Parte I: Sobre cometer erros

Samantha Rosa
Aug 13, 2016 · 4 min read
En el mundo por el que viajo, voy construyéndome constantemente. — Frantz Fanon

Faz pouco mais de um mês que mudei do Brasil pro Ecuador, pra trabalhar com o desenvolvimento de capacidades da equipe interna do escritório da ThoughtWorks em Quito, fazendo parte da equipe de liderança do país. Durante esse período, tenho aprendido várias coisas interessantes, que resolvi começar a compartilhar por aqui.

O primeiro aprendizado é sobre cometer erros

Por muito tempo li aquelas frases motivacionais que dizem que “se você está errando, é porque você está tentando algo novo, e consequentemente, aprendendo”. Mas na prática, o que significa errar e aprender com os erros?

Bom, no meu caso, eu trabalho com design desde 2005, são 11 anos. Já aprendi muito, errei muito, mas chega um momento que grande parte do dia-a-dia já está no piloto automático. Ou seja, não cometemos mais tantos erros, simplesmente porque não tentamos muitas coisas realmente novas.

Porque cometer erros antigos se há tantos erros novos a escolher? — Bertrand Russell

Sair da ‘zona de conforto’ não é uma tarefa fácil pra todo mundo. Eu sou curiosa por natureza, estou sempre tentando alguma coisa diferente que não tenho como prever se vai dar certo (e muitas vezes não dá), mas não foram tantas as vezes que tentei algo tão diferente quanto o que estou fazendo agora: ser parte da liderança de pessoas. Lidar com tanta gente, e de forma tão direta, gera uma relação diferente: é preciso ser exemplo das coisas que você acredita e quer implementar, definir e gerenciar expectativas do que é possível ou não.

Conversar sobre o que não está muito legal é tão — ou mais — importante quanto falar sobre o que está dando certo

O que eu posso dizer, e com bastante certeza é que eu nunca errei tanto na minha vida quanto agora. E é muito legal aceitar isso! Já perdi algumas reuniões, esqueci de responder alguns e-mails urgentes, não lembrei de assinar um contrato…

Tenho uma conversa semanal com a diretora aqui do Ecuador, pra compartilhar o que eu tenho feito e combinar próximos passos. Na última semana, eu iria mostrar um plano de trabalho, e ela me disse: “Eu confio que está tudo bem nesse plano. Agora me conta como você está?”.

A última coisa que eu tinha preparado para aquele dia era contar como eu estava, mas foi sobre isso que conversamos. Abri o jogo, comentei sobre minha dificuldade em lidar com o budget da área (nunca me dei bem com dinheiro), e também sobre a problemática de priorizar iniciativas. Pensamos em algumas soluções juntas, e foi excelente, simplesmente pelo fato de que é ok admitir que algumas coisas não estão dando certo.

Conversar sobre o que não está muito legal é tão — ou mais — importante quanto falar sobre o que está dando certo. Pesquisando sobre esse assunto, encontrei alguns artigos sobre o ‘currículo das falhas. A ideia é simples: muitas vezes só vemos o sucesso que alguém atingiu, e quase nunca percebemos o quanto pode ter sido difícil “chegar lá”, ou quais foram os aprendizados nesse caminho. E reconhecer essas falhas é bom, pra você e pros outros. Um exemplo recente é o caso da série Stranger Things, que pra nós, espectadores, surgiu da noite pro dia como sucesso, mas que na verdade já havia sido rejeitada por mais de 15 redes de televisão antes de ser produzida pelo Netflix.

Lendo um texto sobre uma conversa que uma gerente do Facebook estava tendo com o seu supervisor, encontrei um material muito maneiro. Durante a conversa sobre resultados, ele perguntou pra ela: “Então, Margaret, o que está saindo dos trilhos no seu time?”. E complementou depois: “Escuta, se algumas coisas não estão saindo dos trilhos no seu time, então eu sei que você está micro-gerenciando eles. […] Então eu gostaria de ver algumas coisas que não estão dando certo, com certa regularidade.”

Achei muito interessante entender como ela primeiro experienciou essa situação — comentando que pensou que estivessem surgindo rumores de que ela não estava fazendo um bom trabalho — , quando na verdade, fazer um bom trabalho é sim, errar e lidar com as consequências desses erros. Só que é preciso estar vulnerável (minha palavra favorita dos últimos anos) pra poder entender o que não deu certo, o que pode ser melhorado, e como fazer isso em equipe.

Priorizar ou priorizar

O que eu já aprendi nesses últimos tempos, é que quando lidamos com muitas coisas novas ao mesmo tempo, inevitavelmente vamos fazer algumas coisas e deixar outras de lado. E inevitavelmente, errar, durante esse processo. O importante é ter uma estratégia clara do que queremos atingir, para então poder priorizar quais são os coisas importantes de acordo com os nossos objetivos principais, e aceitar quais que podem ser deixadas de lado ou serem realizadas em parceria com outras pessoas — que inclusive poderiam cuidar delas muito melhor que a gente.

No próximo post, comento como estou lidando com a priorização e compartilhamento de atividades :)

Samantha Rosa

Written by

Organizational Designer

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