A problemática da informação atual para os estudantes de Comunicação Social

Um breve relato de um estudante de Jornalismo afogado no mar de notícias

Mar 15, 2018 · 5 min read
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O início de 2018 marca o meu 3° semestre como estudante do curso de Jornalismo. Muita coisa mudou no meu campo de percepção acerca da vida acadêmica, principalmente nas áreas da Comunicação, em especial o tal Jornalismo que mencionei há poucas linhas acima.

A ideia primordial que me levou à faculdade foi algo simples, sem muitas explicações: a escrita. O fato de gostar e querer escrever despertou o imediatismo acadêmico na minha pessoa. Mas é claro que para ser um jornalista — digo jornalista mesmo, excluindo a utopia de alguns que se apropriam da função — não basta só gostar ou escrever relativamente “bem”. A faculdade mostrou o contrário. Na verdade, o Jornalismo não precisa de pessoas que escrevam bem, no sentido de “encorpamento textual” — a não ser alguns veículos que fazem um Jornalismo mais literário, a exemplo a Revista Piauí. Necessita de fatos e esses mesmos fatos podem ser colocados em uma matéria de forma sucinta, que é o que vira em tempos tão corriqueiros como os atuais.

Toda a ideia de que uma “boa” escrita me salvaria no Jornalismo caiu por terra logo nos três primeiros meses de curso e muita coisa ainda estava por vir. No 2° Semestre aprendi forçadamente o significado da palavra objetividade, antagonista dos meus textos. Procurei em um dicionário qualquer que estava encostado na estante do meu quarto e encontrei o seguinte:

OBJETIVIDADE
Substantivo feminino

1.Qualidade, caráter ou condição do que é objetivo.

2. Qualidade do que dá, ou pretende dar, uma representação fiel de um objeto.

3. Qualidade do que é imparcial.

4. Caráter daquele que age rápido, que não perde tempo em lucubrações.

5. característica do que não é evasivo, do que é direto.

6. fil realidade exterior ou dessemelhante ao sujeito (o intelecto cognitivo humano), passível de por ele ser conhecida ou transformada.

Na faculdade, escrevi algumas matérias que deixaram claro o quão importante a objetividade é para o Jornalismo na apresentação de fatos. Abaixo, seguem as publicadas aqui no Medium:

Sanado a ausência de objetividade para fazer o típico “feijão com arroz jornalístico”, foi no atual 3° semestre que conheci a problemática da informação atual para os estudantes de Comunicação Social: a própria informação em si.

Desde o início do curso, muitos professores evidenciaram a importância do jornalista conhecer de tudo um pouco — que muitas vezes sabe mais do pouco que o tudo. Resumindo em duas palavras: fique informado. Fazendo, então, uma análise histórica, as gerações atuais — incluo a minha nisso — têm à disposição muita, mas muita informação mesmo.

Mas qual o problema nisso, afinal?

Novamente, a própria informação em si. Faça um teste: durante o dia, acesse as redes sociais, leia alguns jornais, entre em portais de notícia. Feito isso, converse com alguém a respeito do que você encontrou. Perceberá, então, duas consequências: ou faltará informação do dia nessa conversa ou a outra pessoa teve contato com informações diferentes das suas e que ocorreram no mesmo dia.

Como estudante de Jornalismo, busco ao máximo me informar a respeito do que se passa nesse Brasil e no mundo. A Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada no ano de 2016, divulgou que, dos 15.050 entrevistados em todo o país, cerca de 63% utilizam a televisão como meio de se informar. Em seguida, 26% utilizam a internet. Rádio (7%) e Jornal (3%) ocupam os últimos lugares. Ler ou assistir só a um jornal basta para saber tudo? Possivelmente não, à medida que os veículos de comunicação atuais são bombardados a queima roupa pelo fluxo de informação. Aí é que mora o problema. Evoluímos e muito no campo da comunicação, isso não podemos negar. É possível saber instantaneamente o que acontece em países de longa distância do Brasil. A cada minuto há uma informação que vira notícia — algumas são publicadas, outras caem na regra do valor notícia.

Preocupado com o não acompanhamento das notícias e as tão faladas Fake News, segui a dica de alguns professores, que me indicaram alguns veículos São eles:

Nacionais
El País Brasil
BBC Brasil
Nexo
Agência Pública
JOTA

Internacionais
The Guardian
The New York Times
The Washington Post

A lista pode conter mais alguns, mas de momento esses são os que mais me recordo. O fato é que recentemente procurei a famosa Newsletter de cada veículo. Todos os dias, meu e-mail pessoal passou a ser alvo de notificações de notícias nacionais e internacionais. Acompanho tudo que me enviam? Confesso que não. Seria até mesmo impossível para a minha pessoa realizar este ato. Teria que dedicar um dia somente a esta atividade ou aplicar o não tão velho e não tão bom filtro da subjetividade. Informado estou, mas será que basta para uma futura geração de jornalistas que têm na palma da mão informação sobre qualquer coisa? Ainda não sei a resposta dessa pergunta, mas trago esta problemática da informação atual. A impressão de que falta sempre algo para ser lido permanece em mim e isso não me agrada.

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Nesse exato momento, enquanto finalizo este texto, mais cinco notificações — duas do NYT e três do JOTA — aparecem na minha caixa de entrada. O ciclo comunicacional não para de bombardear e não acaba. Não há muito o que a minha pessoa possa fazer. Ou ignoro, por conta da correria que está no trabalho, e não fico informado com notícias que acabaram de sair do forno editorial ou leio e ao término dessa cansável leitura aparecerá mais duas ou três novas notificações de notícia. Assim como um veículo automotivo, os veículos de comunicação precisam de combustível para funcionar. Como parte desse veículo, preciso de uma dose considerável de informação para continuar operando. Gostando ou não, o debate é justificável.

Matheus Salustiano

Written by

Autor de “De Angola ele é” |Jornalista não objetivo|Umbandista |Escreve para A Oficina| www.notajornal.com.br

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