Cachecol Amarelo
Um dia de muito frio na cidade. Avistei um cachecol próximo a mim. Pertencia a uma garota de cabelos pretos, que cantava a mesma música para si. Seus óculos ofuscavam as olheiras que todo paulista ganha com o passar do tempo. E o cachecol ainda me encara, provoca, perturba, engana. Não quer que ninguém olhe para a sua dona.
Vai subindo pelo pescoço, que agoniza e fica vermelho. Isso não basta para aquele cachecol amarelo. Cobre os cabelos, cobre a face toda. A garota implora por ajuda, mas todos estão ocupados com o próprio nariz. Gritos aumentam e o cachecol continua.
Espalhou-se por todo o corpo da jovem, antes vivo e agora estava imóvel no chão frio. O cachecol deixa de ser amarelo. Agora é cor de sangue fresco. Tenta se levantar, mas está encharcado. E, até agora, ninguém reparou
No cadáver do trem
E seu cachecol
Um dia normal por aqui.
