Laki
Laki
Aug 25, 2017 · 4 min read

“a depressão tem cura? eu vou sair dessa merda um dia?”

me pego sempre pensando nisso quando estou no banho, ou lavando louça, ou passando roupa (os momentos que entro naquele estado de reflexão sobre o sentido da vida) e, bom, não acho que há uma cura pra isso mas sim formas pra lidar com ela durante sua vida.

na semana passada, enquanto estava lavando louça, percebi o quanto a depressão pode te deixar consciente das coisas. é ÓBVIO que existe uma linha tênue entre estar consciente do que você é, do que você pode fazer, de como suas ações afetam outras pessoas, etc. e estar se auto-depreciando.

nesse dia específico, eu percebi o quanto estar mal dia e noite, noite e dia, me levou a me conhecer. sim, conhecer. pode ser verdade que eu não sou “uma inútil que não consegue fazer porra nenhuma da própria vida e só incomoda os outros” mas, parte dos pensamentos podem se aplicar sim na minha vida e nas minhas atitudes, se eu passar a refletir sobre eles. por exemplo, sobre incomodar os outros: é óbvio que vou incomodar alguém com qualquer coisa que eu faça, existem 7 bilhões de pessoas no mundo, claramente alguém vai torcer o nariz se eu falar não gosto da demi lovato, que X música dela é ruim e etc. (POR FAVOR É UM EXEMPLO HEIN não consegui pensar em coisas que eu realmente não gosto) e isso é normal. é normal opiniões divergirem, é normal não agradar alguém com sua presença, ninguém é obrigado a gostar de você, e nem você precisa gostar de todo mundo.

refletir sobre meus pensamentos auto-depreciativos desse jeito me fez ver que a vida é uma eterna busca por equilíbrio. você é o bem e o mal, a luz e as trevas, o 1 e o 2, o preto e o branco. e nunca ser um só o tempo todo vai te beneficiar. nunca ser bondoso o tempo todo vai te beneficiar, porque vão ter pessoas querendo te fazer de trouxa por conta disso, um dia você vai precisar se revoltar e magoar pra não ser usado. e tudo bem, não é isso que vai te fazer ser A Pessoa Mais Horrível Do Mundo.


lembram quando falei sobre os pensamentos auto-depreciativos deixar a gente consciente? bom, no meu caso, eles me fazem refletir até sobre o mal que a humanidade causa no mundo, desde maltratar a natureza até os animais da sua própria espécie.

a gente é horrível. a gente é horrível mas ainda tem algumas pessoas que nos fazem manter o mínimo de esperança nas coisas. e, é equilibrando as coisas boas que fazemos com todo o resto de ruim que me permite ter um pouco de alívio. eu já fiquei tão magoada com tanto tipo de notícia que vi, tomando dores de todos os tipos e esquecendo de manter o equilíbrio. ah… esses pensamentos excessivos…


acho que já fazem por volta de 4 anos que estou nessa de me sentir desmotivada, sem rumo, inútil, incomodando alguém e sozinha. chega um momento que você sabe que sua cabeça tá inventando paranoias absurdas e mesmo assim tu não consegue evitar cair nessas armadilhas. e também chega o momento que aquele ditado do tempo curar “tudo” realmente funciona. existem os dias que você consegue enxergar que vale realmente a pena tentar porque ainda existem belezas no mundo que você não viu, sabores que não experimentou, pessoas que ainda não tocou. esses dias são tipo, 15 dos 365 do ano. fazer essa quantidade crescer não é fácil mas eu lembro que antes de 15, eram só 5, eu lembro quando não conseguia ter uns pensamentos conscientes desses e me entregava ao sofrimento e desespero.

existem tantas coisas que pensando e conversando comigo mesma eu conseguiria resolver no passado, tantas coisas que eu poderia ter lidado melhor… mas infelizmente eu não me conhecia o suficiente pra saber como eu funcionava. e não me conhecer me levou a esse fundo do poço. não saber lidar com a realidade de que não somos felizes todos os dias (e nem precisamos ser) piorou as coisas, não entender que sou sempre eu que não estou aberta pra ajuda já me causou tanta solidão, não entender que não é errado ou incômodo pedir ajuda aos amigos próximos gerou tantas crises de choro…


hoje, escrevendo esse texto, eu percebi também que pensar que “não consigo fazer nada de útil na minha vida” invalida todos os esforços que fiz até agora. quantas vezes consegui manter o sorriso e bom humor enquanto atendia os clientes do trabalho mesmo estando uma bagunça por dentro? não posso invalidar isso. não posso invalidar a força necessária pra levantar da cama todos os dias, a força pra dobrar os lençóis, pra tomar banho, pentear o cabelo e escovar os dentes. coisas simples e pequenas que, se eu não tiver pulso firme comigo mesma, deixo de fazer um dia e sem perceber já se passou quase uma semana.

é difícil não invalidar suas lutas diárias. é difícil não ceder aos pensamentos malucos. é difícil não ser imediatista nos tempos modernos de hoje. é difícil internalizar que você e as outras pessoas são diferentes e o que funciona com elas pode não funcionar com você. é difícil fazer os outros entenderem que tudo pelo que você passa é algo realmente sério e assustador. é difícil se manter por perto porque você sempre pensa que é melhor estar longe. é difícil admitir, pedir e aceitar ajuda. é difícil entender que tudo precisa de tempo, principalmente eu e você.

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quando me lembro de escrever é porque há algo que quero realmente lembrar