Marcos, sua abordagem é interessante, só que em relação à Lúcifer sua pesquisa culminou no senso comum do cristianismo. Digo isso porque, sobre toda a sua fonte sobre Satan, você se ateve a corroborar que ele é Lúcifer, mas ele não é. Satan é Satan e Lúcifer é uma expressão, e expressão esta que é bem explanada em seu texto — inclusive fazer ligar essa expressão a Jesus choca muitos incautos religiosos, te parabenizo por ter trazido isso à tona, mas vamos ver se fará alguém pesquisar a respeito. Satan, para a fé judaica, nem sequer é um ser antagônico a D’us, inimigo direto de D’us. Quando pelo contrário, é um ser a serviço de D’us. De maneira simplista, a função de Satan, ressalto, a mando de D’us, é ser oferecer as condições erradas para que o homem escolha fazer o certo, ou seja, um “opositor”. É um ser que jamais teria forças para lutar contra D’us, posto que não há nada maior do que D’us. Nos primeiros séculos da era cristã e após sofrer “n” influências (da quais eu não irei explanar sobre elas) como a própria cultura e fé judaica sofreu em suas bases, surgiu uma vertente teológica consolidada de que o nome do opositor era Lúcifer, e que ele era um anjo querubim, e que ele quis usurpar o lugar de D’us. Isso se deve ao textos de Ezequiel 28 e Isaías 14. Mas são textos que falam a homens, não a um ser ex-angelical que foi lançado na Terra para ser o rei do inferno e príncipe dos demônios. Todas as características supostamente dadas ao Diabo lançado do céu outrora um anjo de luz, são metafóricas aos Reis de Tiro e da Babilônia e isso é bem claro pra qualquer bom entendedor. Mas uma mentira repetida várias vezes, por várias pessoas, por vários séculos, acabou se tornando a verdade. O mal existe, eu creio na existência de seres malignos, forças malignas, demônios ou gênios do mal, eu os vejo, infelizmente. Mas Satan é uma coisa (é o nome de um ser) e lúcifer, a tradução em latim da expressão em Hebraico “heylel” que, dentre seus desígnios, significa “estrela da manhã”, expressão também ligada à Cristo. Em relação ao cristianismo, até posso respeitar e conviver com a interpretação que Ezequiel 28 e Isaías 14 tratam-se de um ser angelical caído, mas manter a tese de que o nome dele é Lúcifer, é de uma puerilidade sem tamanho. Abraço!