ERA AMOR QUE ME FALTAVA

Que o despertador está tocando eu já sei. Assim como sei que meu cérebro se recusa a acordar completamente, parte pelo som da chuva que cai lá fora, parte por não ter a menor vontade de viver essa segunda feira.

Assim costumavam ser minhas manhãs. Vivia onde não queria, perto de quem não gostava e longe de quem amava. Larguei mão. Dei a louca e voltei pra casa, abandonei amigos e uma faculdade apenas pelo desejo de ser feliz e poder me sentir amada todos os dias.

É verdade, eu não sabia, mas me faltava amor. Me faltava sentir que eu não era inútil, que eu era alguém que não ninguém. Por tempos eu duvidei, mas na dor eu aprendi o amor. Eu finalmente acreditei nas desavenças que sua falta traz.

Hoje acordo feliz, pelo menos quando é depois das 8h. Trabalho feliz. Vivo feliz. Espero minha faculdade no desespero de perder aulas, mas espero feliz.

Há quem se engane em pensar que ou nos afogamos em rosas ou morremos sufocados em maré salgada, que queima os pulmões. Mal percebem que em ambos temos tudo, temos espinhos e temos frescor. Temos raízes e temos vida. Temos dor e temos amor. Temos é tememos o equilíbrio vital, que nos lança ao caos eterno do bem e do mal. Tememos a sabedoria das lições que a dor nos traz e a falta que o amor nos deixa.

A escuridão dos meus sentimentos ainda teima em me perseguir. Deus como eu queria fugir eternamente disso, mas não posso, eu sei. Eternamente estarei em dívidas de gratidão pelo amor que cá recebo, que me restaura e me revive. Eternamente aliviada por ter dado a louca e voltado para casa. Eternamente sã, eternamente louca, eternamente eu.