Seus heróis morreram de lordose

A internet é moderada pra caralho.

Uma coisa que a gente vê na internet toda vez que alguém morre é a necessidade de ser ponderado. Claro que essa necessidade não é inédita e advém de uma boçalidade muito comum a esta abominação moral que é o Brasil, pra dizer o mínimo.

Pessoa morreu e já corre o pessoal isento demais da conta pra falar "sim, é importante falar que Fulano era um gênio da arte, mas não podemos esquecer daquela vez que…". É o mal do brasileiro, não tem jeito. Naquele momento em que tudo que se precisa é de homenagens e notas sóbrias, já corre um pra contrariar o morto. Como se, mais importante que respeitar o conjunto da obra fosse fazer o primeiro texto questionador mais lido da internet.

Com Bolaños não foi diferente. Sylvia Colombo entrou na onda, mas antes dela, muitos outros já haviam o feito. Há momento pra tudo. E, antes que se faça o enterro do morto, não me parece o melhor momento pra relembrar suas faltas.

A necessidade que o Brasil tem de não gostar em excesso, pra não pegar mal é uma moderação particular do povo brasileiro, que não costuma ser muito moderado com nada. Mas não por isso se torna menos cínica.

Vá em paz, Chesperito.

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