POR QUE É IMPORTANTE NOS PREOCUPARMOS COM AS CORES?

As cores podem ser o modo mais efetivo de comunicação. Algumas marcas estão associadas a cores de forma tão intensa que se torna extremamente difícil imaginá-las sem pensarmos nas cores.

As paletas de cores são incorporadas devido a sua ampla gama de usos, mas deve-se tomar cuidado com o tipo de cor e qual cor será utilizada nos diferentes materiais. Ter uma gama de cores para escolher fornece-nos uma espécie de kit de ferramentas para a escolha de um design eficaz.

Sabemos que contraste e uniformidade são importantes para o design, pois desempenham papel vital na criação de paletas de cores. Quando usadas no mesmo contexto, as cores que são muito próximas umas das outras, mas não a mesma, prejudicam a eficácia de sua paleta de cores. Ou seja, se você quiser usar diferentes tons de vermelho, certifique-se de que são diferente o bastante para que o usuário consiga diferenciá-los.

Por isso deve-se levar em conta o daltonismo, problemas com a diferenciação de cores podem fazer com que usuários em potencial deixem de utilizar o produto em questão, dessa forma de nada adianta um bom design de interação. Projetos de concepção de navegação mal concebidos podem fazer todo o seu trabalho para criar uma arquitetura de informações flexível uma perda de tempo.

Mas o que é o daltonismo?

O daltonismo é uma perturbação na visão que dificulta a percepção das cores. Tal perturbação é provocada principalmente por uma anomalia genética do cromossomo X, mas pode ser provocada devido a uma lesão nos órgãos responsáveis pela visão.

O daltonismo afeta mais os homens que as mulheres: 8% da população masculina mundial tem algum grau de daltonismo. Nos EUA, 7% dos homens apresentam algum grau dessa deficiência. Já as mulheres são menos afetadas: apenas 0,4% da população.

A retina do olho humano possui componentes chamados fotorreceptores que ajudam na visão enviando informações de luz para o cérebro. Existem dois tipos de fotorreceptores: bastonetes e cones.

Os bastonetes, concentrados mais externamente na retina, são mais sensíveis à luz do que os cones. Por isso, são os principais fornecedores de informações visuais sobre os níveis de luminosidade presente. Sendo assim, os responsáveis pela visão noturna.

Os cones, concentrados na região central da retina, são menos sensíveis à luz, mas permitem a percepção de cores e também dos detalhes, pois suas respostas aos estímulos são mais rápidas que as dos bastonetes.

Cada célula cone possui certa quantidade e diferentes tipos de fotopigmentos (substância química fotossensível). No caso dos seres humanos, existem três tipos de células cones, onde cada uma possui um fotopigmento diferente sensível a um comprimento de onda de luz: vermelho, verde e azul, o que caracteriza uma visão tricromática. A combinação do estímulo desses três cones deveria todos os outros tons de cores.

Os três tipos de cones são:

· S (short): sensível à luz de comprimentos de ondas curtos, onde o pico é por volta dos 420nm (azul).
· M (médium): sensível à luz de comprimentos de ondas médios, onde o pico é por volta dos 530nm (verde).
· L (long): sensível à luz de comprimentos de ondas longos, onde o pico é por volta dos 560nm (vermelho).
Fração de luz absorvida por cada cone pelo comprimento de onda.

Tipos de Daltonismo

Monocromacia

Deficiência visual que faz com que as pessoas não consigam distinguir qualquer cor, enxergando tudo em tons de cinza. Causadas pela ausência de dois ou três tipos de cones.

As formas de monocromacia são:

Monocromacia Rod:

A monocromacia Rod, também conhecida como acromatopsia, ocorre quando os bastonetes de retina estão presentes e funcionais, porém os três tipos de cones não estão funcionais ou não estão presentes. Homens e mulheres são igualmente propensos a terem este tipo de daltonismo, pois este não é ligado ao sexo. Embora seja a forma mais freqüente de monocromacia, ela ocorre com uma freqüência de 0,002% a 0,003%.

Monocromacia Cone:

A monocromacia cone ocorre quando apenas um tipo de cone está presente na retina. Sendo assim, ela pode ser classificada como:

· S-Monocromacia: presente apenas o cone do tipo S.
· M-Monocromacia: presente apenas o cone do tipo M.
· L-Monocromacia: presente apenas o cone do tipo L.

Dicromacia

A dicromacia ocorre quando um tipo de cone não está presente na retina. Podemos subclassificar a dicromacia em três grupos de acordo com o cone que não está disponível:

Protanopia

A protanopia ocorre quando os cones do tipo L não estão presentes na retina. Esta forma de daltonismo faz com que as pessoas sejam menos sensíveis à luz vermelha, dificultando a distinção das cores: azul e verde, e vermelho e verde.

Espectro de cores da protanopia.

A protanopia é de origem genética, transmitida hereditariamente, provocada por uma recombinação dos genes localizados no cromossomo X e por isso ligado ao sexo.

