Sonhos, há sempre de existir

No caminho para a rodoviário de Fortaleza, perguntei a Charlott o que ela mais temia. Lembrei do filme Anna: Ot shesti do vosemandtsati, do diretor Nikita Mikhalkov, onde ele faz algumas peguntas durante os 6 e 18 anos de sua filha, Anna. Em diversos momentos ele pergunta a Anna o que ela mais temia. O curioso é perceber o quanto mudamos ao logo da vida, desejos, medos, expectativas… é como se viver fosse uma constante mudança de pontos de vista sem haver certeza de nada.

O maior medo da Charlott era perder o sentido da vida, está depressiva, não ter vontade de viver. Ela concluio sua resposta com — Eu acho que tenho um perfil para ser depressiva. Fiquei quieto olhando a cidade pela janela do ônibus. Tinha ideia do que ela estava falando. — E você? ela perguntou. Antigamente tinha medo de perder a memória, mas quem não tem memória não lembra que perdeu. Também tenho medo de perde o sentido da vida. Por algum momento nos ultimos meses confesso que me desinteressei. Minha aproximação com minha família e o distanciamento de algumas pessoas tem me ajudado.

Gosto da Charlott, acredito que ela tenha sido umas das pessoas mais interessante que conheci nos ultimos meses. O que torna mas interessante nela é que desde de quando lhe conheci sabia que nosso tempo de convivência seria muito curto. É bem provável que nunca mais nos encontraremos, e isso me trouxe um fascínio em saber que nada é terno. Pessoas simplesmente passa na nossa vida. Tenho inumeras pessoas que não tornarei a reve-las. Não porque eu não deseje reencontra-las, pelo contrário queria muito, mas por que inexplicavelmente a vida cria um distanciamento. Por mais que eu queira e elas estejam vivas no mesmo continente ou até na mesma cidade, não podemos nos encontrar. Tenho dificuldade em aceitar isso e conviver com a Charlott já sabendo disso foi um desafio que queria superar. Desejaria muito reencontra-la. Mas de certa forma, nem ela volta ao Brasil nem eu vou para a Alemanhã, tão cedo.

Havia me descobrido sem sonhos e isso é uma falta de sentido na vida. Nada me interessava, simplesmente nada. Tudo que projetava na minha vida estava associado a alguém. Era como se minha propria vida não importasse. Tenho me despertado para mim. Viajar. Explorar meu entorno estudando permacultura, cinema documental e sistema de informação, com o surf como base. E como se iniciar isso? Primeiro reunindo as condições que tenho, onde estou onde posso chegar. O que posso fazer com o que tenho e onde estou? Acredito que isso seja um boa começo.

Acredito que retomar o plano que me deixaria onde eu queria está agora pode ser uma guia. É sempre tempo para se iniciar. Imaginava que estaria formado em Estudos de mídia, com especialização em Govenança de Tecnologia da Informação, com certificação em Cobit e ITL e um certifcado em Toefl. Estaria agora estudando para um concurso com planos de ir para Florianopolis ou mesmo um mestrado. Tenho que terminar o que começo. Mas afinal o que preciso fazer para retomar esse plano? Qual seria as prioriadades?

Definir um tempo para cada etapa ajudaria a orgainzar. Primeiro devo analisar o tempo que ficarei em Meruoca, penso que ficarei até o final do ano de 2018. As vantagem de ficar aqui possibilitam para retomar minhas demandas antes abandonadas. Criar um planejamento com analise no circulo de vida do projeto vai trazer um diagnostico de como estou progredindo. Cabe a mim manter o sonho vivo.

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