Há duas galáxias de distância

Observava o firmamento, negro, mas esplêndido em sua imensidão que guardava milhões e milhões de corpos celestes. Eram eternos companheiros naquela espera interminável por ele. Queria seu amado, mas ele estava preso em alguma aventura… preso em alguma guerra… preso em algum outro corpo celeste que não fosse o seu…

Temia a distância. Mas sabia sua razão. Seu povo necessitava e dependia das missões daquele corajoso grupo. Ephras, seu planeta, estava destinado a ruína. Seus recursos.. seus minerais.. suas pessoas.. sumiram com o passar dos séculos. Anos e anos de uso desenfreado de produtos e luxúrias, sustentando uma raça aristocrática que vivia na superfície. Infelizmente, a outra raça, que vivia presa em cavernas artificias e indústrias foram extintos por causa de uma praga.. uma doença que atingiu ambas as raças mas que só os do subsolo tiveram maiores perdas por serem mais vulneráveis e não terem tratamentos adequados, diferente da raça aristocrata.

Ela olhava firmemente para Sirius mas seus pensamentos a levavam para mais distante.

-Medelin..?

-Papai..! — responde a moça perdendo o olhar fixo para as estrelas.

-Eles voltarão logo. Nosso povo será salvo.

-Não é isso que me preocupa, papai!

-Então o que preocupa a princesa de Ephras?

Ela dá um suspiro.. —Aquele planeta, não é perigoso?

-Não constatamos sinais de vida inteligente. Veja.. -O velho aponta para Sirius. —Atrás daquela estrela, há 8 milhões de anos luz, ao final da espiral de orion*, tem um planeta azul, rico em atividade orgânica, que pode levar nosso Império adiante na história. Encontramos lá uma espécie subversiva. Anime-se por nós, querida!

-Mas é isso que me dá medo, papai! Essa nova espécie. E nossas tropas..? Será que saberão agir..? E os recursos..? E as viagens..? E o Gyon..?-Os olhos de medelin incham e breves lágrimas caem de seu rosto.

-Não se preocupe. Seu amado voltará! E trará as boas novas para ephras!-O velho dá um leve aperto de consolo no ombro de medelin e se retira, a deixando só naquela sacada.

Ela olha para baixo, aquela pequena cidade, silenciosa e gasta pelo tempo precisava daquela salvação. Eram os únicos naquele planeta escuro e não queriam aguardar seu fim sem lutar.

Medelin era a única desesperançosa. De certo modo, sabia que não seria tão simples a conquista da nova casa. Não queria subjugar aquela espécie e temia não apenas a perda de sua raça mas também de seu amado! Nada podia fazer!

Sob sua inépcia, deleita-se em choros no parapeito daquela sacada num planeta escuro e silencioso sob algum fim de universo. Era apenas mais um fim…!

*localização do planeta Terra na vía-láctea.