
22/08/2017
O frio que subiu a minha espinha queria dizer algo: Você merece sempre o melhor e nada que seja diferente disso. Você merece algo muito melhor que isso.
Orgulhosa demais pra dar ouvidos ao sexto sentido disfarçado de inverno vertebral, continuei nessa trilha sinuosa e sem garantia alguma. O frio, permanecia ali. Vez ou outra dava as caras e dizia que há cada minuto doado àquela atenção delicada e preocupada, era mais um passo rumo ao desconhecido mais fajuto que poderia me sujeitar.
Aprender a dizer "chega, já deu!" nunca foi o meu forte. A necessidade de se afirmar como a mais corajosa, a que mais se arrisca e vira a garrafa de etílico até a última dose, sempre teve que ser minha. Trunfos velhos, ultrapassados que não trouxeram nada além de uma úlcera e fígado baleado.
Ah... se todo não fosse a vontade de ser a melhor no "vira-vira".
Dois órgãos importantes, mas que conseguimos viver "sem", estão brutalmente feridos. Mas e o coração? Como viver sem ele?
Ao mesmo tempo que a necessidade de ser a mais corajosa nas coisas desnecessárias crescia, a necessidade de conseguir mais "corações roubados" seguia a trilha de fantoches humanos deixados na estrada.
Fato é que roubar corações é o mesmo que dar um pedaço do nosso. Quando se percebe, é tarde demais e o órgão que não podemos viver sem, está mutilado, dilacerado.
“Pega teus cacos, tu não é do céu
Remonta e começa de novo
O inferno é aqui
E você precisa voltar a sentir “
Dessa vez, vou tentar te escutar. Nem que seja apenas a primeira frase - disse ela ao 6sentido.
Sanches T.
