Quando as marcas se arrependem

Lançada no domingo (05/06), uma ação da Heineken para a Champions League rendeu elogios nas redes sociais. No vídeo, depois de sugerir que 3 mulheres passassem dias em um spa enquanto os namorados veriam a final do campeonato, a marca pergunta: “já pensou que elas podem gostar de futebol tanto quanto você?”. “The Cliché” já tem mais de 3 milhões de visualizações e 30 mil comentários somente no Facebook — e contando.

Corta para 2014. A mesma Heineken lança uma das ações mais polêmicas do ano: também durante a Champions League, em parceria com a Shoestock, apresenta uma promoção de sapatos — a Heineken ShoeSale. Mais ou menos na ideia do “pra elas deixarem vocês em paz na hora do jogo, que tal uma promoção?”.

Tá de brincation with me, Heineken?

Simplista, reafirmadora de estereótipos e com cara de anos 50, a ação só podia ter dado o resultado que deu — mulheres reclamando o direito de que não, nem só de liquidação e de sapatos vivem elas.

Corta para 2009. Em outra propaganda famosa da mesma marca, um homem e uma mulher mostram, cheios de orgulhos, os closets para os amigos. Também aqui elas gostam de sapatos e roupas. Eles, de cervejas.

Voltando para o vídeo de 2016, parece que a tapioca virou, não é mesmo? Se a nova ideia veio pelo espaço aberto através da luta das mulheres por direitos iguais ou se realmente pela mudança de valores e percepções da marca, não sabemos. A verdade é que um sem número de marcas tem mudado a abordagem do papel das mulheres — ainda bem.

Tudo bem, Heineken. A gente perdoa, mas não esquece. ;)