O poder de uma única respiração

Desculpa a fotinha clichê, mas é que respirar bem deveria ser algo tão normal que eu não sei bem como representar isso em imagem

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Quando foi a última vez que os seus sentimentos dominaram as suas ações?

Seja por um acesso de raiva que nos faz gritar e xingar qualquer um que passe na frente, uma época em que o desânimo amarra nossas costas à cama, ou uma crise de ansiedade que paralisa completamente, estamos o tempo inteiro sujeitos a perder o controle.

Felizmente, em muitos casos, é possível retomar as rédeas da situação através de um dos exercícios mais simples que se pode imaginar — uma única respiração, com corpo e alma completamente presentes; algo que não leva mais do que dez segundos.

São vários os efeitos de assumir uma postura correta, se concentrar em sentir o ar entrando pelo nariz, preenchendo e expandindo completamente os pulmões, e saindo novamente.

A cabeça abaixada, os ombros contraídos e as costas curvadas, posições que atrapalha nossa respiração, também são parte de posturas que assumimos quando estamos tristes, ou prontos para uma briga.

Olhar para cima e abrir os ombros para trás nos coloca em uma postura comum quando temos confiança e clareza sobre o que deve ser feito em seguida. Pode parecer bobagem, mas da mesma forma que as emoções influenciam o corpo, o caminho inverso também é possível, e temos a chance de usar essa ferramenta à nosso favor.

O abdômen contraído, que impede a chegada do ar até a parte inferior dos pulmões, também é um elemento da nossa posição instintiva de combate; uma tentativa de proteger os órgãos vitais contra um golpe que venha de surpresa. Relaxar os músculos dessa área é outra vantagem da postura correta, ainda que para uma única respiração.

Essas atividades externas já ajudam bastante quando é necessário esfriar a cabeça, mas a parte mais importante é invisível; acontece dentro dela. O ato de se concentrar para assumir a postura correta, e então para prestar atenção ao movimento do ar, nos faz perceber que essas emoções torturantes — como raiva, desânimo e ansiedade — não passam de vozes ecoando na nossa mente.

Conseguimos ter essa percepção quando começamos a sequência de colocar os ombros para trás, levantar a cabeça, relaxar a barriga… pois é possível “escutar” uma nova voz que nos manda realizar esse passo a passo.

Ora, se os pensamentos que criam a raiva, por exemplo, e os pensamentos orientando a postura correta acontecem ao mesmo tempo, então percebemos que não somos uma coisa ou outra — ambos estão apenas passando por nossa cabeça.

Perceba que essa prática não é sobre sufocar os sentimentos. A intenção é dar um espaço por onde possam sair, ao invés de ficar rebatendo de um lado para o outro na mente. É como uma panela de pressão prestes a explodir — uma pequena válvula, por onde o ar quente pode escapar, é capaz de evitar um grande desastre.

A respiração consciente tem o mesmo efeito; mostramos aos pensamentos e emoções que estão roubando o controle dos nossos atos um caminho pelo qual eles podem seguir adiante, ao invés de ficarem presos fazendo a nossa cabeça chegar perto de explodir, mas apenas deixamos que sigam, sem tentar expulsá-los.

Conseguir realizar esse processo requer treino constante, pois sem prática, nós sequer iremos nos lembrar de que uma respiração é útil e importante, já que o momento em que mais precisamos é exatamente quando as emoções nos impedem de encontrar a voz racional.

Você pode experimentar alguns minutos de meditação por dia, mas se quiser um começo bem suave e simples, tente associar uma determinada tarefa comum ao seu treino. Uma respiração consciente sempre que for pegar o celular para olhar as notificações, por exemplo. São apenas cinco ou seis segundos, que não vão atrapalhar nem mesmo a visualização das mensagens mais urgentes.

Assim você irá criar um caminho mental, substituindo o ato instantâneo de pegar o aparelho assim que uma notificação chega, pelo ato racional de respirar antes disso. Esse mesmo caminho irá se abrir quando você menos esperar, te convidando a respirar, calmamente, ao invés de deixar que as emoções te dominem.


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