Flip 2016: eu fui!

Vi de perto o mundo (quase) perfeito da Flip

Na lista de títulos ruins da minha vida, esse aí de cima ocuparia posição de destaque. Mas é que não há como definir melhor a minha participação na Flip 2016 a não ser com um simples “sim, eu fui”. Depois de alguns bons anos querendo e sonhando, finalmente pus os pés — e as canelas doídas de tanto pisar em pedra — na Festa Literária de Paraty.

Alheia às críticas que todos os dias apareciam na imprensa e vivendo o dia a dia do lugar, só tive mesmo como aproveitar o que já chamo de “o mundo (quase) perfeito da Flip”. É que nos quatro dias de duração do evento, vive-se em um globo de neve, na falta de uma metáfora mais adequada ao clima.

No mundo quase perfeito da Flip, está todo mundo disposto a conhecer novos autores, a dar atenção a poetas no meio das ruas, a entrar em contato com artistas. Todo mundo aberto a debater novas e velhas ideias, a ouvir um jovem músico, que ali em frente a uma das centenas de casarões apresenta seu som.

Um mundo em que Cacos, Svetlanas e Karls se misturam a Leandros e Pedros. Em que os professores têm vez e os olhos das crianças brilham tanto por artistas como por doces. Tem música, arte, dança, poesia. De graça, em todo canto. É no Rio e é seguro — alguém explica? O amor é livre e livro, com o perdão da pieguice.

O sol brilha, mas é frio. Tem história nos museus e poesia nas paisagens de ilha. Tem surpresa no meio da rua, quando sem esperar se ouve o som de uma Adriana Calcanhoto, de um Arnaldo Antunes e de tantos outros. Tem debate entre Duviviers e Ribeiros, entre anônimos e famosos.

É um mundo quase perfeito em que a vencedora do prêmio Nobel é genial, mas é, antes de tudo, “uma mulher como todas as outras, buscando histórias”. Em que os grandes rockstars são os autores. Em que a palavra finalmente ganha seu lugar como grande estrela. São oficinas, livros, debates e mesas inteiras dedicadas a entendê-la melhor. Na Flip, os sotaques se misturam, os sorrisos se encontram e as dores são conhecidas. E talvez more aí o (quase) perfeito: ao redor de onde tudo ocorre, a vida segue com seus problemas e injustiças.

É quase perfeito — por isso só dura 4 dias. Te vejo em 2017, Flip!