Nossa Aversão à Critica

Existem hoje uma gama de pensamentos referentes a todo tipo de assunto. Na sua cabeça existem opiniões e alguma coisa o impulsiona a compartilhar, e esse ponto de partida é extremamente importante, porém observamos uma necessidade excessiva de que devemos possuir opiniões a respeito de tudo, e pior, temos acesso a redes sociais onde compartilhamos nossas opiniões a respeito do menor tema existente, as vezes, temas que para alguns possuem uma faceta complexa, e onde o melhor a se fazer é simplesmente evitar a emissão de qualquer conclusão supercial ou rasa demais, e tudo aquilo que não leva em consideração os dois lados, acaba sendo superficial e raso, mas para alguns esses mesmos temas são tratados com ligeira presunção e descompromisso.

Onde a crítica entra nisso?

O processo é bem mais simples do que parece, somos seres racionais porque possuimos um juízo muito amplo sobre nossa condição como seres no universo. Julgamos o tempo todo, seja a comida que deve ou não ser muito boa, ou aquele grupo no qual você resolveu respeitar por concluir a importância das pautas do mesmo, enfim, possuimos JUÍZO porque pensamos, e ao observamos alguma situação, no final da nossa análise, seja ela supercial ou não, iremos adquirir uma opinião. Sua opinião sobre certo tema é uma crítica, tudo fruto de análises (juízo), seja sua conclusão positiva ou. negativa.

Banalizamos tanto o conceito da crítica em si, que a evitamos, porque associamos críticas apenas as opiniões negativas, esquecemos que a crítica na verdade é uma síntese, onde podemos observar aspectos positivos e negativos, sejam os aspectos de uma obra literária ou aspectos do compartamento de certo indivíduo no meio.

Por que evitamos a crítica?

Chego a conclusão de que evitamos a crítica pelo mesmo motivo que nos impede uma boa convivência com aqueles que pensam diferente de nós, suponho que não apenas por este motivo que irei citar, até porque sou um leitor esporádico de obras com cunho psicanalítico. No bestseller “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, me desvenderam o óbvio, quando possuímos nosso orgulho ferido, evitamos e rejeitamos aquele que nos questiona, seja com opiniões ou críticas a respeito de temas ou até mesmo ao nosso respeito, mas criticas e opiniões que antes de mais nada, divergem com as nossas opiniões.

O processo de criticar:

Uma história que contaram para nós quando crianças, exemplifica um aspecto da crítica:

Os nosso defeitos ficam em uma mochila nas nossas costas, e as nossas qualidades ficam na mochila a frente de nós, e estamos condenados a andar em uma fileira circular, onde conseguimos enxergar apenas os defeitos dos nossos colegas, e apenas as nossas qualidades. Resumindo. O nosso processo de auto conhecimento é bem defasado.

Essa história é infuncional, caso a enxerguemos com um aspecto fatalista, e odeio coisas fatalistas, quando possuimos o conhecimento a respeito da nossa incapacidade de olhar para nosso próprio umbigo, isso não significa que deveríamos olhar a situação com persimismo, ou como imutável, significa que podemos tentar ao menos mudar a forma como agimos, simples.

Então faz melhor!

Quando observamos, estamos um uma posição privilegiada. Aquele que faz, consegue apenas rever os frutos de seu trabalho ou obra, no final do processo, consegue enteder que agiu precipitadamente, após repensar em certas atitudes. Prefiro interpretar a história que rodamos em círculo, como uma oportunidade de nos ajudarmos, e de deixar o orgulho de lado.

Um Diretor de cinema por mais empenhado que tenha sido seu trabalho durante o filme, só consegue contemplar sua obra, no estágio final da edição e montagem do filme. Crítico de cinema é a pessoa responsável em analisar, porque toda crítica é uma analise, quem já leu uma crítica de cinema, sabe que nelas são abordadas todos os aspectos da obra cinematográfica, na mesma analise é possível encontrar elogios e exposição de aspectos negativos. Para o crítico é impossível simplesmente resolver “fazer melhor”, porque quando ele estiver no lugar do diretor, irá sair da posição privilegiada de observador.

Nossas ações podem ser melhor efetivadas quando pensamos antes de fazer, porque ficamos na posição de observadores de nós mesmo, porém isso é muito difícil por exigir maturidade, e quando aceitamos a crítica, ao deixarmos de lado o orgulho, temos a oportunidade de melhorar, graças ao juízo que exerceram sobre nós.

Escrevi um texto e uma pessoa por imbox veio me avisar que haviam alguns erros de concordância, e no final da mensagem pedia desculpas, mas por quê? Na verdade, ela deveria receber apenas meus agradecimentos, hoje agimos de uma maneira tão retrógrada quando o assunto é receber críticas ou conviver com opiniões divergentes, que quando possuimos a melhor das intenções, precisamos no final da nossa exposição, pedir desculpas, porque sabemos inconscientemente que estamos ferindo o orgulho de alguém, e ferimos principalmente quando falamos a verdade.

Quando emitir opiniões tenha consciência desses aspectos, não se deixe abater, expressão faz parte do processo democrático, e quando nos expressamos, estamos exercitando o que temos de melhor na nossa forma de ser gente, expressamos personalidade e identidade, contudo devemos lembrar que não somos obrigados a opinar e a criticar sobre tudo, e quando tratarmos de certos assuntos, precisamos comprender que certos topicos exigem maior compreensão e tempo, para não julgar nada com superficialidade.

Sorria quando receber uma crítica, porque você poderá melhorar aspectos em você que talvez nem notava, e quando receber algo infundado, o diálogo é uma boa forma de refutar aquilo que disseram a seu respeito.

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