora, você é meu convidado para acompanhar o mercado e discutir a dinâmica do desenvolvimento da tecnologia das moedas digitais. Espero que eu possa servir de guia para acompanhar essa revolução que está apenas começando.
