Festival aponta saídas para jornalismo inovador e independente no Brasil e na América Latina

Jornalistas cobrindo pautas de interesse social e fazendo parte da gestão do negócio. Experiências assim existem no Brasil e na América Latina, e estão mais perto de cada um de nós do que se imagina. Trabalhar na área da Comunicação com inovação, independência e inspiração, além de ser uma realidade, tem tudo para resgatar a profissão de jornalista da crise do modelo de negócios tradicional em que a grande mídia ajudou a colocar a si mesma e os trabalhadores.

Em busca de informações sobre saídas de empregabilidade para a categoria, a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), Samira de Castro, e o secretário-geral, Rafael Mesquita, participaram do Festival 3i — jornalismo inovador, inspirador e independente, realizado no auditório do IAB, nos dias 11 e 12 de novembro, no Rio de Janeiro. O evento uniu os veículos digitais independentes Agência Pública, Nexo, Ponte, Agência Lupa, Brio, Nova Escola, Repórter Brasil e Jota, com o apoio do Google News Lab.

Exemplo de cooperativa na Argentina

Federico Amigo, secretário, coordenador da área de Parcerias e redator de Esportes da cooperativa que publica o Tiempo Argentino, trouxe para a primeira mesa do festival o exemplo do jornal que, depois de passar por dificuldades financeiras e esvaziamento empresarial, passou a ser gerido por uma cooperativa de 100 jornalistas. “Nossa experiência mostra que é possível outro tipo de jornalismo, independente de empresas e governos”, afirmou o argentino, explicando que são os leitores quem financiam a plataforma, iniciada em modelo cooperativista em março de 2016.

“De um lado, a gente tinha a necessidade de continuar trabalhando e, do outro, os leitores, que gostariam receber informações de interesse público”, resumiu Amigo. O veículo já inspirou pelo menos outras quatro iniciativas do tipo e deve estimular outras mais. No final da palestra, muitos colegas brasileiros vieram pedir a Amigo dicas de como aplicar o mesmo modelo no Brasil, entre os quais os diretores do Sindjorce.

“Na cooperativa, todos os sócios têm o mesmo poder, não há relação patrão-empregado. A experiência do Tiempo é muito importante porque nos inspira a pensar saídas coletivas”, afirma a presidente do Sindjorce, Samira de Castro.

No caso do Tiempo, uma versão impressa é veiculada aos domingos e a edição online é atualizada diariamente. O jornal possui três mil assinantes diretos, e a venda avulsa da edição impressa atinge de 15 a 20 mil exemplares semanais.

Para Amigo, não é o Jornalismo que está em crise “e sim o modelo de negócios que nos trouxe até aqui”. Ele destacou que a cooperativa, como modelo de negócios horizontal, exige enorme grau de transparência. “Por isso, nossos balanços são publicados na web e no jornal impresso e, todo ano, no Dia do Jornalista, fazemos uma grande plenária com nossos leitores”.

Rede sulamericana

Um dos projetos do jornal argentino é criar uma rede sulamericana de jornalismo gestor para trocar experiências e dicas de melhores práticas. “A colaboração entre países ainda é muito incipiente”, disse Amigo. “Nossa ideia é uma aliança entre meios. É interessante que meios de diferentes países possam tratar de temas gerais a partir de realidades diferentes”.

Segundo ele, o contexto brasileiro, de poucas vozes concentradas em um ambiente corporativista, pode favorecer o surgimento de outras cooperativas. Para isso, ele destaca a importância de uma rede de contatos e de apoio. “É muito interessante se conectar, compartilhar experiências. O jornalismo autônomo nos obriga a estar constantemente aprendendo”.

Com informações do Knight Center

Jornalismo por Vós

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Conteúdo jornalístico e crítica de mídia

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