O porquê de muita coisa…
Assim como ti, hoje quero focar mais em mim. Quero que tu conheça mais sobre a pessoa que fui e quem me tornei. Era isso tudo que eu queria ter te contado aquele dia, na livraria cultura, mas depois que tu ler, vai entender que não teria dado tempo. As coisas estão acontecendo muito rápido ultimamente e não quero que sempre seja assim. Escrever, para mim, parece ser uma forma de prolongar, um pouco, o presente. Bom, vamos lá.
Obs: vou ser bem aberta dessa vez, preciso expressar tudo que estou sentindo, então “get ready for it”.
Hoje, por volta das 16 horas, um golpe me acertou em cheio… Um cantor de uma banda que eu curto muito, foi encontrado após tirar a própria vida. Cara, é nesses momentos que tu para pra refletir e agradecer por ter um Deus que te sustenta, que te ama e que está lá apesar de qualquer coisa. Qual era o propósito da vida desse cara? Por maior que fossem seus motivos, nada é o suficiente para se matar, na minha opinião. Isso tudo me fez parar pra pensar e agradecer muito por ser quem eu sou hoje. “Nossa Sarah, mas tu não é aquela pessoa bem na sua que pensa mil vezes antes de fazer alguma coisa?” Bem, sou, mas tive a minha fase de “nada mais faz sentido, por que não zoar um pouco?” Ok, não fiz loucuras absurdas, mas cara, para o meu perfil, para as coisas que sempre acreditei e fiz, foram coisas muito fora do padrão. Não me abro dessa maneira com qualquer um, afinal, qualquer um iria dizer “ah, ta, nem fez tanta diferença assim”, mas pra mim fez. Ô se fez.
Arrependimento? Não, nem um pouco. Lógico que não me orgulho da pessoa que eu era, mas tudo me fez crescer, amadurecer, aprender muito. Foram todas essas coisas que me fizeram a pessoa que sou hoje. Bom, tudo começou quando meu namoro (que na real não era oficial, mas enfim, essa ai é uma história muito enrolada, não faz diferença agora) começou a ir longe demais. Hoje eu entendo o peso de namorar alguém cuja fé não é a mesma da tua. Minhas amizades na escola também estavam péssimas, parecia que todo mundo tinha resolvido fazer o que viesse na cabeça e tudo certo. Meu namoro era ótimo, não vou negar, mas chegou num ponto onde nada mais era o suficiente. Só que ai chega no limite onde tu não pode mais avançar. As coisas estavam perdendo a graça. Caiu na rotina. Eu ligava para ele todos os dias, acaba virando uma coisa tão normal que nem era mais uma motivação. Até que certo dia, uma sexta-feira, fui dormir na casa da minha tia e fiquei a madrugada toda, até as 6:30, conversando com o guri que tinha acabado com a minha reputação no passado. Mas tudo certo, passado é passado, aquele dia a gente recomeçou as coisas (ou pelo menos era o que eu pensava…). A conversa foi legal, ficamos relembrando tudo que tinha acontecido, mas de uma maneira diferente, afinal, eu não olhava mais para aquilo tudo com raiva. Eu sempre tento não ter raiva de ninguém, e esse era um dos casos. Já tinha perdoado ele e beleza. No dia seguinte eu acordei às oito pra ir pra pra casa do meu namorado (agora ex, mas enfim), e falei pra ele, assim que acordei, que tinha ficado a noite toda conversando com esse meu amigo, o que não foi uma boa ideia. Ele ficou chateado, com toda razão, esse guri era um idiota na época, mas eu achava que conseguiria lidar com tudo numa boa. O dia foi bom, no final das contas, mas foi um dos dias que se eu olhasse tudo de outra perspectiva, não me reconheceria.