A proporção de pessoas com protanopia ocorre da seguinte forma:

Proporção da protanopia.

Deuteranopia

A deuteranopia ocorre quando os cones do tipo M não estão presentes na retina. Pessoas com esta forma de daltonismo possuem dificuldade em distinguir o vermelho do verde, o roxo do azul, e alguns tons de cinza. Elas conseguem distinguir de dois a três tons de cores diferentes, enquanto alguém com visão normal enxerga sete tons diferentes.

Espectro de cores da deuteranopia.

A deuteranopia também é congênita, sua característica e ligada ao sexo. A proporção de pessoas com este tipo de daltonismo ocorre da seguinte forma:

Proporção da deuteranopia.

Tritanopia

A tritanopia ocorre quando os cones do tipo S não estão presentes na retina. Pessoas com esta forma de daltonismo possuem dificuldade em distinguir o azul do verde, e o amarelo do violeta.

Espectro de cores da tritanopia.

Este tipo de daltonismo atinge cerca de 0,008% da população, trata-se de um distúrbio autossômico dominante, ou seja, o gene anômalo, aquele que possui anomalia, está presente num par de cromossomos que não determina o sexo, no caso da protanopia no cromossomo 7, portanto homens e mulheres são igualmente afetados.

Pode ser adquirida durante a vida, simplesmente através do envelhecimento ou pode ser provocado instantaneamente por um forte golpe na cabeça. Porém, nestes casos, atritanopia pode ser reversível.

Tricromacia Anômala

Na tricromacia anômala os três tipos de cones estão presentes na retina, porém um deles possui alguma alteração, fazendo com que o daltonismo apareça em diferentes intensidades, mais forte ou mais fraco. Podemos subclassificar a tricromacia anômala conforme o cone que possui alteração:

Protanomalia

A protanomalia ocorre quando há uma anomalia nos cones do tipo L, tornando a pessoa menos sensível à luz vermelha. Ela é mais suave que a protanopia, porém o resultado da percepção de cores é semelhante.

Assim como a protanopia, a protanomalia é hereditária, por ser provocada por genes localizados no cromossomo X.

A proporção de pessoas com protanomalia ocorre da seguinte forma:

Proporção da protanomalia.

Deuteranomalia

A deuteranomalia ocorre quando há uma anomalia nos cones do tipo M, no qual passam a ter o pico de onda bem próximo ao cone do tipo L. Embora os indivíduos com deuteranomalia provavelmente não possam ver vermelhos e verdes da mesma forma que as pessoas com visão normal, muitas vezes podem distinguir entre os tons de vermelhos e verdes com relativa exatidão.

A deuteranomalia é congênita, sua característica é ligada ao sexo assim como a deuteranopia. Sua proporção na população é da seguinte forma:

Proporção da deuteranomalia.

Tritanomalia

A tritanomalia é uma forma atenuada da tritanopia. Ela ocorre quando há uma anomalia nos cones do tipo S, sensíveis à luz de comprimentos de onda curtos, dificultando a distinção das cores: azul e verde, amarelo e violeta.

Esta é a forma mais rara de tricomacia anômala, atingindo 0,01% da população. Diferente das outras tricroacias anômalas, o gene afetado na tritanomalia situa-se no cromossomo 7. Este cromossomo não é o que determina o sexo e, portanto homens e mulheres são igualmente afetados.

A tritanomalia além de ser herdada, pode também ser adquirida ao longo da vida, simplesmente pelo envelhecimento ou causada por um forte golpe na cabeça, porém, nestes casos, ela pode ser reversível.

A partir disso conclui-se que existem diversos tipos de daltonismo. Notou-se que a as cores branco, preto e azul são as que podem ser vistas independente do tipo de daltonismo.

Não se pode falar de daltonismo na web sem lembrar da Epilepsia Fotosensitiva.

Epilepsia Fotosensitiva

É uma questão de segurança e saúde, não só de acessibilidade.

Os ataques podem ser causados com elementos movimentando-se compulsivamente pela tela, ou flashes de mudanças de cores muito rápidas e bruscas (2 a 60 flashes por segundo — Hertz). Esses elementos podem aparecer em banners publicitários reluzentes, animações em flash, gifs animados, jogos e vídeos. Caso esse seja um recurso realmente necessário para o material, é obrigatório que o usuário tenha o controle de “pausar” os flashes e/ou mudança de cores.

Conclusão

Existem diversos tipos de daltonismo, dentre eles o mais forte é o daltonismo completo, em que a pessoa não enxerga nenhuma cor, apenas em escala de cinza. Logo, para criar um layout à prova de daltonismo a medida é simples: basta testar o seu layout em preto e branco, e veja se todos os elementos de navegação estão distinguíveis.

Deve-se também lembrar do fator ambiente externo, em que não sabemos em qual contexto encontram-se os usuários de dispositivos moveis. Quando estamos navegando na internet em ambientes externos, devemos considerar o reflexo da luz solar na tela e nessa hora acertar no contraste das cores pode ser decisivo para o usuário continuar a navegação.