João Calvino contra os “super espirituais”

Sobre a íntima relação entre o Espírito e a Escritura.

Que dirão esses orgulhosos entusiastas, que julgam excelente essa iluminação que, uma vez oprimida e suprimida a palavra de Deus, sem receio e às cegas, acatam seja o que for que concebem mesmo dormindo?
A sobriedade dos filhos de Deus deve ser bem outra, pois, como sem o Espírito Santo se veem privados de toda a luz da verdade, assim também não ignoram que a Palavra é o instrumento pelo qual o Senhor dispensa aos fiéis a iluminação do seu Espírito. E não conhecem outro Espírito que não aquele que nos apóstolos habitou e falou, por cujos oráculos são frequentemente chamados à audição da Palavra.

João Calvino — A Instituição da Religião Cristão, Tomo I, Editora Unesp, Capítulo IX pags. 89 e 90.

A perigosa e pretensa ousadia de se viver num “espírito” formado por nossas insatisfações, guiados pelo desejo de “conhecer e revelar mistérios ocultos”, aquela preguiça em estudar e ler e, principalmente, não nos contentarmos com o que Deus já chamou de: Suficiente — abandonando a Escritura revelada, mantida e instrumento transformador do Espírito Santo em nossas vidas.