Na mesma semana, na quinta-feira, depois de muita insistência do guri que eu estava conversando, eu fui me encontrar com ele e ficamos. “O QUE EU FIZ?”, parei pra pensar assim que sai de lá. O beijo foi horrível, lógico, não tinha amor, só interesse. Mas nem por isso, eu me senti tão suja, tão usada. A maneira que ele passava a mão em mim, nossa, nunca me senti tão mal. Até hoje não entendo por quê eu fiquei ali por uns 10/15 minutos. Na segunda seguinte era aniversário de 18 do meu namorado, fiz texto, vídeo, postei foto, tudo mais. Estava agindo como se nada tivesse acontecido, o que eu planejava fazer para sempre. Por que eu contaria pra ele que tinha ficado com outro cara? Nossa, que ideia hahaha, até parece. Na minha cabeça estava tudo certo, eu já tinha feito uma “loucura” e agora ta tudo bem. Mas como a vida não é sempre da maneira que tu planeja, algo tinha que dar errado. No dia seguinte, os amigos desse guri pegaram o celular dele e viram nossas conversas, tiraram print e mandaram em um grupo que eles têm. Enfim, ele me mandou mensagem no snap dizendo o que tinha acontecido. Meu mundo caiu.
Eu estava na aula de inglês, exatamente na carteira do meio da sala. Faltavam duas semanas para a exposição cultural, então estávamos usando as aulas para ensaiar. E ali estava eu, parecia que o mundo todo tinha se calado e eu só podia ouvir meu coração acelerar. “Eu não acredito que isso está acontecendo de novo”, eu pensava. Eu estava paralisada, não conseguia pensar em nenhum final feliz para aquilo. Mas era a consequência da minha escolha. Eu realmente sairia ilesa daquilo tudo? Claro que não. Só estava colhendo o que eu plantei. Eu digitava, brigando com ele, perguntando como ele podia ser tão burro e deixar isso acontecer. “Por que não apagou a conversa meu?!”, eu perguntava pra ele. Senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Não podia mais ficar ali. Peguei o hall pass (cartão pra sair da sala), fui até a porta da outra sala, chamar minha melhor amiga (o inglês é divido em dois níveis e não somos do mesmo), e fomos pro banheiro. Sentei no chão e comecei a chorar mesmo. Não sabia como lidar com aquilo. Xinguei, falei um monte pra ele. Mas foi em vão. Mandaram os prints no grupo de todos os guris do terceiro ano. Foi ai que eu me desesperei. Um dos meu melhores amigos agora sabia do que eu tinha feito. O problema não era esse em si, mas o fato dele gostar muito do meu namorado. Só sabia de uma coisa: eu estava ferrada.
O resto do dia foi horrível, todo mundo me olhando daquele jeito, como se eu fosse a única que errasse. Dava vontade de falar aquele clichê “quem nunca errou que atire a primeira pedra”. Enfim, tomei a decisão mais complicada pra mim naquele momento. De noite, liguei pro meu namorado e contei tudo. Chorei demais, ele não conseguia acreditar e foi desesperador quando ele disse “não sei o que vai ser agora, mas de uma coisa eu sei, talvez eu nunca mais te olhe da mesma maneira”. Aquilo partiu meu coração. Mas sei que o dele estava despedaçado em milhões de pedaços. “Ai se eu pudesse voltar no tempo…” era meu único pensamento.
O tempo passou, ele me perdoou, por incrível que pareça e ficou tudo bem. Mas acontece que eu não estava bem, não estava com a cabeça no lugar. Tudo estava indo bem, até que chegou um evento da escola com uns gringos e um cara que eu paquerei há um tempo, estava lá. Sem mais nem menos, ficamos. Nem pensei nas consequências. Mas dessa vez realmente não aconteceu nada. Ele não contou pra ninguém. Ninguém ficou sabendo. “Tá Sarah, tu é louca, já deu né”. Não, não deu. Não sabia o que estava acontecendo comigo. Dois dias depois, fui dormir na casa de um amigo meu que estava hospedando um gringo e adivinha? Fiquei com o gringo. Ninguém nunca soube disso também.
O tempo foi passando, tudo normal, meu namoro estava ótimo, talvez até melhor que antes. Um dia fui pra casa de uma amiga e saímos com meu namorado e mais uns amigos, sendo que essa era a única coisa que a minha mãe tinha pedido pra eu não fazer. “Ah, dane-se, eu só quero curtir a minha vida, por que ela fica proibindo tudo?”. E fui, fomos ao cinema só nós dois (minha amiga não pôde entrar porque era menor de 16 anos). Aquele dia foi louco. Mas a última loucura. Dois dias depois, minha mãe, que já estava sabendo de tudo (não me pergunte como, afinal, mãe é mãe, né?), conversou comigo sobre isso tudo. Foi bem tenso, eu enlouqueci, de verdade, gritava, chorava, me joguei no chão de raiva. Foi zoado. Tive que contar pro meu pai (não queria, porque ele nunca foi próximo de mim e do nada eu teria que contar umas bombas dessas, mas minha mãe disse que tava complicado pra ela lidar com isso sozinha e blá blá blá). Mas enfim, com o decorrer dos dias, tudo começou a fazer sentido. Falei pro meu namorado que precisávamos ficar um tempo sem nos falar. Esse tempo foi muito bom pra eu amadurecer e pensar sobre isso tudo e tal.
Até que minha vida mudou COMPLETAMENTE. Fui pra um acampamento da igreja de uma amiga e tomei aquele choque de realidade. “O que eu estou fazendo com a minha vida? Cara, Deus enviou o ÚNICO filho dEle pra morrer POR MIM e eu estou desprezando isso?? Eu não merecia esse amor todo, mas do mesmo jeito, Jesus pagou o preço dos meus pecados! Sério, aqueles 5 dias de acampamento fizeram uma mudança radical em mim. Realmente decidi mudar e entregar minha vida pra Deus, dessa vez pra valer, com todo meu coração, alma e corpo.
Foi uma sensação tão boa, aquele culto da fogueira, afinal, culto da fogueira tem uma coisa louca que eu nunca vou entender. Tu realmente sente que Deus tá ali do seu lado. Chorei demais, mas entreguei minha vida à Ele. Senti o peso caindo dos meus ombros e o abraço do Pai. Eu era outra pessoa.
Na escola, as coisas que eu gostava já não faziam mais sentido, me afastei das amizades que me influenciavam negativamente. Eu vivia ansiosa pra chegar sábado, que era o dia que eu ia pra igreja na reunião dos teens e podia desfrutar da companhia daquelas pessoas maravilhosas, que tinham vivido aquela experiência ímpar ao meu lado. Estava tudo perfeito! Certo?… Não?… Não. Eu ainda tinha que terminar meu namoro. Não fazia mais sentido. Demorei uns dois meses pra fazer isso. Liguei pra ele no dia 14 de abril, dois dias antes de completarmos 1 ano e 9 meses juntos. Foi um dos dias mais difíceis da minha vida, afinal eu o amava, ele era um cara incrível comigo, não tinha nenhuma razão “normal” para eu terminar. Mas eu precisava. Por mim. Foi pesado, mas fiquei muito grata por sentir Deus ao meu lado o tempo todo. Até um detalhe, antes de ligar para ele, eu orei pedindo para que Deus me mantivesse firme o tempo todo, confiante e decidida, para que eu conseguisse falar tudo que eu precisava. Não chorei na ligação, o que normalmente acontece, mas assim que eu desliguei eu desabei. Só conseguia chorar. Fui dormir chorando, mas na manhã seguinte, Deus estava lá de novo, me mostrando que eu fiz a coisa certa e que Ele estava ali. Salmos 30:5 fez sentido como nunca: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Realmente, eu estava bem.
Ufa, quanta coisa. Essa foi a minha história louca. Mudei muito depois disso, e sei que ainda tenho muito pra mudar e aperfeiçoar. Essa viagem foi mais uma prova disso. Amizades sinceras me preencheram de uma maneira única. Em especial tu. No último texto eu contei um pouco de como foi nosso reencontro. Tu tem sido uma motivação pra mim, se tornou um dos motivos de eu querer sonhar alto. Sonhos, tenho vários, mas tu me faz ser mais pé no chão, ser mais racional às vezes. Tu tem me feito uma pessoa melhor e sou imensamente grata a ti por isso. Espero que agora tu consiga entender mais um pouquinho de quem eu sou enquanto “divido um pouco de mim contigo, e multiplico um pouco de ti em mim”. Tu é incrível, sem dúvida uma das melhores pessoas que já conheci. Espero que possamos viver muito mais histórias juntos. Tua companhia é a melhor, faz tudo ao redor congelar. Queria poder parar o tempo quando estamos juntos. Tu me faz ter certeza sobre muitas coisas no mundo. Uma delas é que tu me faz ser melhor, me faz querer voar mais alto. Tu é o melhor de mim.
Eu não seria a mesma sem ti. ❤ #11
